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Queria repensar minha formação burguesa, diz Solberg 27/06/2026
Celebridades Cultura

Queria repensar minha formação burguesa, diz Solberg – 27/06/2026 – Ilustrada

Na noite de quinta-feira (25), Ouro Preto viu um encontro marcante da cultura brasileira. Em uma cerimônia no cinema a firmamento acessível na terreiro Tiradentes, a diretora Helena Solberg recebeu o troféu Vila Rica aos 88 anos. Logo em seguida, foi homenageada por duas cineastas das gerações seguintes, Lúcia Murat e Tata Amaral.

No indiferente que dominava o espaço meão da cidade histórica mineira, as três vestiam casaco e cachecol.

À direita de Solberg, estava Murat, de 77 anos, que exibiu nesta edição da CineOP “Que Bom Te Ver Viva”, seu primeiro longa-metragem. À esquerda, Tata, de 65, que vai apresentar a traslado restaurada de “Um Firmamento de Estrelas”, também seu longa de estreia.

Um dos motes da mostra mineira é “Uma vez que Elas Começaram? Memórias do Primeiro Filme”. Esse olhar momentâneo para o pretérito não significa, porém, excesso de nostalgia. As três continuam filmando.

Pioneira de um cinema de acento feminista no Brasil, Solberg falou sobre “A Entrevista”, de 1966, e “Meio-dia”, lançado quatro anos depois, seus dois filmes que seriam exibidos na sequência.

O primeiro, disse ela, “é uma revisão da minha formação burguesa e seus valores”. O segundo, “uma metáfora sobre a exprobação e a repressão, um filme experimental libertário”.

“Vocês vão saber duas joias raras que muito inspiraram a minha geração”, complementou Tata.

Muito inovador para a estação, “A Entrevista” mantém seu ímpeto criativo seis décadas depois. Uma vez que jovem da classe média-alta do Rio de Janeiro, Solberg olha para si mesma e põe em xeque o que vê. Mas o curta está distante de uma reparo ensimesmada.

Por meio de uma jovem que vai à praia e, em seguida, prepara-se para o conúbio, o filme questiona a sexualidade e as perspectivas profissionais das mulheres, além da vida política do país.

“Meio-dia” não resistiu ao tempo tão muito quanto o curta anterior. Mas merece ser visto porquê um gesto de rebeldia ao sabor da estação, ao som de “É Proibido Proibir”, de Caetano Veloso.

Ao final da sessão, os aplausos foram veementes. Assim, porquê aconteceu alguns anos detrás com amigos da sua geração, porquê Cacá Diegues e Arnaldo Jabor, a produção inicial de Solberg vai sendo redescoberta.

No dia seguinte, quando questionada se ela se considerava uma “cinemanovista”, Solberg respondeu que sim —e não. “O cinema novo tinha essa particularidade de retratar quem era explorado, e eu queria desenredar quais eram as forças que atuavam na minha formação, não na do outro.”

Por outro lado, ela gostava de conviver com nomes porquê Glauber Rocha e Mário Carneiro, responsável pela retrato de “A Entrevista”, além de Cacá e Jabor. E todos —ela e eles— pensavam que iriam “mudar o mundo”.

A visão de Solberg sobre a veras feminina sempre foi intuitiva —costuma expor que, no caso dela, “a percepção chega antes da linguagem”. Mas também foi estimulada por livros, porquê “A Mística Feminina”, da ativista Betty Friedan, publicado em 1963. E lia avidamente Simone de Beauvoir.

No início da dez de 1970, Solberg se mudou para os Estados Unidos, onde realizou três documentários, mais tarde amarrados sob o nome de Trilogia da Mulher.

Em “A Novidade Mulher”, de 1974, reconstitui a história do movimento feminista na Inglaterra e nos EUA. Lançado no seguinte, “Dupla Jornada” se baseou em viagens de Solberg por quatro países da América Latina para mostrar a vida de operárias e camponesas. Em “Simplesmente Jenny”, de 1977, ela ouviu jovens bolivianas vítimas de violência.

Esses três estão em exibição no site da CineOP.

Um de seus últimos filmes antes de voltar definitivamente para o Brasil foi “Carmen Miranda – Banana Is My Business”, de 1995, um de seus trabalhos mais premiados.

“Helena é uma grande inspiração para as cineastas mais jovens porque, entre outros motivos, começou na dez de 1960 e segue filmando até hoje, mesmo com tantos desafios pelo caminho”, disse Mariana Tavares, autora do livro “Helena Solberg – Do Cinema Novo ao Documentário Contemporâneo”, durante debate em Ouro Preto.

Agora a diretora prepara seu 18º filme, um documentário sobre Wesley Teixeira, um jovem líder evangélico do Morro do Sapo, em Duque de Caxias. Grande secção das filmagens já foi feita, mas ela conta que ainda se inquieta com muitas dúvidas. “Todo filme é uma proeza”, diz.

‘O Ébrio’ de volta

Na sexta-feira à noite, a terreiro meão de Ouro Preto recebeu a primeira exibição pública da novidade traslado de “O Ébrio”, dirigido por Gilda Abreu. Lançado em 1946 pela produtora carioca Cinédia e logo um sucesso enorme de bilheteria, esse melodrama demonstra porquê uma restauração cuidadosa pode dar outra vida a um filme.

Com o cantor Vicente Celestino porquê protagonista, o longa-metragem foi produzido por Adhemar Gonzaga, fundador da Cinédia em 1930.

A traslado anterior expunha diferenças evidentes nas tonalidades de preto e branco, além de uma série de ruídos.

Sob a liderança do pesquisador e conservador Hernani Heffner, a equipe do laboratório da Planta Filmes/Link Do dedo, do Rio de Janeiro, corrigiu desajustes de som e enquadramento, entre outros detalhes, para transformar “O Ébrio” em um registro do dedo em 4K –solução de muro de 4.000 pixels, classificada porquê de subida definição; quanto mais pixels, mais nítida é a imagem.

Uma vez que já escreveu o crítico Inácio Araújo, “O Ébrio” não é uma obra-prima. Alguns dos seus lances cômicos ainda podem divertir, mas os excessos melodramáticos têm envelhecido mal.

Ainda assim, sua relevância histórica é indiscutível, porquê fenômeno de público, porquê registro do alcance de Celestino e ainda porquê um testemunho da vida privada no Brasil de oito décadas detrás.

Segundo Alice Gonzaga, filha de Adhemar e diretora da Cinédia, a produtora tem 56 filmes em catálogo, dos quais pelo menos 20 foram restaurados nos últimos anos. O Sesc tem bem alguns desses projetos, porquê “O Ébrio”.

Aos 91 anos, Alice planeja iniciar a recuperação de “Tererê Não Resolve” e “Maridinho de Luxo”, ambos dirigidos por Luís de Barros em 1938, e “Eterna Esperança”, filme de Leo Marten de 1940.

Uma vez que Helena Solberg, Alice não quer saber de parar.

O jornalista viajou a invitação da CineOP

Folha

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