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São Paulo é a 2ª cidade que mais ouve Taylor
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São Paulo é a 2ª cidade que mais ouve Taylor Swift – 03/07/2026 – Ilustrada

Era uma tarde qualquer de setembro do ano pretérito quando os telões do vão subterrâneo da estação da Sé, a mais movimentada do metrô de São Paulo, exibiam algumas palavras em inglês.

Para a maioria dos passageiros, eram termos que não significavam zero. No entanto, para os swifties —uma vez que os fãs de Taylor Swift se batizaram—, aquilo era um prêmio.

A capital paulista tinha sido escolhida uma vez que uma das cinco cidades onde seriam revelados trechos das letras de seu próximo álbum, “The Life of a Showgirl”, que seria lançado dias depois.

Assim, fãs do mundo todo precisaram voltar os olhos à Sé, em pé de paridade com pontos centrais de Novidade York, Londres, Toronto e Cidade do México, para tirar uma palhinha das próximas músicas da maior popstar da atualidade.

Mas a escolha de Swift, que volta à baila nesta sexta-feira (3/7), quando se especula que acontecerá seu casório, não foi por contingência: no Spotify, a principal plataforma de streaming de música do mundo, São Paulo é a segunda cidade que mais escuta suas músicas.

A estimativa foi feita pela BBC News Brasil a partir do ChartMetric, plataforma que compila dados de audiência do streaming para a indústria músico, levando em conta o mês de junho.

A capital paulista apareceu uma vez que segunda colocada em 26 dos 30 dias do mês, detrás exclusivamente de Londres, com uma média de 1,1 milhão de reproduções diárias das músicas da cantora.

Apesar de possuir variações diárias, a mesma posição foi observada com frequência na audiência de outras plataformas mantidas por Swift.

No Instagram —que registra países, em vez de cidades—, o Brasil aparecia nesta sexta-feira uma vez que o segundo país em que a cantora mais tem seguidores, detrás dos Estados Unidos; no TikTok, o país estava na terceira colocação, mas já figurou na segunda em diversas ocasiões.

O sucesso de Swift no Brasil, segundo especialistas ouvidos pela BBC News Brasil, pode ser explicado por uma série de fatores, entre eles a relação estética das músicas da cantora, principalmente as de seus primeiros álbuns, com o sertanejo, um dos gêneros musicais mais populares do país, e à forma intensa com que os brasileiros usam as redes sociais, um pouco crucial para uma popstar uma vez que ela, que transformou a própria vida em sua obra.

Uma ajudinha de Paula Fernandes

O ano era 2011. Taylor Swift já tinha lançado três álbuns de estúdio, o primeiro dele cinco anos antes, e já era uma das popstars mais proeminentes dos Estados Unidos, ao lado de nomes uma vez que Lady Gaga e Katy Perry.

No Brasil, porém, seu público se restringia a crianças e adolescentes que acompanhavam levante mercado, muito promovido em revistas uma vez que a Obstinação, publicação da editora Abril onipresente nos recreios dos colégios à estação, e em canais da TV a cabo uma vez que o extinto Disney Channel.

Os executivos por trás de Swift viam o potencial do mercado brasílio, mas sabiam que levante era um dos territórios mais difíceis para um artista estrangeiro fazer sucesso.

Prova disso é que, até hoje, o Brasil é o país que mais escuta a própria música, com 75% do consumo no streaming voltado a artistas nacionais, segundo a Luminate, empresa especializada em dados da indústria do entretenimento nos quais as paradas da revista Billboard se baseiam.

Foi logo que, com ajuda dos diretores da gravadora Universal Music, a equipe de Swift decidiu recorrer à velha e boa tática de unir um talento estrangeiro a um brasílio.

A escolhida foi Paula Fernandes. A mineira, logo com 26 anos, era uma das cantoras mais populares do país. Em uma estação em que o Spotify ainda era incógnito pela maior secção das pessoas, seu álbum de estreia tinha sido o mais vendido do Brasil naquele ano, com zero menos do que 1,6 milhão de CDs e DVDs comercializados.

Swift convidou Fernandes a verter para o português seu principal single da estação, “Long Live”, do álbum “Speak Now”. A intervalo, gravaram um clipe para a música e, no ano seguinte, encontraram-se no Rio de Janeiro para apresentar o trabalho em um show restrito a convidados e dar entrevistas juntas.

Swift e Fernandes eram parecidas. Vinham de uma geração no interno de seus respectivos países e, até onde a barreira do linguagem permitia, compartilhavam raízes culturais, lembra Fernandes, em entrevista à BBC.

“A gente brincava que eu era a versão morena dela, porque no início da curso ela usava muito o cabelo cacheadinho. Somos compositoras, tocamos violão, temos essa pegada folk e country”, lembra a cantora.

“Hoje ela está muito mais pop, mas, originalmente, ela era uma compositora da música sertaneja americana, e isso conectava muito o som da Paula Fernandes com o da Taylor Swift.”

Swift fez uma dobradinha e aproveitou a viagem para promover o álbum que lançaria em seguida, “Red”.

As entrevistas que concedeu na ocasião —uma vez que aquela em que ganha um Louro José de presente de um repórter do programa Mais Você— hoje são compartilhadas nas redes sociais uma vez que piada.

Mas na estação essas aparições foram essenciais para que a cantora rompesse a bolha e passasse a ser vista em emissoras uma vez que Orbe e SBT, que alcançavam todos os estratos sociais sem as quais era quase impossível fazer sucesso no Brasil.

Deu visível. A versão de “Long Live” em que Swift dividia os vocais com Fernandes, cada uma cantando em sua própria língua, tornou-se a 13ª música mais tocada nas rádios brasileiras em 2012, segundo a Crowley, empresa que acompanha a audiência das emissoras.

Era um feito significativo: entre artistas estrangeiros, somente Adele, com o hit “Someone Like You”, apareceu em posição superior. Isso porque a cantiga tocava sem parar na Orbe, uma vez que secção da trilha sonora da romance “Fina Estampa.

Até hoje, em mais de 20 anos de curso, o dueto com Fernandes permanece uma vez que o único que Swift fez com um cantor de língua não inglesa e também o único autorizado por ela a ser cantado em outro linguagem, evidência do marco que foi em sua curso.

O motivo de a parceria de Taylor Swift com Paula Fernandes ter funcionado, no entanto, não se restringiu à semelhança física da dupla. Havia por trás dela um elemento principal: o sertanejo.

Embora o álbum que Swift promovia à estação já apontasse para o caminho do pop, ela ainda era associada ao country americano, a base sonora de seus discos anteriores.

Ainda que existam diferenças entre os dois gêneros, eles também têm semelhanças notáveis, desde a sonoridade, com uso de instrumentos acústicos uma vez que o violão, até o visagismo, com cantores que vestem chapéus, botas, fivelas e adereços ligados à vida no campo.

O country, vindo de estados uma vez que o mesmo Tennessee onde Swift cresceu, foi o que abasteceu nomes centrais do sertanejo, uma vez que Chitãozinho & Xororó. A dupla foi até os Estados Unidos buscar inspiração para modernizar o gênero, antes associado à vida no campo, e fazer dele um espelho mais real do Brasil no momento em que o país trocava as áreas rurais pelas grandes cidades.

Foi do country, ainda, que outras duplas incontornáveis da estação, uma vez que Zezé Di Camargo & Luciano, trouxeram os instrumentos elétricos, uma vez que a guitarra que sublinha “É o Paixão” ou o piano que dá o tom de “Você Vai Ver”, dois dos primeiros sucessos dos irmãos goianos.

A música de Swift —ao menos a de seus primeiros álbuns, quando ela se lançou no Brasil— é mais ou menos assim, uma mistura da tradição do country com elementos sonoros e estéticos mais contemporâneos, na avaliação dos especialistas ouvidos pela reportagem.

Guardadas as devidas proporções, a Taylor Swift do velho testamento é o sertanejo que a cidade de São Paulo tolera proferir que aceita, afirma o pesquisador Gustavo Alonso, responsável do livro “Cowboys do Asfalto”, sobre a música sertaneja e a modernização brasileira.

Embora o sertanejo tenha matriz paulista, a capital do estado até hoje reprova o gênero, diz ele, amparando-se em pesquisas que fez para seu livro e também para a poste que escreve na Folha de S.Paulo sobre o objecto.

O próprio montão do jornal, ele observa em um de seus ensaios, é prova disso, com críticas sobre uma vez que o “caipirismo” estava “contaminando” as grandes metrópoles por meio da música.

“O sertanejo começou a lucrar sua especificidade a partir dos anos 1950 —com a disputa entre os caipiras, que defendiam a viola e as letras sobre a vida no campo— e aquela que era uma incorporação do bolero —vista uma vez que melodramática demais, sobre se gostar demais, lamentar demais, características inclusive usadas para brigar o sertanejo”, diz Alonso.

Nascente, aliás, é outro paralelo entre levante gênero, até hoje um dos mais populares do Brasil, e a música de Swift. Não por contingência, as músicas da popstar são vistas por detratores, tão vocais quanto seus fãs, uma vez que exageradas.

Há ainda um paralelo provável com o sertanejo cantado por mulheres, que depois ficou espargido uma vez que feminejo. Alonso conta que, quando Swift se lançou no Brasil, o termo ainda não existia, tanto que Paula Fernandes, naquela estação, não era enquadrada neste subgênero.

Poucos anos depois, porém, surgiram nomes uma vez que Marília Mendonça, Maiara & Maraísa e Simone & Simária, que, respeitadas as distinções idiomáticas e culturais, cantavam dramas confessionais parecidos com os de Swift: os términos e desilusões, as traições e a vulnerabilidade emocional que gera, ao mesmo tempo, dor e empoderamento.

Em outras palavras, é uma vez que se Swift, ao trovar com Fernandes seu country americano, estivesse adentrando um território que tinha tudo para aceitá-la. No limite, dizem os especialistas com quem a reportagem conversou, até a tradição das telenovelas, que tem o melodrama uma vez que sua espinha dorsal, preparou o público para que a semente que Swift plantou no Brasil vingasse.

Esteio dos fãs mais engajados do mundo: os brasileiros

Outro fator que faz do Brasil —e consequentemente de sua maior cidade, São Paulo— um território fértil para Taylor Swift é o engajamento supra da média dos fãs brasileiros, diz Lucas Müller, pai da dependência Uma vez que to Brasil, que ajuda artistas e marcas estrangeiras a se conectarem ao público lugar.

O profissional em relações públicas se apoia em uma série de pesquisas que mostram que o Brasil faz um uso excepcionalmente elevado da internet.

A mais recente, divulgada em abril, aponta que os brasileiros passam em média 52 anos, 8 meses e 16 dias de sua vida on-line, considerando uma expectativa de vida de 76 anos, a mesma do IBGE, o Instituto Brasílico de Geografia e Estatística.

Em outras palavras, é uma vez que se os brasileiros passassem 68% de todo seu tempo de vida conectados à internet. A estimativa foi feita pela NordVPN, um aplicativo de privacidade e segurança do dedo, que coletou informações de 20 milénio usuários de 20 países.

O Brasil está no topo desse ranking, superando o Reino Unificado, na oitava posição, e os Estados Unidos, na décima quinta, para referir o exemplo de dois países que também estão no topo dos mercados mais importantes para a indústria músico.

Dessa forma, não é excesso declarar, diz Müller, que o fã brasílio é muito mais hipotecado do que seus pares em outros países.

Prova disso foram os shows que Swift fez em São Paulo e no Rio de Janeiro em 2023: em alguns momentos, era difícil ouvir sua voz, de tão elevado que o público cantava.

Alguma coisa semelhante ocorreu no megashow gratuito de Lady Gaga na praia de Copacabana, no ano pretérito, quando a Orbe enfrentou dificuldades para separar, na transmissão ao vivo, a voz da cantora da do público.

Uma vez que os shows são eventos raros, porém, esse engajamento se manifesta, na maior secção do tempo, em uma série de atividades organizadas pelas comunidades de fãs nas redes sociais.

Elas vão desde mutirões para votar em seus ídolos em premiações ou reproduzir uma música sem parar a término de impulsioná-la nas paradas até campanhas beneficentes em obséquio de instituições de humanitarismo.

São fãs que não medem esforços para passar horas ouvindo as músicas de Swift, não exclusivamente pelo prazer de escutá-las, mas também pelo orgulho de vê-la subir nos chamados charts, as paradas de sucesso.

“O brasílio é coletivo. A gente gosta de viver emoções juntos, seja a Despensa do Mundo, o Carnaval ou um reality show. Tudo no Brasil a gente transforma em um evento coletivo, e o entretenimento segue a mesma lógica”, explica Müller.

O executivo se especializou na gestão dessas comunidades virtuais, acumulando trabalhos com as protagonistas da peça “Wicked”, uma das mais populares da história do teatro músico no Brasil, e com o grupo Now United, formado por jovens artistas de uma série de países sob a batuta de Simon Fuller, o mesmo nome por trás das Spice Girls.

Any Gabrielly, a representante do Brasil, que deixou a margem para lançar sua curso solo, não por contingência foi uma das mais bem-sucedidas entre os 14 integrantes originais.

Müller explica que, no caso de Swift, esse comportamento é saliente a uma potência muito mais subida porque a principal obra da cantora é sua própria vida. Finalmente, são seus relacionamentos, seus afetos e desafetos, que abastecem suas composições e, por consequência, movimentam os fãs nas redes.

“Os fãs da Taylor sentem que pertencem à vida dela e à obra dela. Os swifties são uma vez que detetives. Interpretam o que está sendo dito nas entrelinhas das letras, as conexões entre os álbuns, as referências literárias que ela já fez, qual figurino ela vai usar. Existe um prazer coletivo dos fãs de desvendar tudo isso juntos”, ele explica.

Essa conversa, acrescenta, acontece em uma linguagem lugar, repleta de piadas e memes. Com o casório da cantora —que deve intercorrer no Madison Square Garden, em Novidade York, nas próximas horas—, não está sendo dissemelhante.

A cerimônia vem sendo mantida em sigilo, e ainda não se sabe se os fãs terão entrada sequer a uma foto de Swift. Se ela surgir, porém, dificilmente haverá um pormenor —do vestido às joias— que não seja tratado uma vez que um provável easter egg, uma espécie de referência escondida às diferentes eras de sua curso.

Ao fundo desse trabalho de detetive, estarão suas músicas, embalando a conversa coletiva nas redes sociais que ajuda a explicar por que São Paulo segue entre as cidades que mais a ouvem no mundo.

Folha

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