Bienal do Livro: Fãs de Lynn Painter causam aglomeração – 05/09/2026 – Ilustrada
A chuva intensa ao longo deste sábado (5) não afastou os fãs da autora americana Lynn Painter, que se aglomeraram sentados no pavimento dos corredores da Bienal do Livro de São Paulo à espera da palestra da autora. A plebe formou uma fileira que dificultou o chegada à Estádio Cultural, espaço onde ocorre a programação principal do evento, durante boa segmento da tarde. Os ingressos para o dia de hoje estavam esgotados.
Autora best-seller de comédias românticas, Lynn já é uma velha conhecida do público jovem brasílico. Ela tem participado de todas as bienais do Rio de Janeiro e de São Paulo desde 2023. Mesmo assim, o público começou a se organizar na região do palco por volta das 13h, mais de três horas antes do horário previsto para a entrevista, às 16h30.
Entre adolescentes, mães, pais e avós, muitos também buscavam um lugar junto à grade que cercava o espaço. Segundo a organização, a mesa estava mais lotada do que a do dia anterior, do responsável Raphael Montes, e a plebe impressionou pela dimensão. O volume do público foi tanto que a organização optou por liberar, a conta-gotas, a ingressão dos jovens no espaço.
O aquecimento de pré-evento teve recta a tudo, desde as famosas ondas vistas em estádios, quando torcedores levantam e abaixam os braços para gerar um efeito visual de vaga, até batidas de leques e gritos de “Lynn, cadê você? Eu vim cá só para te ver”.
Com dez minutos de detido, a autora entrou no palco com uma calorosa recepção de berros e celulares levantados. Para a surpresa do público, diferentemente do geral para autores internacionais, a primeira frase que ela disse foi em português.
“Tenho praticado meu português todos os dias, mas não sou muito bom”, disse, com alguns erros de concordância. “Obrigada por sempre me fazerem sentir que sou bem-vinda! Há cinco anos, não sabia zero sobre o Brasil, mas agora o Brasil está no meu coração por culpa de amigos uma vez que vocês. Logo, muito, muito obrigada. Isso é tudo que eu sei.” Em resposta, o público devolveu um: “Lynn, eu te senhoril”.
A autora conversou com o público brasílico sobre os personagens de suas histórias (publicadas no Brasil pela Intrínseca), seu método criativo de escrita e a adaptação cinematográfica pela Netflix de um de seus livros, “Melhor do que nos Filmes”. De presente, a autora recebeu da mediadora Mari Araujo um RG, em tom de graçola, devido às constantes visitas da autora ao Brasil.
Para além do tumulto na região da Estádio Cultural, a mesa de Lynn também causou desconforto com o público da mesa anterior, intitulada “Carolina Maria de Jesus: memória, legado e cinema”. Isso porque fãs da americana gritavam o seu nome e berravam para gravações do evento, o que dificultou a escuta daqueles interessados em ouvir detalhes antecipados da cinebiografia da escritora Carolina Maria de Jesus.
Do lado de fora do evento, a chuva atrapalhou quem quis voltar para moradia depois a hora do almoço. A fileira do transfer solene do evento, que faz gratuitamente o trajeto de ida e volta entre a estação de metrô Portuguesa-Tietê e o Região Anhembi, fazia voltas, já que os ônibus estavam demorando muro de uma hora devido ao trânsito. No término da fileira, membros da organização gritavam que o transfer tinha sido pausado momentaneamente, mas a informação não chegou para quem estava no primórdio da fileira.
Do lado de dentro, os corredores da Bienal estavam visivelmente mais espaçosos que na edição de 2024, mas isso não foi suficiente para evitar o fluxo intenso de pessoas. Quem circulava pelo espaço precisava desviar de filas longas para pagamento e de gente sentada no pavimento, às vezes nos cantos, às vezes muito no meio do caminho. Ao longo do dia, embalagens de lanche, canudos e outros tipos de lixo foram se acumulando pelo pavimento do evento.
O primeiro sábado de Bienal terminou com mais romance. No palco principal, os fãs receberam, entre batidas de leques, a escritora e ilustradora Alice Oseman, criadora de “Heartstopper”. Criada em 2016, a história em quadrinhos, publicada no Brasil pela editora Seguinte, tem hoje mais de 10 milhões de cópias vendidas em 39 países e já foi adaptada para as telas pela Netflix.
Sucesso entre a comunidade LGBTQIA+, a história desenvolve a invenção do primeiro paixão entre dois garotos, Nick e Charlie, além de trabalhar temas uma vez que maduração, descobertas sobre sexualidade, saúde mental, amizade e superação de traumas. O cintilação nos olhos da história é uma representação considerada ligeiro e positiva por fãs da obra e por membros da comunidade, um tanto historicamente vasqueiro no mercado literário.
Durante a conversa com o público, a autora respondeu perguntas sobre os personagens e vivências LGBTs. O público acompanhou atentamente cada resposta e respondia com gritos de concordância.
“Eu acho muito importante encontrar pessoas à sua volta que lhe entendam e, nem sempre, os adultos ou a sociedade vão fornecer esse esteio. Amizade é muito importante nesse processo. Na juventude, talvez você não encontre aquela paixão, mas vai encontrar aquele colega. Isso é muito poderoso.”





