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Rock in Rio: Dia do rock não esgota ingressos
Celebridades Cultura

Rock in Rio: Dia do rock não esgota ingressos – 05/09/2026 – Ilustrada

Seja nas redes sociais ou na vida offline, um observação persistente se repete em praticamente todo Rock in Rio —”Não tem mais rock no festival”. Ainda que outros gêneros há décadas façam secção do megaevento carioca, trata-se de uma patranha, já que em toda edição há pelo menos um dia devotado ao rock.

Mas o gênero que batiza o Rock in Rio, e sua vertente mais pesada, o heavy metal, não esgotaram os ingressos desta vez. Nas tardes da última sexta (4) e deste sábado (5), ainda era verosímil comprar ingressos para cada um dos dois primeiros dias da edição de 2026 do festival.

Encabeçado pelo Foo Fighters, o dia inicial deste Rock in Rio contou com shows esvaziados, uma vez que os de Novidade Twins e Hot Milk. Mesmo nas performances de Rise Against e The Hives, atrações do palco Mundo, o maior do festival, as plateias não estavam abarrotadas, e era fácil andejar até a grade.

No dia seguinte, que tem Avenged Sevenfold e Bring Me the Horizon uma vez que atrações principais, a sensação era de que havia mais gente circulando pelo Parque Olímpico. Mesmo sob chuva, e com ingressos ainda à venda, o show do Sepultura atraiu uma plebe animada à tarde.

Para verificação, até o prelúdios da noite de sábado, ainda havia ingressos disponíveis para as datas encabeçadas por Stray Kids —e outras bandas de k-pop, em 11 de setembro— e Twenty Pilots e Zara Larsson, no dia 13. As entradas para ver Calvin Harris e Black Eyed Peas, no domingo (6), Elton John e Gilberto Gil, na segunda (7), e Maroon 5 e Demi Lovato (12), foram todas vendidas com antecedência.

Desde que voltou a sobrevir recorrentemente no Rio de Janeiro, em 2011, não é prática do Rock in Rio ter datas em que não vende todos os ingressos. Isso aconteceu nas últimas edições e, pelo menos no prelúdios desta atual, atingiu o gênero mais atrelado à marca do megaevento.

Além da constatação óbvia, de que o rock tem pouca renovação e perdeu popularidade nos últimos anos, é verosímil tarar as escolhas específicas do Rock in Rio. Até porque há bandas em atividade que lotam estádios múltiplas vezes no Brasil —o Oasis e o System of a Down, mais recentemente, são somente alguns exemplos.

Neste Rock in Rio, a grande maioria do público presente na sexta parecia se interessar somente pelo Foo Fighters. The Hives e Rise Against fizeram shows corretos e dedicados, mas não encontraram fãs para ecoarem em coro suas músicas.

Ambas construíram uma curso no Brasil abrindo para atrações maiores ou sendo atrações menores de outros festivais. Os suecos já abriram para o Arctic Monkeys, em 2014, e para o My Chemical Romance, neste ano, enquanto os americanos tocaram antes do Offspring no ano pretérito e do Prophets of Rage em 2017, entre outras situações.

Em paralelo, há uma tentativa de renovação do famoso “dia do metal”. Neste sábado, em vez de um público mais velho para ver shows uma vez que os de Iron Maiden, Metallica ou outros dinossauros do gênero, o Parque Olímpico estava recheado de jovens fãs do Bring me the Horizon e do Avenged Sevenfold.

Neste ano, o Rock in Rio apostou num rock pesado rejuvenescido e menos ortodoxo, com sonoridades metalcore, hardcore e até emo. É um caminho que pode funcionar para o festival não depender dos mesmos medalhões.

Ainda assim, há outras questões que podem explicar os ingressos não terem esgotado. Uma delas é uma reclamação jacente relativa ao Rock in Rio uma vez que um todo —a repetição.

O Avenged Sevenfold esgotou os ingressos do seu dia no Rock in Rio de 2024, ainda que seu show não tenha ficado totalmente lotado. A orquestra agora volta ao festival dois anos depois, de novo na quesito de headliner, sendo que fez duas apresentações no Brasil há menos de oito meses —incluindo uma no Nubank Parque, em São Paulo.

Por mais que tenha muitos fãs no país, o Avenged Sevenfold não parece ter toda essa demanda de megashows em tão pouco tempo.

O Bring Me the Horizon é um caso ainda mais específico, já que o vocalista Oliver Sykes é casado com uma brasileira e mora em Taubaté, no interno paulista. A orquestra britânica não lota estádios em seu país, e nem em outro, mas fechou o Nubank Parque em 2024, em São Paulo, no maior show de sua curso.

A outra atração do palco Mundo neste sábado, Mgk, ou Machine Gun Kelly, sequer toca rock pesado. Está mais para um nome pop, que foi do rap ao pop punk melancólico. De volta ao Brasil pela terceira vez em quatro anos, ele cantou para uma plateia dispersa no prelúdios da noite.

Pescar e convencer artistas que são queridos, mas vêm pouco ao país, pode ser uma saída para o Rock in Rio manter o rock uma vez que um de seus maiores chamarizes. É uma habilidade que o megafestival já teve, mas parece ter perdido.

Folha

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