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Rick: do menino que vendia picolés ao ícone sertanejo
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Rick: do menino que vendia picolés ao ícone sertanejo

Rick: do menino que vendia Picolé ao compositor de grandes sucessos do sertanejo
Uma cena que o público se acostumou a ver: Rick e Renner no palco e a plateia cantando junto. O show em São Paulo, no Villa Country, em 11 de setembro, foi uma das últimas apresentações da dupla, dez dias antes do acidente de helicóptero que matou Rick, aos 59 anos.
Mas, para relatar a história de Rick, é preciso inaugurar pelo Geraldo Antônio de Roble.
“Eu nasci em Monte do Carmo, interno do Tocantins, mas quando eu nasci ainda era Goiás”, lembrou o cantor em registro do programa Muito Sertanejo, do Fantástico. O trabalho começou cedo. “Quando garoto, já vendia picolé, vendia jornal, vendia um mica de coisa”, recordou em participação no Domingão do Faustão. A música também começou cedo, primeiro em família. “A minha mana, nós fizemos inclusive a dupla chamada Sereno e Tocata, né?”. Faustão questionou se ele era o Sereno. Depois veio Brasília. “Tanto eu quanto o Renner, a gente cantava na noite. Eu tinha outra dupla, Rick e Rei, e eu cantava numa mansão muito pertinho. O que dividia as duas casas era uma parede. No pausa eu ia ouvir o Renner e ele vinha me ouvir. Começou o namoro ali”, relatou.
O sucesso levou mais tempo. “Chegou uma quadra que eu e a minha mulher, a gente ficava sem almoçar pras crianças poderem manducar. Que é uma situação realmente complicada”, desabafou sobre o início nos anos 1980. Eles insistiram e o jogo virou.
No DFTV de 1997, o público ouvia o hit: “Tira a roupa, tira a roupa / Que eu vou ajudar você / Tira a roupa, tira a roupa / Do varal que vai chover”. No Altas Horas de 2000, Serginho Groisman apresentava a dupla cantando: “Nosso paixão tem momentos ruins mas é rostro de pau… rostro de pau, esse paixão rostro de pau, mas é gostoso, esse paixão é bom demais…”.
No Domingão, Faustão profetizava: “Essa dupla ia atingir a escol da música sertaneja”.
A trajetória seguiu com canções marcantes, uma vez que os versos de “Muleca”. Uma coleção de músicas que fez de Rick & Renner referência para quem ainda tentava chegar lá.
Em testemunho, a dupla César Menotti & Fabiano recordou o início da curso e o pedestal recebido: “A única dupla que falou assim: ‘Não, os meninos que cantam a música, labareda que eu quero saber eles’, foi o Rick & Renner, lá na cidade de Betim. Abriu os palcos pra gente”. “E a gente não esquece disso não, viu?”.
Na última sexta-feira, 25 de setembro, no Villa Country em São Paulo, César Menotti e Fabiano homenagearam a dupla que lhes estendeu a mão. No palco, César declarou emocionado: “Há 15 dias, ele tava cantando cá, onde eu estou. Mas só morremos quando somos esquecidos. E o Rick vai viver pra sempre. Através das canções, do legado que ele deixou”.
No camarim, Fabiano ressaltou a relação com o ídolo: “Fãs do rostro, nos tornamos amigos do rostro, conseguimos ir de palco com o rostro, gravamos música dele, né? Logo, um pleno prazer que a gente teve na vida foi invocar o nosso ícone músico de companheiro”.
Rick era um compositor incansável. “Eu não paro não, Fausto. Eu componho direto, o tempo todo tô sempre fazendo música. Eu sou aquele rostro que gosta muito de fuçar a questão da música”, afirmou. No Ecad, escritório responsável por receptar e partilhar direitos autorais, constam 661 obras cadastradas em seu nome. “Não existe um repertório no Brasil hoje sendo tocado que não tenha a caneta do Rick”, apontou César.
Entre suas criações gravadas por outros artistas estão clássicos uma vez que “Página de Amigos”, com Chitãozinho & Xororó (“Porquê é que eu posso ser companheiro de alguém que eu tanto amei”), e “Só Dá Você na Minha Vida”, interpretada por Rick, Michel Teló e Daniel (“Eu tentei, eu lutei, fiz o verosímil / Mas viver sem você é impossível”).
“Eu acho que uma das músicas em que eu mais paladar do Rick é a Poeira da Estrada, que era do saudoso João Paulo e hoje do saudoso Rick”, citou Fabiano, lembrando a letra: “Estrada que era vermelha de terreno… que o progresso trouxe o asfalto encobriu”.
E não importava o tamanho da plateia. “O Rick não brincava com a música. O trovar, a versão dele, o carinho dele ali com meia dúzia de pessoas que estavam nos assistindo, era a intensidade que você tivesse em um palco uma vez que nós vimos com 30 milénio pessoas assistindo”, destacou César. Fabiano completou: “A música vinha muito antes da nomeada, muito antes do moeda”.
Com Renner, formou uma parceria marcante. “Eram dois caras diferentes demais um do outro. O Rick um pouco mais cowboy assim, o Renner um pouco mais playboy assim. Que dupla dissemelhante!”, observou César. Ao longo dos anos, vieram rupturas e recomeços, celebrados em retornos aos palcos:
Fora do palco, sua companheira de vida esteve sempre presente: Geralda. “ A Gê foi uma parceirona, amiga, parceira, esposa dele da vida toda, né? Eu acho formosa a história deles uma vez que parelha”, recordou César. Rick deixa dois filhos, Mônica e Victor, e quatro netos — família que inspirou suas obras. Para Mônica, compôs “Filha”, clássico das festas de 15 anos. E foi justamente para a debutante Maria Clara, em 19 de setembro, na cidade de Sorriso, em Mato Grosso, que Rick realizou a última apresentação de sua vida, ao lado de Renner: “Não é que eu vá te vigiar / Não é que eu queira ser seu possuidor / Isso é só um zelo de pai / Filha, eu te senhoril”.
A rotina de shows permanecia intensa em seguida quatro décadas de curso, e Rick já considerava desacelerar. “Pô, chegou a hora de desacelerar, né? … Não deu tempo”, emocionou-se César.
Na segunda-feira seguinte, dois dias em seguida a última apresentação, o helicóptero em que Rick viajava caiu na Serra Catarinense. Entre as cinco vítimas estava o empresário Bruno Avelar, companheiro de longa data de Rick e da dupla César Menotti & Fabiano.
Ao serem questionados sobre o companheiro Bruno, César desabafou entre lágrimas: “Eu queria que você me perdoasse. Seguramente vai ter um tempo em que a gente vai conseguir falar com naturalidade, lembrando certos momentos de alegria […] mas hoje ainda não consigo. Perdoa”. Fabiano completou: “Foram muitos anos de amizade, quase 30 anos. ”
Rick havia cantado seu maior hit no conúbio de Bruno, em agosto deste ano. A música entoada foi “Ela É Demais”: ”
Em mensagem aos fãs pelas redes sociais, Renner declarou: “A saudade vai permanecer”. E concluiu: “Logo, é isso. Eu passei cá pra expressar que senhoril vocês, que o show não pode parar, né? A gente vai continuar cantando e é isso”. Porquê traduzem os versos: “Sei, não me questão de admitir / Se não há zero que eu possa fazer / A gente não pode impedir / Se a vida cansou de ensinar / Sei que o paixão nos dá asa, mas volta pra mansão / Mas volta pra mansão”.
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Fonte G1

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