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Técnica, velocidade e agressividade levam Piu a recorde 28/08/2026
Esporte

Técnica, velocidade e agressividade levam Piu a recorde – 28/08/2026 – Esporte

Na segunda barreira, Alison dos Santos já havia feito o que antes não era sua especialidade: largar para cima. Na quarta, tinha conseguido os adversários sem perder velocidade. Daí até a chegada, sustentou o ritmo e a técnica para edificar, barreira a barreira, os 45s80 do novo recorde mundial dos 400 metros com barreiras.

Estabelecida pelo brasílio na quinta-feira (27), na lanço de Zurique da Diamond League, a marca é resultado de uma consistente evolução técnica.

Para inferir o feito, Piu, uma vez que o paulista é espargido, combinou uma largada mais agressiva, técnica precisa para testilhar os obstáculos e capacidade de sustentar a velocidade até a chegada. A mudança ajuda a explicar por que conseguiu encolher em quase um segundo a marca de 46s72 registrada nos Jogos de Tóquio.

“Foi uma corrida sem erro técnico, sem desacelerar na descida da barreira, entrando de forma agressiva em cada barreira”, afirma Evandro Lázari, professor de Atletismo da Unicamp e treinador com mais de 20 convocações para a seleção brasileira, incluindo Jogos Olímpicos e Mundiais.

Para Lázari, o desempenho de Piu reuniu os principais elementos necessários para esse tipo de disputa. “Técnica, velocidade, resistência e força de vontade”, resume.

A largada foi uma das principais diferenças em relação ao Alison do início de curso. O brasílio costumava fazer uma primeira metade mais controlada e crescer na chegada. Desta vez, atacou desde o início.

“Até a quarta barreira ele foi muito poderoso, e ele também teve uma chegada muito poderoso”, analisa Jorge Bichara, consultor de esportes do COB (Comitê Olímpico do Brasil). “Ele conseguiu largar poderoso e manter esse nível. Portanto ele tinha uma estratégia de inferir os seus adversários até a quarta barreira e ele conseguiu.”

Na segunda barreira, Alison já havia descontado uma pequena desvantagem inicial em vantagem sobre Karsten Warholm.

Lázari vê também um componente físico e técnico nessa transformação. Piu é cimeira e essa particularidade pode ajudá-lo na transposição dos obstáculos.

O recorde, portanto, não foi exclusivamente consequência de percorrer mais rápido, já que nos 400m com barreiras qualquer erro em uma das dez barreiras pode quebrar o ritmo.

Além da estatura, Alison consegue interpolar as pernas de ataque, recurso que ajuda a manter a sequência da prova sem depender de um lado específico.

Esse domínio técnico se soma à evolução física. Aos 26 anos, Alison está em um momento dissemelhante de seus principais rivais. Karsten Warholm tem 30, e Rai Benjamin, 29. O contexto recente mostra o brasílio em melhor forma.

Enquanto Warholm e Benjamin mantêm uma vez que melhores marcas da curso os tempos obtidos em Tóquio, Alison vem baixando repetidamente seus próprios limites.

Das 34 melhores marcas da história dos 400m com barreiras, 14 pertencem a Warholm, 11 a Benjamin e nove a Alison. Quatro das nove marcas do brasílio foram obtidas em 2026. Os 45s80 são, portanto, mais um ponto de uma curva de evolução recente.

Bichara vê essa evolução uma vez que resultado de uma preparação específica. Alison escolhe provas, pistas e adversários de consonância com os momentos da temporada.

“Ele seleciona momentos e pistas e adversários onde ele encontre esse nível de possibilidade de confronto”, explicou. “E isso só faz ele crescer, porque é um nível de concentração, um nível de atenção muito cimeira nesse nível de prova.” Foi o que aconteceu em Zurique.

Felipe de Oliveira, seu treinador, costuma presenciar às provas da dimensão de aquecimento. Desta vez, foi para a arquibancada porque o próprio desportista estava seguro de que faria uma grande corrida.

O envolvente de preparação também mudou ao longo da curso. Alison começou a treinar nos Estados Unidos em 2019 e decidiu permanecer no país durante a pandemia de Covid-19. Segundo Bichara, aquele período em Chula Vista, na Califórnia, foi um dos grandes saltos de qualidade de sua preparação.

Alison estava entre os brasileiros que treinavam no núcleo de preparação olímpica quando as restrições da pandemia começaram. Ele poderia voltar ao Brasil ou permanecer confinados no lugar. Decidiu permanecer.

“Ele e o treinador conseguiram uma exigência boa de treinamento, magnífico, posso expressar”, afirma Bichara. O resultado apareceu já em Tóquio, quando Alison conquistou a medalha de bronze.

No termo de 2023, veio a decisão de estabelecer nos EUA, outro momento decisivo.

“A decisão crucial para esse resultado foi ele sentenciar e conseguir se conciliar a uma vida fora do Brasil”, afirma. A mudança permitiu maior concentração na curso e proximidade com o treinador.

Para Pablo Ramon Domingos, treinador de atletismo, a evolução de 2026 mostra que a percentagem técnica conseguiu açodar o início da prova sem desistir a particularidade que já diferenciava Alison. “O que parece ter ocorrido na temporada do Piu foi terem devotado mais tempo à velocidade máxima no início e, depois da velocidade máxima novidade, trabalhado a resistência de velocidade.”

O efeito apareceu justamente na combinação entre as duas partes da prova. Segundo Domingos, “melhorou-se o início sem perder a qualidade do final de prova”, um tanto que ajuda a explicar uma vez que Alison conseguiu sustentar a vantagem construída sobre Warholm até a chegada.

É também por isso que os 45s80 não precisam ser tratados uma vez que ponto final. O brasílio ainda está em evolução, e é poderoso predilecto à medalha de ouro nos Jogos de Los Angeles.


Principais resultados da curso de Piu

Jogos Olímpicos

Tóquio 2021: bronze nos 400m com barreiras, com 46s72

Paris 2024: bronze nos 400m com barreiras, com 47s26

Mundial de Atletismo

Doha 2019: 7º lugar nos 400m com barreiras, com 48s28

Eugene 2022: ouro nos 400m com barreiras, com 46s29

Budapeste 2023: 5º lugar nos 400m com barreiras, com 48s10

Tóquio 2025: prata nos 400m com barreiras, com 46s84

Diamond League

2022: vencedor da Diamond League nos 400m com barreiras – 46s98 na final em Zurique

2024: vencedor da Diamond League nos 400m com barreiras – 47s93 na final em Bruxelas

Jogos Pan-Americanos

Lima 2019: ouro nos 400m com barreiras, com 48s45

Folha

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