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Rochelle Jordan leva ao Zig Festival pop de pista em
Celebridades Cultura

Rochelle Jordan leva ao Zig Festival pop de pista em SP – 09/10/2026 – Ilustrada

Além de escutar, Rochelle Jordan enxerga música na pista de dança. Em “TTW”, fita de seu último álbum, “Through The Wall”, a cantora britânica transita entre vocais aerados e desenhos melódicos em suspensão: “Há um pouco de privativo no ar, eu consigo sentir em toda secção”, ela canta.

“A pista de dança é uma comunidade: há uma liberdade no clube, a possibilidade de se deixar levar pelo ritmo —é mágico, é uma vez que ver cores no ar”, diz a artista. Querida da dance music moderna, celebrada pela prelo especializada, ela vem ao Brasil pela primeira vez neste sábado, para o Zig Festival, em São Paulo.

Jordan é filha de jamaicanos nascida na Inglaterra e criada em Toronto, no Canadá. Sua presença é uma versão diva e pós-moderna do que o teórico Paul Gilroy cunhou uma vez que “Atlântico Preto” —o diálogo cultural das diásporas forçadas e migrações pelas costas dos continentes africano, europeu e americano.

“Sempre fui muito exposta a muitas culturas, cresci com muitos tipos de música, e isso me fez naturalmente mais experimental”, ela conta. “É um privilégio poder viver entre tantas pessoas e culturas diferentes, e minha música é um testemunho de uma vez que eu criei esse mundo sônico.”

A construção, num mundo rápido pelos feeds, foi de paciência. Seu primeiro álbum, “1021”, é de 2014, mas só com “Play with the Changes”, de sete anos mais tarde, ela ganhou notoriedade. Em faixas uma vez que o drum’n’bass “Love You Good”, o disco assume a posição da artista entre cantiga de pista e vanguarda pop —e alçou a cantora ao mesmo patamar de nomes uma vez que FKA Twigs, Kelela e Tinashe.

“Eu e meu produtor, o KLSH, começamos em 2009 fazendo house, mas nosso som R&B decolou primeiro. Mantivemos essa trajetória até 2020, quando sentimos que era hora de voltar para o início”, ela conta. “Eu estava crescendo na música, e fazer essa ponte de volta para o drum’n’bass despertou um pouco em mim.”

Jordan abriu os olhos para uma linhagem a que pertence. Sua voz tem um veludo onírico, sussurrante, mas articula também um tônus. É uma combinação afeita a grandes cantoras da dance music —nomes uma vez que Robyn S, de “Show Me Love”, e Crystal Waters, de “Gypsy Woman”. Não por contingência Jordan faz um meneamento a esta última e seu “larari larara” na fita “Ladida”, do seu último e aclamado álbum, “Through the Wall”.

“House, techno, esses gêneros são música negra, estavam enraizados no que acontecia no mundo nos anos 1990”, diz ela, colocando-se sob o holofote e fora dos bastidores. “Algumas artistas daquela idade, uma vez que CeCe Peniston, não eram conhecidas, as vozes delas eram somente usadas nas músicas, logo eu fico feliz de voltar para um pouco que nós criamos.”

Fã de artistas uma vez que Aaliyah, Sade e Mariah Carey, Jordan também mira numa dinastia de grandes cantoras do pop. “Tina Turner só se tornou a rockstar que ela foi quando tinha 44 anos. Ela viveu uma história dramática antes disso. Essas artistas não seguiram tendências, elas não ficavam olhando em volta em procura de tendências —elas eram elas mesmas.”

Na sua procura por uma música que a traduza, do garage “Close 2 Me” ao new jack swing à la Janet Jackson “All Along”, Jordan sempre volta para si. O título do seu último disco é uma homenagem ao irmão: quando pequenos, ela ouvia a música que ele escutava através das paredes finas que dividiam seus quartos.

“Eu não sou somente R&B, não sou somente dance, não sou somente pop”, ela conta. “Sou tudo isso e me sinto feliz por isso porque sei que é um pouco com significado para o horizonte da música, mormente para as pessoas negras.”

Há até espaço para ares brasileiros no som de Jordan, que já trabalhou com Kaytranada e Sango — produtores que trazem elementos do Brasil nos seus trabalhos. “Sum”, do último álbum, tem levada de bossa novidade repaginada entre bumbos mais presentes, típicos de pista de dança. Funk também é um pouco no radar da artista. “‘Get It Off’ é uma fita minha que tem elementos de funk com jazz.”

A artista tem dois dias no Brasil. Entre chegadas e partidas, passagem de som e show não sobra muito tempo para saber o país, mas ela não abre mão da pista de dança. “Estou muito a término de curtir a noite com os brasileiros, ouvir o que os DJs têm tocado. O Brasil, as pessoas de legado africana, eles também são meu povo —e sempre há uma conexão nesses lugares.”

Folha

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