Rio volta a ter semana de moda depois de muitos

Rio volta a ter semana de moda depois de muitos anos – 13/04/2026 – Ilustrada

Celebridades Cultura

Oskar Metsavaht, diretor de geração e estilo da Osklen, enxerga o Rio de Janeiro encarnado numa mulher de vestido de seda plissado, lenço de estampa colorida e tênis de estirão. Sua imagem de tendência, calcada, uma vez que ele diz, em secção na mistura de estilos —as roupas de ligamento transcendente com o calçado esportivo— e, em secção, nos corpos suados e dourados a passearem pelo calçadão de Ipanema, vai reinaugurar a semana de tendência carioca.

Nesta terça (14), a grife faz o desfile de exórdio da Rio Fashion Week com seu vestuário de uma zona sul idealizada, imaginário muito distante das mazelas que assolam a capital fluminense. O desfile na antiga embaixada britânica no Rio de Janeiro marca a retomada de uma semana de tendência na cidade, depois de um hiato de mais de dez anos desde os extintos Fashion Rio e Rio Tendência Rio.

Com 20 desfiles até sábado, concentrados em sua maioria no Píer Mauá, a Rio Fashion Week chega com marcas importantes na passarela, uma vez que Lenny Niemeyer, Misci, Salinas e Blue Man. A teoria, segundo os organizadores do evento, é recolocar o Rio no calendário fashion do Brasil e alavancar o potencial turístico da cidade, que teve sua imagem fortalecida depois dos shows de Madonna e de Lady Gaga nas areias de Copacabana —ou seja, o foco não é só a roupa.

No caso da Osklen, a mais conhecida marca de tendência carioca, o desfile terá 36 looks urbanos e de praia que, de convénio com Metsavaht, serão uma homenagem ao Rio —basicamente o que a grife faz desde sua geração, há 36 anos. As roupas e acessórios captam o “hedonismo saudável do Rio de Janeiro, um estilo de vida expresso pelos corpos muito cuidados, saudáveis e belos”, diz ele, “os gestos da capoeira, da embaixadinha, da moçoila sentada na areia, do mergulho no mar, dos coqueiros ao vento”.

“Você vai se vestir para marchar na lajedo de Ipanema ao pôr do sol. Vai escolher uma roupa ligeiro, despojada, mas com certa sofisticação. Você quer estar belo. São os elementos que eu trago para a Osklen. Se alguém te convocar para ir a um jantar em um dos hotéis da orla ou no apartamento de alguém, você está bem-vestido. Mas se te chamarem para um luau na praia, você está bem-vestido também.”

Entre as etiquetas escaladas estão também a Normando —que vestiu a atriz Alice Roble no tapete vermelho do Oscar com um vestido de juta que parecia uma armadura no corpo—, a Piet, que mostra uma coleção feita em parceria com a Riachuelo, fast fashion que agora tenta ser mais “fashion” do que “fast”, e a Handred, com suas roupas muito executadas cortadas em seda, algodão, velo e epiderme.

Há três estreias. A Argalji, marca mais experimental que exagera nos volumes para galhofar com as silhuetas; a Hisha, com peças artesanais feitas por bordadeiras mineiras; e Karoline Vitto, brasileira que já desfilou em Londres e aporta no Rio com seus modelitos criados para corpos diversos. Fora isso, a Blue Man, grife de tendência praia na ativa desde os anos 1970, põe na passarela Helô Pinho, a musa inspiradora de “Pequena de Ipanema”.

Qual foi o critério para a seleção das marcas? “Literalmente existia um checklist”, diz Olivia Merquior, a curadora de teor da Rio Fashion Week. “O que o desfile agrega para a semana de tendência em termos de informação, de atração de patrocinadores, de público, de novidade que vai ajudar a oxigenar o sistema da tendência. O que ele vai gerar para projetar o evento da melhor forma.”

E onde entra a primazia das roupas neste checklist, questiona a reportagem. Merquior responde que a seleção “envolve sem incerteza a qualidade” e afirma que precisava de marcas com potencial de simbolizar o Brasil no exterior —o libido da grife de exportar os seus produtos também foi critério de incisão.

Isto porque a Rio Fashion Week põe na primeira fileira dos desfiles compradores de duas das mais importantes e visitadas lojas de departamento de vestuário de luxo no mundo, as Galeries Lafayette, em Paris, e a Selfridges, em Londres, além de compradores de lojas focadas em marcas latinas e ibero-americanas —a St. Dom, de Bogotá, e a Proyeto República, da Cidade do México. Em paralelo, terá representantes de agências do governo federalista para educarem os estilistas sobre exportação.

Com a chegada da Rio Fashion Week, o calendário brasílico da tendência muda. Porquê o evento é organizado pela IMM, a mesma empresa que produz a São Paulo Fashion Week, a semana de tendência paulistana, que acontecia duas vezes por ano, agora só vai rolar no segundo semestre —na primeira metade do ano, as marcas desfilam no estado vizinho. Há pelo menos três edições da Rio Fashion Week acertadas com a prefeitura, segundo Gustavo Oliveira, um dos responsáveis pelas duas semanas de tendência na IMM.

Daniela Maia, secretária municipal de turismo do Rio, diz que atrair visitantes é secção da estratégia da semana de tendência. A cidade já sedia grandes eventos e hospeda shows de estrelas pop, ela lembra, acrescentando que faltava a tendência neste pacote.

Maia cita ainda o vestimenta de marcas internacionais terem usado o balneário uma vez que cenário para as suas campanhas publicitárias em anos recentes, caso de Tom Ford, Loro Piana e Jacquemus. “A cidade do Rio está viralizando”, ela diz.

Folha

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