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Ronnie Wood diz que só quer fazer as pessoas felizes
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Ronnie Wood diz que só quer fazer as pessoas felizes – 31/10/2026 – Ilustrada

De tênis coloridos, camisa cor de jerimu e cabelo desgrenhado, Ronnie Wood parece mesmo um garoto —sobrenome que ganhou quando entrou no já fundado Rolling Stones, em 1975. Quem ousaria dizer-lhe o contrário? “Me sinto energizado e zero cansado, estou sempre pronto para a sarau”, diz o guitarrista, durante uma pausa no tentativa com a filarmónica em um estúdio na Vila Madalena, zona oeste de São Paulo.

Ronnie, o garoto de 79 anos, está na capital para apresentação de sua turnê solo. O show celebra o álbum “Fearless”, compilado lançado em 2025 com canções que costuram mais de seis décadas de curso do artista porquê segmento dos Stones, além de seus anos porquê integrante do grupo The Faces, projetos solo, parcerias com Jeff Beck e Rod Stewart e mais quatro faixas inéditas.

“As músicas que tocamos no show são novas para alguns públicos. Podem ser velhas para nós”, diz Wood. A coletânea e a apresentação contam com clássicos porquê “Miss You” e “Hey Negrita”, fita que mostra porquê a guitarra de Wood sempre teve suingue e protagonismo.

“Com os Stones, a gente já tocou para umas quatro gerações, e hoje só quero fazer as pessoas felizes, ainda mais nesse mundo em que vivemos. A minha sarau é no palco”, diz. “Estou sóbrio há 16 anos, sem fumar há 11. Não sinto falta do tempo das drogas. Me sinto grato por estar vivo, me sinto melhor agora.”

Nos últimos dez anos, Wood enfrentou duas vezes o cancro, mas nem a doença o tirou da estrada —a segunda vez coincidiu com a pandemia, e só assim para o artista permanecer em morada. “Não estamos fazendo shows com os Stones, nem estamos pensando em trespassar em turnê”, diz. “Logo pensei: quero manter a forma, manter os dedos e a voz funcionando, logo essa era a oportunidade ideal para juntar a minha filarmónica ideal.”

Fazendo jus à sua guitarra de sustentação —Wood foi baixista ao lado de Rod Stewart nos anos 1960—, o artista montou seu grupo. Reuniu os parceiros do início de curso Andy Newmark, ex-baterista do Sly and the Family Stone, e Willie Weeks, baixista que tocou por anos com Aretha Franklin.

No palco, Wood também conta com a participação de Imelda May. A cantora irlandesa conheceu o Stone quando tinha 16 anos. “Eu era apaixonada por música e já frequentava alguns clubes e casas de show de Dublin —entrava nos bares escondida”, conta ela. “Numa dessas ocasiões, o Ronnie estava hospedado em um hotel por perto e veio fazer uma jam session, tocamos algumas músicas juntos. Eu fiquei emocionada.”

O reencontro só veio a ocorrer décadas depois, quando May já havia trilhado uma curso que a levara a tocar ao lado do macróbio parceiro músico de Wood, Jeff Beck —que fez as apresentações oficiais entre ela e Wood. “Ele saiu correndo pela sala dizendo para todo mundo: ‘Você é a pequena daquele clube de blues! Eu descobri você quando você só tinha 16 anos!’ E, desde logo, somos grandes amigos.”

A amizade vingou graças à melomania compartilhada pelos dois, uma paixão que mantém a dupla incansável na labuta. “A gente já sabe o que vai tocar, mas gostamos de mexer nos detalhes”, conta May. “Eu falo para Ronnie que poderíamos fazer essa turnê sem ensaiar, mas não fazemos esses ensaios pelos outros —fazemos por nós mesmos, porque sempre tem coisinhas cá e ali que vão funcionar melhor para nós.”

Por isso, os ensaios têm faceta de show. Deslizes e vacilos não entram na conta, detalhes só ficam evidentes para iniciados. “É preciso se manter ativo, ensaiando”, conta Wood. “A gente só ajusta alguns elementos, mas é um tanto que faz muita diferença quando tudo se junta.”

Há também na filarmónica uma procura pelo novo, já que quatro das faixas do disco são inéditas. Uma delas, “Take It Easy”, é um dos grandes sucessos do rocksteady, gênero predecessor do reggae. “A música jamaicana é muito importante para o ritmo, e conheci gente porquê Jimmy Cliff e Bob Marley, aprendi um pouco com eles ao longo dos anos —Keith e eu fomos muito inspirados pelos músicos jamaicanos”, afirma Wood.

Vindo de um álbum recém-lançado dos Stones, “Foreign Tongues”, o guitarrista não descarta novidades para 2027. “Rod [Stewart] e eu temos músicas que estão em banho-maria há anos, e estamos começando a ajustá-las, estamos trabalhando nas faixas que têm mais potencial”, diz Wood. “Ele acabou de anunciar que vai fazer a última turnê, mas tenho certeza de que vamos trabalhar nessas músicas no ano que vem.”

Ao contrário do companheiro, Wood não parece estar disposto a desistir os palcos. Enquanto seus dedos puderem se manter vivos na “arte da tecelagem” —termo que Keith Richards cunhou para definir a seção de guitarras dos Stones—, Wood estará costurando clássicos.

“Minha música tem influência do blues, do reggae, do soul e até de música clássica”, ele afirma. “Chuck Berry dizia que a gente não faz zero que Mozart já não tenha feito.”

Folha

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