Depois quase 70 anos no ar, a Rádio Eldorado fechará suas portas, segundo enviado enviado, nesta quarta-feira (22), aos acionistas e funcionários da empresa, que serão demitidos.
A emissora deixará a frequência 107.3 FM em 14 de maio. No dia seguinte, ela será ocupada pelo Grupo Bandeirantes de Notícia, que passará a operar no dial posteriormente negociação direta com a instalação proprietária. O dial é a frequência de emissoras, que permite ao ouvinte sintonizar a rádio —o FM 107.3 era alugado pela Eldorado.
Procurado, o grupo Estado, possuinte da emissora, confirmou o fechamento das atividades por meio de nota. “Nos últimos anos, sobretudo posteriormente a pandemia, observamos mudanças profundas nos hábitos de consumo de áudio. O incremento rápido das plataformas de streaming músico e a transformação no uso dos meios lineares têm impactado de forma estrutural o papel das rádios FM tradicionai”, diz.
Na nota, o grupo afirma ainda que a decisão acontece “em função do término da parceria com a Instauração Brasil 2000, detentora da frequência 107,3 FM”. “Essa decisão se insere em um movimento mais espaçoso de reposicionamento estratégico do Estadão, que vem ampliando de forma consistente sua presença do dedo. Nos últimos dois anos, a companhia intensificou sua produção audiovisual, por exemplo, com a contratação de 14 colunistas com atuação multiplataforma, responsáveis por conteúdos em texto e vídeo.”
Os primeiros sinais da mudança vieram ainda em janeiro, quando funcionários da rádio leram uma publicação do Portal Tudo Rádio, informando que a Band poderia assumir o dial. Até portanto, a equipe não havia sido comunicada oficialmente.
A confirmação interna veio exclusivamente depois, em reunião convocada posteriormente boatos. Segundo fontes ouvidas pela Folha, diretores já acompanhavam havia meses as tratativas envolvendo a frequência, mas não tinham enviado os funcionários da equipe.
Segundo relatos, no término do ano pretérito, o grupo Estado teria sido avisado de que deveria vagar o meio em maio deste ano, posteriormente a proposta apresentada pela Band ser aceita pela detentora do dial.
Apesar do prazo de alguns meses e propostas de transmigração para outras frequências, a empresa optou por fechar as operações da rádio. A justificativa apresentada aos funcionários foi financeira —manter a emissora em outro dial elevaria custos e não garantiria um retorno harmonizável.
A Eldorado operava em uma frequência classificada uma vez que educativa, o que impõe restrições comerciais, mas também tornava o dispêndio de operação mais reles. A mudança para um dial mercantil implicaria aumento significativo de despesas.
Os funcionários ouvidos pela reportagem afirmam ainda que o Estadão não buscou alternativas comuns no setor, uma vez que a venda de “naming rights” ou parcerias com marcas e investidores para sustentar o projeto.
Também dizem que a Eldorado não tinha uma equipe própria especializada na venda de publicidade em áudio. A comercialização ficava a função do time do Estadão, voltado principalmente ao mercado de mídia impressa, o que limitaria o potencial de receita da rádio.
A decisão contrasta com resultados recentes de percepção de marca. Uma pesquisa qualitativa encomendada pelo grupo indicou que a Eldorado tinha imagem mais positiva que o próprio Estadão entre ouvintes e assinantes.
O estudo destacou atributos uma vez que curadoria músico, identidade editorial e diferenciação no dial — características frequentemente associadas à emissora ao longo de sua trajetória.
Fundada há 68 anos, a rádio construiu reputação uma vez que espaço de programação músico selecionada e jornalismo cultural. Ao longo das décadas, contou com a participação de nomes uma vez que Jô Soares, Fernanda Young e Rita Lobo.
A informação do fechamento, nesta quarta, ocorreu em reunião com 22 dos muro de 60 profissionais ligados à rádio —entre funcionários fixos, técnicos, produtores e colaboradores. Todos serão desligados, incluindo a direção. Não há previsão de realocação interna nem perenidade da marca no envolvente do dedo.
Ainda no enviado enviado à reportagem, o grupo diz que a marca Eldorado seguirá existindo por meio de projetos especiais e eventos.
“Alguns de seus principais programas, incluindo iniciativas uma vez que Som a Pino e Clube do Livro, serão redesenhados e adaptados para novos formatos, com ênfase em vídeo e distribuição do dedo. Esta transição permitirá ao Estadão oferecer aos seus parceiros comerciais formatos mais segmentados, mensuráveis e aderentes aos novos hábitos de consumo de teor.”
