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Telas Imax e outras experiências substituem 3D nos cinemas
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Telas Imax e outras experiências substituem 3D nos cinemas – 21/06/2026 – Ilustrada

Em 2006, espectadores lotavam uma exibição de “A Mansão Monstro” no Cinemark do shopping Eldorado. Naquela noite, uma tecnologia importava mais que o esboço sobre um bairro assombrado —o Brasil inaugurava sua primeira sala do dedo com projeção 3D.

A tecnologia, que dá ao testemunha a sentimento de que imagens saltam da tela, remonta ao século 19, quando surgiram os primeiros óculos com lentes azuis e vermelhas. Mas, naquela ocasião, despontava uma vaga que viveria seu auge no início da dezena seguinte, depois James Cameron aprimorar o formato e receptar US$ 2,9 bilhões com “Avatar”, de 2009 —até hoje, a maior bilheteria da história.

Duas décadas depois, já não é mais tão generalidade receber óculos 3D na ingresso dos cinemas, cá ou lá fora. Se “Rogue One: Uma História Star Wars”, de 2016, estreou com quase 70% de suas sessões nacionais em 3D, menos de 40% das sessões de “O Mandaloriano e Grogu”, em maio deste ano, seguiram o formato em capitais uma vez que São Paulo.

O novo filme da franquia, aliás, é um dos poucos do ano que apostou na tecnologia até agora, junto de desenhos uma vez que “Toy Story 5” —com muro de 25% de suas sessões no formato—, e do terror “Socorro!” —com 19% de sessões com a tecnologia, mesmo que o diretor, Sam Raimi, tenha projetado sangue e vômito para fora da tela.

Segundo o portal especializado Filme B, em 2025, só 2,6% dos 416 filmes lançados no país ofereceram o 3D, e exclusivamente 9% da bilheteria veio dessas sessões

Nesse cenário, Cameron é um dos poucos que não abandonou a tecnologia. O terceiro “Avatar” chegou com esmagadora maioria de sessões em 3D e ficou entre os grandes sucessos de 2025, arrecadando muro de US$ 1,5 bilhão. No mês pretérito, seu registro de um show de Billie Eilish abriu com 70% das exibições com suporte ao formato no país.

Segundo a realizadora Priscilla Durand, o sucesso da técnica nas mãos do diretor vem de seu pioneirismo e rigor técnico. Só o primeiro longa da saga bilionária, por exemplo, exigiu duas novas câmeras, uma para filmagens estereoscópicas —que mantêm a profundidade do olhar humano— e outra para simular ações de personagens digitais.

Fundadora da Durand Creator, voltada a narrativas em veras virtual, ela separa diretores que veem o 3D uma vez que uma linguagem, pautando desde gravações até a período de finalização, e os que adaptam materiais já prontos para encarecer ingressos —no Brasil, uma sessão em 3D pode custar 15% a mais para o testemunha.

“‘Avatar’ foi, também, um dos projetos mais caros e lucrativos de Hollywood”, lembra Durand. “Diante dos altos preços, as pessoas só deixam suas casas para ver conteúdos relevantes. Para isso, os filmes precisam ser pensados mormente para esses formatos. Metamorfosear filmes e animações comuns na tentativa de encher as salas é o que deixa a tecnologia obsoleta.”

A partir de 2010, vários diretores escolheram a técnica para aproximar a plateia de suas narrativas. Com “A Invenção de Hugo Cabret”, de 2011, por exemplo, Martin Scorsese explorou diferentes camadas de uma estação ferroviária e retratou experimentos que o prestidigitador George Meliés desenvolveu nos primórdios do cinema.

No mesmo ano, David Yates explodiu o vilão Voldemort em vários pedacinhos, que pareciam flutuar até os assentos. Por justificação do efeito peculiar, a decisão criativa se afastou dos livros de “Harry Potter” e irritou os fãs mais exigentes.

Três anos depois, o mexicano Alfonso Cuáron levou espectadores ao espaço com o imersivo “Seriedade”, que abocanhou sete estatuetas do Oscar, incluindo a de efeitos especiais, e fez muitos se sentirem na trajectória da Terreno.

Na lado documental, o boche Werner Herzog escolheu a tecnologia para realçar pinturas rupestres na caverna de Chauvet, em “A Caverna dos Sonhos Esquecidos”. Até mesmo Jean-Luc Godard, expoente da nouvelle vague e crítico das fórmulas comerciais, incomodou o público com imagens sobrepostas nas sessões do seu “Adeus à Linguagem”, de 2014.

Durand lembra de “Disque M para Matar”, lançado em 1954 por Alfred Hitchcock, entre exemplos desse uso eficiente no pretérito. “Assim uma vez que Cameron, ele não se contentou com limitações de seu tempo”, explica. “Hitchcock criou um telefone gigante para ampliar a submersão na cena em que o vilão telefona para o seu sócio.”

Produzido pela Warner Bros., o longa foi rodado em 3D para competir com a popularização dos televisores. Agora, o propagação do streaming na pandemia, que diminuiu janelas de exclusividade nos cinemas, é outro fator que reduz a ida às salas.

Enquanto o mercado tenta se restabelecer —a Cinemark superou expectativas no primeiro trimestre do ano, mas em 2025 os cinemas viveram a pior queda desde 2022—, o gerente de programação da Cinesystem, Valdinei Strapasson, explica que os preços do 3D afastam espectadores de fora dos grandes centros.

“Recentemente, nenhuma evolução cinematográfica contemplou o 3D”, afirma. “As telas cresceram absurdamente, projetores alcançaram o 8K [resolução com imagens mais detalhadas], sistemas de som ficaram mais imersivos, mas o 3D permaneceu o mesmo.”

Para salvar o formato, ele brinca, é necessário concretizar um dos sonhos de James Cameron —o já muito discutido “3D sem óculos”. A teoria era que o segundo “Avatar” o introduzisse, mas hoje não há previsão para que a tecnologia vire veras.

Na falta de grandes mudanças, a Navio, referência mundial na projeção a laser em cinemas, explica que a plateia anseia por “experiências premium”.

“Espectadores precisam sentir que estão sendo premiados”, diz Gisele Freitas, gerente de vendas da empresa que amplia a qualidade visual em cinemas. “Eles podem não entender que evidente projetor traz mais cores ou maior contraste entre luz e sombra, mas lembram quais salas se destacam.”

Strapasson cita telas maiores que a média e sessões VIP, com poltronas reclináveis e garçons, entre alternativas que têm se engrandecido. “Precisamos mostrar que a ida às salas é única”, afirma. “Disputamos com restaurantes, boliches, teatros. Em circuitos mais populares, até pelo numerário que vai para o ‘tigrinho’. Hoje, o testemunha tem que sentir que terá uma experiência completa.”

Salas desenvolvidas pela Imax, as mais famosas entre as equipadas com telas gigantescas, aliás, fazem muito sucesso. Nos últimos anos, filmes feitos mormente para elas, uma vez que “Oppenheimer”, de 2023, e “Duna: Segmento 2” de 2024, se consagraram entre as maiores bilheterias de seus respectivos anos e venceram estatuetas do Oscar. No caso do filme de Christopher Nolan, o 3D foi dispensado.

São também numerosos os relançamentos que ocupam esse formato, que vem contemplando desde filmes-concertos, uma vez que o do grupo Talking Heads, até desenhos célebres do Studio Ghibli, restaurados para atender à telona.

Não por contingência, a empresa fechou 2025 com a maior arrecadação de sua história, um totalidade de US$ 1,28 bilhões, ou R$ 6,2 bilhões, e assustou a Disney ao firmar um consonância individual para o terceiro “Duna”, previsto para dezembro. Em resposta, o estúdio investiu num formato próprio, o Infinity Vision, para acomodar o novo “Vingadores” no mesmo termo de semana do blockbuster de Denis Villeneuve.

Ainda não está simples uma vez que o formato prevalecerá em meio a salas com cadeiras que se mexem e telas laterais que oferecem 720 graus de imagens, entre outras opções que tentam se ajustar à procura por experiências imersivas.

Nas redes, a subversão do campo de visão em 180 graus já rende frutos, uma vez que o curta “Pearl”. Indicado ao Oscar, o projeto foi desenvolvido para reprodução em óculos de veras virtual, que têm aparecido em seleções paralelas de vestígios nacionais, uma vez que Gramado, e mesmo festivais globais, uma vez que Cannes.

Para Rachid El Guerrab, produtor de “Pearl”, cinemas competem com tecnologias cada vez mais populares e têm de pensar uma vez que parques de diversão. “O cinema deve ser um lugar de invenção e encantamento. As pessoas não saem de lar só para ver um filme, mas para submergir em outro mundo.”

Enquanto James Cameron estuda outras formas de aproximar o público de seus seres azuis, Priscilla Durand sugere que o porvir pode estar nas narrativas interativas —um tanto generalidade nos games e que já aconteceu em séries uma vez que “Black Mirror”, da Netflix, que deixou o testemunha escolher os passos do protagonista num incidente. “Será que, um dia, o testemunha mudará um filme com suas reações?”

Folha

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