Os países da América Latina devem aproveitar as enormes reservas de minerais críticos e terras raras que possuem para desenvolver a própria indústria da transição energética, avaliaram lideranças latino-americanas consultadas pela Dependência Brasil. 
O controle sobre os minerais críticos, fundamentais para indústrias da transição energética e da tecnologia, é um dos centros da disputa mercantil travada entre China e Estados Unidos (EUA) pela liderança da economia global.
Os especialistas argumentam que, ao desenvolver a própria indústria, a América Latina evita repetir o papel de simples exportador de matérias-primas, fortalecendo a economia da região e ganhando poder de barganha no cenário global.
O ex-ministro de Minas e Robustez do governo de Gustavo Petro, na Colômbia, Andrés Camacho, destacou que o roupa de uma parcela importante desses minerais estar na América Latina permite que os países possam desenvolver as próprias indústrias, criando empregos de qualidade e reduzindo a sujeição tecnológica.
“Por exemplo, o lítio, encontrado em países cá no Sul do continente. Precisamos prosseguir em direção à produção, não somente para exportar lítio, mas também para aprimorá-lo, e não somente uma vez que mineral, mas uma vez que baterias”, destacou.
O lítio é um dos principais insumos para baterias de carros elétricos, assim uma vez que o cobre é fundamental para os painéis solares e eólicos. Estima-se que 45% do lítio e 30% do cobre estejam na América Latina, segundo a Dependência Internacional de Robustez (AIE).
A deputada pela Argentina do parlamento do Mercosul (Parlasul) Cecilia Nicolini, ex-secretária de Mudanças Climáticas do governo de Alberto Fernández (2019-2023), defendeu que os países latino-americanos não devem se limitar a exportar minerais brutos para outras nações processá-los.
“Você pode ter uma política de exportação de recursos, mas também podemos usar esses recursos para desenvolver qualquer tipo de tecnologia ou qualquer tipo de participação na calabouço de valor para ter um nível mínimo de poder de negociação [no cenário global]”, disse.
As lideranças participaram, no Rio de Janeiro (RJ), do Seminário Internacional Robustez, Integração e Soberania, realizado pelo Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Proveniente e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra (Ineep), em parceria com a Instauração Perseu Abramo e a Instauração Friedrich Ebert Brasil.
A diretora técnica do Ineep, Ticiana Alvares, defendeu que a atual lógica do transacção global está em xeque com as guerras em curso e a disputa geopolítica entre China e EUA. Isso abriria oportunidades para a América Latina investir em indústrias regionais ligadas à transição energética.
“Essa internalização de bens e insumos essenciais talvez não possa ser feita de forma pátrio, mas faz sentido de forma regional. Por exemplo, o tema dos fertilizantes, que o Brasil tem uma sujeição gigante. Temos a Argentina, que agora é abundoso em gás. Temos também a Bolívia abundoso em gás. O gás procedente é o principal insumo para a produção de fertilizante nitrogenado”, explicou.
Para Ticiana, a crise atual incentiva os países a internalizar a produção de bens necessários para segurança energética. “Em um momento de crise, duvido que os países não queiram ter uma indústria no seu país”, completou.
Valimento da América Latina nos minerais críticos
A Dependência Internacional de Robustez (AIE) aponta a América Latina uma vez que região chave para o mercado global de minerais críticos, com vastas reservas e um setor de mineração muito estabelecido.
“A América Meão e do Sul são ricas em minerais críticos uma vez que lítio, cobre, grafite, terras raras, níquel, manganês, prata e bauxita, lideradas por países uma vez que Argentina, Bolívia, Brasil, Chile e Peru”, diz a AIE.
A sujeição dos Estados Unidos de importações desses minerais tem sido uma manadeira de tensões geopolíticas, uma vez que Washington atua para prometer esses suprimentos e evitar que adversários, principalmente Rússia e China, tenham entrada a esses materiais.
“Os EUA dependem de importações para mais da metade do lítio e mais de dois terços dos compostos e metais de terras raras que consomem”, afirma o relatório do Serviço Geológico dos Estados Unidos de 2026.
Por outro lado, a China tem um papel dominante no mercado dos minerais críticos e terras raras, tanto no campo da mineração, uma vez que principalmente no processamento e refino desses materiais, segundo relatório da Dependência Internacional de Robustez (AIE).
“Sua influência é ainda mais poderoso no refino, com uma participação de 44% no refino global de cobre, uma participação de 70-75% no processamento de lítio e cobalto e uma participação de mais de 90% no refino de elementos de terras raras e grafite de intensidade de bateria”, diz a AIE.
Ainda segundo a filial, o engajamento da China nesse mercado “tem sido poderoso na África, América Latina e Indonésia”.
Trump tenta sofrear China na América Latina
Um dos objetivos da política externa da Moradia Branca sob Trump é sofrear a influência econômica chinesa no continente latino-americano, uma vez que ficou expresso na Estratégia de Segurança Vernáculo dos EUA, publicada em novembro do ano pretérito, reafirmando a “proeminência” de Washington sobre a América Latina.
“Negaremos a concorrentes de fora do Hemisfério a capacidade de posicionar forças ou outras capacidades ameaçadoras, ou de possuir ou controlar ativos estrategicamente vitais em nosso Hemisfério”, diz o documento solene.
Em março deste ano, Trump firmou uma coalizão militar com 12 países latino-americanos alinhados ideologicamente, uma vez que Argentina, Paraguai, Equador e Chile. Um dos objetivos é alongar a influência de potências estrangeiras de fora do hemisfério, o que tem sido interpretado uma vez que secção da guerra mercantil travada pelos EUA contra a China.
Coalizão latino-americana sem ideologia
A deputada do Parlasul Cecilia Nicolini defende que os países latino-americanos precisam produzir coalizões baseadas em temas, uma vez que a transição energética, para que possam contornar as diferenças ideológicas entre os governos da região.
“Precisamos pensar em uma vez que formar essas coligações com outros países que não compartilham nossa ideologia, para erigir essas alianças com base em questões específicas, principalmente na transição energética. Porque essa integração exige infraestrutura, exige políticas que vão além dos governos atuais”, destacou Cecilia.
Para o ex-ministro de Minas e Robustez colombiano Andrés Camacho, caso não consiga desenvolver uma indústria própria, a região ficará dependente da importação dos equipamentos da transição energética.
“A produção de painéis solares provavelmente será difícil, mas se tivermos recursos uma vez que esses minerais, poderemos encetar a produzir cadeias de produção. Teremos que encetar a desenvolver nossas próprias adaptações para veículos elétricos e tomar medidas para prometer que não nos tornemos completamente dependentes dessas tecnologias”, destacou.
A diretora técnica do Ineep Ticiana Alvares pondera, por outro lado, que os países que detêm os minerais críticos exigidos por EUA e China precisam ocupar, por meio de negociações, as condições que permitam a transferência de tecnologia para a região.
“A gente tem as matérias-primas dessas indústrias que são as indústrias energéticas do porvir. Não só energética, no caso dos minerais críticos, da perceptibilidade sintético e tudo mais. A China não irá transferir tecnologia por vontade própria. A gente tem que expressar o que a gente quer. A China mesmo fez isso. Foi logo que a China foi avançando nas cadeias de valor”, finalizou.
Segurança pátrio
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, tem defendido que os países da América Latina tenham entrada a todas as etapas das cadeias de valor dos minerais críticos existentes na região.
Na última sexta-feira (17), durante assinatura de acordos com a Espanha, Lula lembrou que a América Latina já já deixou passar outros ciclos econômicos uma vez que do ouro, da prata, do minério de ferro e da madeira, sem tirar proveito disso.
“Nós não podemos agora permitir que a riqueza que a natureza nos deu não permita que a gente fique rico”.
Segundo ele, o Brasil está disposto a fazer negócio com todos os países sobre o tema.
“E o processo de transformação se dará dentro do Brasil. Não vamos repetir com os minerais críticos e com as terras raras o que aconteceu com o minério de ferro, com a bauxita. Vamos agora assumir a responsabilidade. Isso é uma questão de segurança pátrio para nós”, disse o presidente.
*O repórter viajou a invitação do Ineep para o Seminário Internacional Robustez, Integração e Soberania




