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Séries abraçam o OnlyFans e se inspiram no mundo pornô
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Séries abraçam o OnlyFans e se inspiram no mundo pornô – 30/06/2026 – Ilustrada

Do drama à comédia, do volta universitário até o mercado financeiro, as séries de televisão americanas têm mostrado interesse crescente pela plataforma OnlyFans. Com maior ou menor destaque, os enredos envolvendo o site em que criadores de teor vendem filmes e fotos, em boa secção eróticos, capturam uma mudança na forma de produzir e consumir pornografia na última dezena.

Os criadores de “Industry”, coprodução da HBO e BBC, introduziram a plataforma fictícia Siren porquê concorrente do OnlyFans na terceira temporada e aumentaram o seu destaque no ciclo seguinte. No final da sitcom do Disney+ “Abbott Elementary”, professoras com o ofício em risco cogitam entrar no MostlyFans, uma paródia também fictícia.

Na segunda temporada de “Treta”, da Netflix, o personagem de Oscar Isaac não transa com a mulher, vivida por Carey Mulligan, mas usa a plataforma para se masturbar no termo do dia. Os criadores de teor adulto do site viraram até protagonistas, em séries porquê “Margô Está em Apuros” e “Prazer Supremo Reservado”, ambas do Apple TV, e na temporada derradeira de “Euphoria”, da HBO.

“Essas séries tentam refletir um tanto que se tornou normal na cultura e na nossa economia, que muda depressa. Quais histórias interessantes podem resultar desse tipo de relação de trabalho?”, questiona a sátira cultural britânica Sophie Gilbert.

Autora de “Pequena Sobre Pequena”, livro traduzido no Brasil nascente ano pela Todavia, ela conta que se surpreendeu com a influência da pornografia no imaginário feminino dos anos 2000, principalmente na televisão. Na obra, a jornalista refaz o seu caminho pelo “mainstream”.

Se a dezena de 1970 levou a liberação sexual às manchetes, a epidemia de Aids criou novos estigmas relacionados ao sexo. Na sua leitura, o que veio a seguir foi um revérbero dessa repressão, e as décadas seguintes levaram a uma hipersexualização da cultura pop.

No contexto atual, a saturação de histórias envolvendo o OnlyFans vem na esteira das mudanças de comportamento posteriormente a pandemia de Covid-19. “Os roteiristas querem mostrar porquê as nossas dinâmicas românticas e sociais, a forma porquê interagimos ou buscamos intimidade na internet, foram totalmente alteradas nos últimos cinco anos”, afirma Gilbert.

Desde 2016, a plataforma britânica soma 4 milhões de produtores de teor e 300 milhões de usuários, sendo metade deles nos Estados Unidos. “Porquê sociedade, não sabemos porquê isso nos transformou ou quais são os seus riscos. Os bons contadores de história buscam enredos em que conseguem indagar o que as mudanças tecnológicas estão fazendo conosco.”

Na ficção, há erros e acertos na representação do site. Em “Euphoria”, por exemplo, Cassie, vivida por Sydney Sweeney, veste uma fantasia de bebê para aprazer aos seguidores. Esse tipo de teor, porém, seria removido da plataforma por associação à imagem de menores de idade.

Já em “Margô Está em Apuros”, a estratégia da protagonista de Elle Fanning está correta. Na trama, ela se associa a influenciadoras mais experientes para aumentar a base de seguidores e, por consequência, os valores recebidos por cada publicação.

Em entrevista ao Financial Times, a CEO do OnlyFans, Keily Blair, disse que as “gorjetas”, valores por conteúdos exclusivos, são maiores do que as assinaturas mensais. Por ali, 20% fica com a empresa e o restante vai para o instituidor –até 2024, foram repassados US$ 20 bilhões ou R$ 104 bilhões.

Diferentemente de outras redes sociais, o aplicativo não está disponível nas lojas da Apple ou do Android, não tem anúncios e a barra de pesquisa funciona unicamente para encontrar nomes de usuários. Logo, é pouco provável que novatas recebam cifras altas de subitâneo.

Nas duas séries, o círculo das personagens conecta o site à promessa de numerário fácil, o que passa longe da veras. Estima-se que 75% dos criadores façam menos de US$ 300 —murado de R$ 1.500— por mês. Para a atriz pornô brasileira Lady Milf, as séries chegaram atrasadas. “Eles pegaram a vaga quando ela estava se quebrando, e não se criando.”

“A teoria de que o OnlyFans traz numerário rápido não ajuda a mostrar porquê o trabalho realmente é. Porquê já tem tanta gente no mercado, a formosura não é o mais importante; dificilmente você vai se sobresair só por ser loira, branca e formosa”, afirma a criadora de teor adulto.

Há três anos, ela passou a oferecer cursos para mulheres que querem debutar a produzir fotos e vídeos eróticos na internet. “Você precisa levar a profissão porquê uma empresa”, diz ela, que também mantém perfis em sites similares, caso do Privacy e do FanFever.

“Você precisa de tenacidade nas publicações, equipamentos de gravação e fazer networking. Quando você começa sozinha, sem saber zero, só com o celular e a urgência de remunerar as contas, vem junto o desespero, e às vezes acaba caindo em circunstâncias das quais você se arrepende depois.”

O perfil de mulheres que buscam a sua ajuda varia, mas as jovens são as mais frequentes. “Elas mal saíram do ensino médio, vão fazer cadastro no site para vender foto do pé e acham que vão prometer a aposentadoria aos 20 anos.”

Na mentoria, Lady Milf aconselha a não se expor completamente, pois é verosímil fazer numerário unicamente sensualizando, caso a mulher mude de teoria no porvir. “Tem público para tudo na pornografia, a gente fala que tem um chinelo para cada pé descalço. A rapariga não precisa se enquadrar no que ela não quer fazer.”

Produzir teor adulto dentro de vivenda torna-se uma possibilidade de renda para as mães, porquê a personagem de Elle Fanning. Na história baseada no livro de Rufi Thorpe, ela vai parar no tribunal para lutar pela guarda do fruto posteriormente ser enquadrada porquê trabalhadora sexual.

A situação é recorrente neste meio, porquê aponta Lady Milf. “Gerar teor vira uma oportunidade de cevar a menino sem transpor de vivenda. Sofri retaliações, ameaçaram tirar o meu fruto, tenho uma advogada comigo. O que eu faço é uma profissão, estou dentro da validade, não preciso ter pânico, mesmo que isso não esteja dentro da moralidade da sociedade.”

Depois de presenciar a essas duas séries, o veredito dela foi que “Euphoria” transparece unicamente os fetiches do diretor, Sam Levinson, enquanto “Margô Está em Apuros” tenta apresentar os perrengues da vida de uma mãe solteira. No entanto, para Lady Milf, a ficção ainda peca ao abordar as complexidades das trabalhadoras sexuais.

“A gente acaba sendo retratada porquê a coitada, a pessoa que está desesperada e precisa de ajuda. Muitas vêm dessa premissa, mas outras encontraram satisfação. Não precisamos trabalhar com isso para o resto da vida, podemos usar isso porquê ponto de partida para investir em nós mesmas, na ensino dos nossos filhos e mudar a veras da nossa família.”

Folha

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