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Show de Slayyyter em São Paulo tem aperto e calor
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Show de Slayyyter em São Paulo tem aperto e calor – 11/10/2026 – Ilustrada

A cantora Slayyyter fez os fãs suarem antes mesmo de subir ao palco na madrugada deste domingo (11). Quando apareceu, perto das 3h, a pista da Audio, na Barra Fundíbulo, estava abarrotada havia horas, e os já tradicionais leques do público, que estalavam por todo lado, pouco faziam contra o calor.

A artista americana era a atração principal do Zig Festival, que também teve shows de Rochelle Jordan e Inji. Se os nomes são pouco conhecidos pelo público universal, foram ouro para os clubbers: os ingressos do último lote do evento chegaram a custar muro de R$ 500 com taxas e esgotaram.

Esta foi a segunda passagem de Slayyyter por São Paulo —a primeira foi um show no Cine Joia em 2022. A noite encerrou sua brevíssima temporada no país, um dia em seguida a apresentação na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro, também pelo Zig Festival.

Em São Paulo, a morada que recebeu o evento até tinha espaço. Havia duas pistas grandes, uma menor e uma dimensão ao ar livre à disposição do público. Mas, na exiguidade de outro nome de peso no mesmo horário da atração principal, quase todo mundo se espremeu no salão onde Slayyyter se apresentaria.

O resultado foi caótico. Secção dos fãs teve que ver o show nos banheiros dos fundos do salão, no que lembrou os tais setores mais baratos de “visão parcial” em grandes shows. Só que, nesse caso, as pessoas pagaram o valor pleno. Alguns, inclusive, nem conseguiram entrar no salão, e as poucas saídas travaram a circulação. Nas redes sociais, houve uma enxurrada de reclamações, com usuários tratando o show uma vez que uma “prova de sobrevivência”.

A disputa por um lugar na pista tem a ver com o momento da cantora: aos 30 anos, Slayyyter vive a temporada de maior visibilidade da curso desde que lançou, em março, “Wor$t Girl in America”, seu terceiro disco de estúdio.

Ela já disse em entrevistas que o gravou uma vez que se fosse o último, quando pensava em largar a música e perdia moeda em turnês. O álbum estreou em 22º lugar na Billboard 200, a melhor posição que ela já alcançou. Em abril, um show à tarde no Coachella reuniu uma povo incomum para o horário, e os vídeos circularam no que foi descrito uma vez que o “proclamação de uma novidade estrela pop” pelo New York Times.

A viradela veio em seguida anos uma vez que artista de nicho. Slayyyter despontou no hyperpop mais debochado, com faixas uma vez que “Daddy AF”, que anos depois acabaria numa cena de “Anora”, vencedor do Oscar de melhor filme do ano pretérito. Abriu shows de Charli XCX em 2019 e trocou de pele a cada disco, sem nunca emplacar um hit.

O som do álbum novo, seu maior sucesso, é mais cimalha e mais sujo, numa mistura de electroclash e rap industrial com distorções. Ela labareda o resultado de “música de iPod”, referência ao mix sem jerarquia de Lady Gaga, Madonna, M.I.A. e Lil Wayne que ela ouvia em morada no termo dos anos 2000.

Em São Paulo, o “Wor$t Girl in America”, uma vez que esperado, dominou a setlist. Ela tocou quase o álbum inteiro, adicionando três faixas de “Wor$t Man in America”, disco irmão previsto para 4 de dezembro, cujas faixas reescrevem as do anterior.

Durante o show, Slayyyter falou pouco e cumpriu o roteiro sem muitos desvios. Mencionou de passagem a vinda de 2022 e soltou o clássico “eu te senhor” em português para os fãs brasileiros. A estrutura era enxuta: filarmónica, um telão com trechos de clipes ao fundo e luzes típicas de boate. O som pareceu mais reles que o esperado, o que pesa para um disco cuja força está justamente no excesso.

Quem segurou a noite foi a plateia. Mesmo no aperto e no calor, o público pulou, gritou e cantou cada música, das mais barulhentas, uma vez que “Crank”, às mais melódicas, uma vez que “Unknown Loverz” e “Gas Station”, em que ela canta sobre ter sido deixada pelo pai num posto de gasolina.

O lugar também ajudou. No escuro e com o público espremido, o salão tinha o clima de “inferninho paulistano” que combina com uma música que parece ser feita mais para a pista que para a estádio. É o mesmo tipo de espaço em que Charli XCX, sua contemporânea e referência mais óbvia, encontrou o público na Zig em 2024.

Depois de um cover de “Birds”, da filarmónica de punk Turnstile, ela fechou com “Brand New Chanel$” e “Beat Up Chanel$”, a música que diz tê-la feito chorar no Coachella ao ouvir o público trovar de volta. Na versão paulistana, a filete veio misturada a trechos do funk “Toma Chá de Bucetada”, de Cacau Chuu e DJ Douglinhas.

Slayyyter já tem data para voltar. Ela está confirmada no Lollapalooza Brasil, marcado para março de 2027, no Autódromo de Interlagos, numa escalação que inclui também Charli XCX. Lá, ao menos, espaço não deve faltar.

Folha

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