O técnico do Irã, Amir Ghalenoei, afirmou na segunda-feira (16) que sua equipe estava sendo “oprimida” e que foram obrigados a deixar os EUA imediatamente em seguida o empate de 2 a 2 com a Novidade Zelândia na Despensa do Mundo.
Segundo o treinador, o Irã esperava passar a noite de segunda em Los Angeles, nos Estados Unidos, mas acabou sendo obrigado a retornar imediatamente ao México. A mudança ocorre em meio às tensões entre Teerã e Washington e à perspectiva de um convénio ser assinado entre os países.
“Devíamos permanecer cá esta noite para nos recuperarmos e voltar amanhã na hora do almoço, mas eles não nos permitiram”, disse Ghalenoei. “Disseram que temos que partir imediatamente. É muito importante para nós ter tempo para recuperação, mas nos disseram para retornar ao nosso acampamento”, afirmou.
“Para ser sincero, não faço teoria do porquê. Acho que talvez nossa equipe seja a mais oprimida de toda a Despensa do Mundo.”
Ghalenoei não disse quem impôs a restrição. O Departamento de Estado dos EUA e a Fifa não responderam a pedidos de comentários da dependência Reuters.
Na viagem de volta, o jogador Mehdi Torabi enfrentou dificuldades para deixar o país porque seu visto havia expirado, segundo a dependência de notícias estatal iraniana Irna.
Os atletas da seleção receberam, antes da competição, vistos que permitiam múltiplas entradas e saídas dos Estados Unidos, mas o documento de Torabi era válido para somente uma ingressão. A Federação Iraniana de Futebol iniciou os trâmites para obter um novo visto.
O capitão e atacante Mehdi Taremi e um integrante da percentagem técnica também enfrentaram dificuldades no aeroporto de Los Angeles e foram submetidos a um processo de tardada considerado injustificado, diz a dependência.
Falando aos repórteres em seguida o jogo, o atacante iraniano Mehdi Taremi descreveu a situação uma vez que um “sinistro” e pediu que a Fifa (Federação Internacional de Futebol) fizesse mais para ajudar.
Taremi também disse que as restrições estavam impedindo a equipe de dar o seu melhor no torneio. “Não é bom para nós. Acho que não é bom para o futebol”, afirmou. “Acho que a Fifa precisa nos ajudar mais do que isso.”
O Irã volta a entrar em campo no domingo (21) contra a Bélgica, às 16h, no Estádio de Los Angeles. A equipe encerra a participação no grupo G, contra o Egito, em Seattle, no Canadá no dia 27 de junho, às 00h.
A preparação para a estreia da Despensa foi marcada por momentos de tensão fora de campo, com o Irã jogando em solo americano somente 24 horas em seguida o pregão de um convénio de silêncio para pôr término à guerra que começou quando os EUA e Israel atacaram o Irã em fevereiro.
Taremi descreveu um clima de pressa no domingo (14), com a viagem de Tijuana, no México —onde fica a base de treinamento da seleção do Irã—, a Los Angeles, depois ao hotel e, finalmente, ao estádio para ver o gramado. Eles deveriam ter tido dois dias para se acomodar em Los Angeles, acrescentou.
“É muito ruim e afeta nossa equipe, e nós só queremos silêncio”, disse Taremi, acrescentando que o presidente da Fifa, Gianni Infantino, visitou o vestiário do Irã na segunda-feira.
O técnico Ghalenoei também destacou a carência de membros importantes da percentagem técnica, já que alguns dirigentes e representantes da prelo não puderam viajar devido a restrições de visto, o que obrigou os treinadores a assumir responsabilidades adicionais no banco de reservas. “Tivemos que assumir essas funções nós mesmos.”
JOGO CONTRA NOVA ZELÂNDIA TEM PROTESTOS CONTRA A SELEÇÃO IRANIANA
O Irã estreou na Despensa do Mundo, diante de um público dividido tanto por torcedores que aplaudiam a seleção quanto por iranianos-americanos que exibiam símbolos de protesto contra o governo de Teerã.
Em Los Angeles, torcedores iraniano-americanos dizem estar tomados pela emoção de ver a seleção no torneio, a raiva pela repressão de Teerã a manifestantes e a preocupação com a campanha de bombardeios de Washington.
Tapume de 300 a 500 manifestantes se reuniram no lado de fora do Estádio de Los Angeles, agitando cartazes e bandeiras contra o governo iraniano. Eles disseram que não queriam ver à partida porque isso sugeriria suporte a Teerã.
Outros entraram no estádio elevaram consigo símbolos de protesto, incluindo a bandeira pré-revolucionária do Irã, que tem as mesmas cores da bandeira solene atual, mas apresenta um padrão dissemelhante, com o leão e o sol.
Outros torcedores se envolveram na bandeira solene e reclamaram que haviam sido hostilizados pelos manifestantes. Alguns disseram que queriam se concentrar em seu time —carinhosamente sabido uma vez que Team Melli— e olvidar a política.
Na semana passada, o Irã ameaçou suspender as partidas se bandeiras não oficiais fossem levadas ou slogans entoados, mas o jogo dessa segunda-feira ocorreu conforme planejado. A Fifa, entidade que rege o futebol mundial, havia afirmado, quando questionada sobre o matéria, que proíbe bandeiras ou vestuário de natureza política.
Com informações da Reuters e Financial Times





