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Teatro lambe lambe mostra cenas em miniatura em Rio Preto
Celebridades Cultura

Teatro lambe-lambe mostra cenas em miniatura em Rio Preto – 18/07/2026 – Ilustrada

“Peguei uma grande sarau e coloquei dentro dessa caixa”, avisa a bonequeira argentina Rosa López para apresentar uma das atrações do Fit, o Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto, no interno de São Paulo. A artista é uma das participantes da segunda edição da mostra de teatro lambe-lambe, que integra a programação do Fit com 20 espetáculos de animação em miniatura.

“Carrusel del viejo Matías”, a apresentação criada e conduzida por López, mostra um evento típico da província de Mendoza, na Argentina, a Sarau da Vindima, uma celebração da colheita de uva e do início da produção de vinhos na região.

A cena reproduz o interno de uma pulpería (venda) e revela para um público de unicamente três pessoas por vez um mini desfile de carros alegóricos e grupos que comemoram a colheita diante de um velho negociante. Os espectadores acompanham o festejo com fones de ouvidos e olhos voltados para pequenas frestas abertas na caixa teatral.

Em 2025, quando estreou no festival, a mostra lambe-lambe atraiu público de 1.400 pessoas e percorreu dez regiões e distritos de Rio Preto. Neste sábado (18), no primeiro dia dos mini-espetáculos deste ano, adultos e crianças formaram filas para espreitar as cenas, com artistas espalhados com suas caixas pelo gramado do Parque Olinda Tarraf.

A mostra também terá apresentações neste domingo (19), no Multíplice Swift de Ensino e Cultura, e na segunda-feira (20), na Rodoviária de Rio Preto, a partir das 10h30 nos dois lugares. A ingresso é livre e não há a premência de retirar ingressos.

O teatro lambe-lambe é uma linguagem cênica criada em 1989 pelas bonequeiras Denise de Santos e Ismine Lima, de Salvador, na Bahia. A inspiração são os fotógrafos lambe-lambe e a origem é a peça “A dança do parto”, apresentada pelas duas em ruas e parques porquê uma forma de abordar a sexualidade e a saúde das mulheres por meio da arte-educação.

Além das caixas cênicas, os espetáculos têm em geral a curta duração, em média cinco minutos, e o indumentária de geralmente serem vistos por uma única pessoa por vez.

Em Rio Preto, a mostra cumpre a função de ocupar espaços públicos e democratizar o chegada à cultura. A programação reúne produções do Chile, Espanha, Argentina e Bulgária, além de companhias de seis estados brasileiros e artistas de São José do Rio Preto.

Da Bulgária, as bonequeiras Mariya Banova e Yana Doncheva trouxeram “Tonkata” uma delicada cena sobre a conexão entre a vetustez e a puerícia por meio de uma globo, em uma reflexão sobre os ciclos da vida. O espetáculo espanhol “Jersey de lana” comoveu o público ao usar metáforas para falar sobre a saúde ambiental no envolvente familiar.

Os Contos da Colmeia, grupo de teatro lambe-lambe brasílico criado em 2020 pelo artista Bruno Rudolf, apresenta espetáculos com temas humanitários e ecológicos. Gálico, Rudolf está no Brasil desde 2001 e em Rio Preto apresentou “Um caminho para amar”, sobre o paixão entre pessoas do mesmo gênero que se encontram ilhadas e separadas por um mar revolto.

Outra atração da mesma companhia neste sábado foi “Só existe uma jornada…”, em que o público é convidado a se libertar de máscaras e armaduras até chegar a um altar íntimo.

A mostra foi idealizada pela Varanda Teatro, nascida em Rio Preto há 16 anos e pioneira na pesquisa e disseminação do teatro lambe-lambe.

OUTRAS ATRAÇÕES

O Fit é realizado até o dia 25 em Rio Preto, no interno paulista, com 33 espetáculos, intervenções artísticas e atividades formativas. A proposta desta edição é a ocupação da cidade, com apresentações em praças e nas ruas, além dos teatros tradicionais.

No primeiro final de semana, “Cena Ouro – Epide(r)mia”, da Cia. Mungunzá, lotou o Teatro Municipal Paulo Moura com a peça em que atores e não atores revelam vivências no território da cracolândia, em São Paulo, onde ficava o Teatro de Contêiner, demolido pela Prefeitura de São Paulo em seguida uma disputa com o grupo teatral.

Outro espetáculo, “Boi Material”, do coletivo teatral Cênica, de Rio Preto, levou ao palco provocações sobre a vida dos artistas obrigados a conviver com as regras da economia de mercado.

Na história, uma companhia de teatro do interno, com a sotaque do “r” convenientemente forçada, é contratada por uma filial de marketing da capital e precisa mourejar com as expectativas do universo publicitário.

“Os Orixás”, do Grupo Giramundo, retomou no festival uma geração teatral que já completou 25 anos, agora com trilha sonora composta e interpretada por artistas negros de Belo Horizonte. A montagem de teatro de bonecos aborda a geração do mundo de concórdia com o candomblé.

Folha

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