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Dia Mundial do Refugiado: pedidos de asilo sobem 11% no
Brasil

Dia Mundial do Refugiado: pedidos de asilo sobem 11% no Brasil em 2025

Dados da Filial da Organização das Nações Unidas (ONU) para Refugiados (Acnur) apontam que os pedidos de asilo no Brasil aumentaram 11% em 2025. A sucursal também avalia que houve progresso nas políticas nacionais para prometer aproximação à permanência lícito, ao ocupação, a serviços essenciais e a oportunidades de inclusão. 

O aumento dos pedidos no Brasil segue a tendência do continente americano que, no ano pretérito, foi a principal região em deslocamento forçado, superando a África Oriental e Meridional e o Oriente Médio. 

O número de refugiados nas Américas chegou a 22,8 milhões de pessoas, liderados por cidadãos venezuelanos acolhidos, quase em totalidade, por outros países da América Latina ou do Caribe. 

Leste sábado, dia 20 de junho, marca o Dia Mundial do Refugiado e, de congraçamento com o representante da Acnur no Brasil, Davide Torzilli, esta é uma data de alerta: mais de 117 milhões de pessoas ainda estão deslocadas à força no mundo, apesar deste provisório ter registrado queda pela primeira vez, em mais de uma dez. 

“Das cinzas da Segunda Guerra Mundial surgiu uma promessa: proteger as pessoas forçadas a fugir de conflitos, da violência e da perseguição. A comunidade internacional está falhando coletivamente com essas milhões de pessoas.”

O representante da Acnur cobrou que as autoridades de todo o mundo promovam autonomia, independência e soluções de longo prazo para os refugiados, além de ações humanitárias. 

“Isso significa facilitar o aproximação ao ocupação formal e ao empreendedorismo, reconhecer qualificações, ampliar oportunidades de formação e fortalecer políticas de inclusão a quem já não pode descrever com seus estados para proteger as suas vidas. Proteger uma pessoa refugiada é proteger toda a sociedade.”

Leste ano, a campanha da Acnur para o Dia Mundial do Refugiado incentiva as gerações mais jovens a defenderem o recta ao asilo porquê um muito generalidade para toda a humanidade e o fundamento da proteção internacional. O lema escolhido foi: Até Cada Pessoa Estar a Salvo.


Rio de Janeiro (RJ), 20/06/2026 - Rio Refugia, celebra o Dia Mundial do Refugiado. Festival multicultural promovido pelo Sesc RJ, Abraço Cultural, PARES Cáritas RJ e Feira Chega Junto, com apoio do ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados), no Sesc Tijuca, zona norte da cidade. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Rio de Janeiro (RJ), 20/06/2026 - Rio Refugia, celebra o Dia Mundial do Refugiado. Festival multicultural promovido pelo Sesc RJ, Abraço Cultural, PARES Cáritas RJ e Feira Chega Junto, com apoio do ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados), no Sesc Tijuca, zona norte da cidade. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Feira Rio Refugia celebra o Dia Mundial do Refugiado – Tânia Rêgo/Filial Brasil

Feira 

No Rio de Janeiro, a data foi lembrada com a realização da feira Rio Refugia, coorganizada pela instituição Amplexo Cultural, PARES Cáritas RJ e Sesc RJ, desde 2017. No ano pretérito, o evento foi reconhecido porquê patrimônio cultural incorpóreo do Estado do Rio de Janeiro pela Tertúlia Legislativa. 

O público estimado das últimas edições foi de 6 a 7 milénio pessoas. A programação ocupa o Sesc Tijuca, na Zona Setentrião da capital neste sábado (20) e domingo (21), das 10h às 18h, com feira gastronômica e de produtos de voga e arte, além de apresentações musicais e oficinas. 

Todos os expositores das feiras são pessoas refugiadas que vivem no Brasil, originárias de nove países: Venezuela, Colômbia, Angola, República Democrática do Congo, Síria, Nigéria, Irã, Cuba e Líbano. Refugiados de outros países também participam porquê mediadores das oficinas. 


Rio de Janeiro (RJ), 20/06/2026 - A venezuelana Mili Yanez, participa do evento Rio Refugia, que celebra o Dia Mundial do Refugiado. Festival multicultural promovido pelo Sesc RJ, Abraço Cultural, PARES Cáritas RJ e Feira Chega Junto, com apoio do ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados), no Sesc Tijuca, zona norte da cidade. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Rio de Janeiro (RJ), 20/06/2026 - A venezuelana Mili Yanez, participa do evento Rio Refugia, que celebra o Dia Mundial do Refugiado. Festival multicultural promovido pelo Sesc RJ, Abraço Cultural, PARES Cáritas RJ e Feira Chega Junto, com apoio do ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados), no Sesc Tijuca, zona norte da cidade. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

A venezuelana Mili Yanez na Feira RioRefugia – Tânia Rêgo/Filial Brasil

As origens e histórias dos participantes do evento são diversas, mas todos vieram ao Brasil com o objetivo de reconstruírem suas vida com mais qualidade e pundonor.

A artesã venezuelana Mili Yanes vive entre o Brasil e Venezuela há 14 anos, e em 2016 conseguiu autorização para viver de forma permanente em nosso país. 

“Eu tenho mansão na Venezuela, mas eu sei que o que deixei lá eu não vou mais encontrar. Todo mundo sabe o que acontece na Venezuela. Eu vim com uma filha, depois chegaram mais dois filhos e depois chegou minha outra filha com as crianças. Eu já tenho três netinhos que nasceram cá. Me identifiquei com o Brasil e criei uma vida”, ela conta.


Rio de Janeiro (RJ), 20/06/2026 - Anitha Agossou do Benin ministra aula de turbante no evento. Rio Refugia, celebra o Dia Mundial do Refugiado. Festival multicultural promovido pelo Sesc RJ, Abraço Cultural, PARES Cáritas RJ e Feira Chega Junto, com apoio do ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados), no Sesc Tijuca, zona norte da cidade. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Rio de Janeiro (RJ), 20/06/2026 - Anitha Agossou do Benin ministra aula de turbante no evento. Rio Refugia, celebra o Dia Mundial do Refugiado. Festival multicultural promovido pelo Sesc RJ, Abraço Cultural, PARES Cáritas RJ e Feira Chega Junto, com apoio do ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados), no Sesc Tijuca, zona norte da cidade. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Anitha Agossou do Benin deu lição de turbante na Feira RioRefugia – Tânia Rêgo/Filial Brasil

Anitha Agossou, nascida no Benim, participou do evento oferecendo uma oficina de turbantes ao lado da amiga Sylivia Korberwa, de Uganda.

Elas se conheceram nas aulas de português oferecidas pelo Pares Cáritas aos refugiados recém-chegados que não falam o linguagem.

Anitha chegou ao Brasil em 2019, seguindo os passos da mãe, do tio e do irmão, que já viviam no país.

“Quando minha mãe me ligou e disse que tinha uma oportunidade de eu vir, eu não pensei duas vezes. Larguei namorado, trabalho, e priorizei minha família… Fazia uns 10 anos que eu não a via”.

Formada em Informação e Marketing no Benim, ela faz questão de lembrar que os refugiados deixam seus países para fugir de situações adversas, e não porque não tem qualificação. 

“Quando a gente é refugiada, pensam que a gente vem da pobreza, do mato. Mas a gente saiu de um lugar de privilégio, porque precisava vir para cá. Eu preciso falar isso porque muitas pessoas olham pra gente com desprezo. Têm pânico da gente porque acham que nós somos selvagens, que não temos instrução. Mas nós temos instrução.”

A amiga de Anitha, Sylivia, por exemplo, é formada em assistência social e trabalhava porquê bancária em Uganda, antes de vir para o Brasil há 7 anos, com a filha de unicamente um ano. Cá, foi acolhida por amigas de Uganda que já viviam no país.

“As mulheres sempre apoiam mulheres, na minha experiência”, ela diz.


Rio de Janeiro (RJ), 20/06/2026 - Anitha Agossou do Benin e Sylivia Koberwa, de Uganda ministram aula de turbante no evento Rio Refugia, que celebra o Dia Mundial do Refugiado. Festival multicultural promovido pelo Sesc RJ, Abraço Cultural, PARES Cáritas RJ e Feira Chega Junto, com apoio do ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados), no Sesc Tijuca, zona norte da cidade. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Rio de Janeiro (RJ), 20/06/2026 - Anitha Agossou do Benin e Sylivia Koberwa, de Uganda ministram aula de turbante no evento Rio Refugia, que celebra o Dia Mundial do Refugiado. Festival multicultural promovido pelo Sesc RJ, Abraço Cultural, PARES Cáritas RJ e Feira Chega Junto, com apoio do ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados), no Sesc Tijuca, zona norte da cidade. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

As amigas Anitha, do Benim, e Sylivia, de Uganda – Tânia Rêgo/Filial Brasil

Seguindo esse preceito, Sylivia fez de tudo para ajudar Anitha a conseguir uma vaga porquê professora na Amplexo Cultural, uma das organizadoras da feira. Hoje ambas lecionam idiomas na organização: Syliva dá aulas de inglês e Anitha de francesismo. 

Recentemente, Syliva concluiu um mestrado em Segurança Pública e Justiça na Universidade Federalista Fluminense, onde pesquisou a situação de mulheres africanas imigrantes e refugiadas.

“Eu sou muito grata por essa oportunidade de trabalhar porquê professora porque foi uma experiência única, mas quero crescer profissionalmente”, ela acrescenta. 

Protecção


Rio de Janeiro (RJ), 20/06/2026 - Rio Refugia, celebra o Dia Mundial do Refugiado. Festival multicultural promovido pelo Sesc RJ, Abraço Cultural, PARES Cáritas RJ e Feira Chega Junto, com apoio do ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados), no Sesc Tijuca, zona norte da cidade. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Rio de Janeiro (RJ), 20/06/2026 - Rio Refugia, celebra o Dia Mundial do Refugiado. Festival multicultural promovido pelo Sesc RJ, Abraço Cultural, PARES Cáritas RJ e Feira Chega Junto, com apoio do ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados), no Sesc Tijuca, zona norte da cidade. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Festival multicultural Rio Refugia é promovido pelo Sesc RJ, Amplexo Cultural, Pares Cáritas RJ e Feira Chega Junto, com pedestal do ACNUR – Tânia Rêgo/Filial Brasil

O Pares Cáritas, instituição onde as amigas se conheceram, costuma ser o primeiro lugar que os refugiados procuram ao chegar ao Rio de Janeiro. La recebem protecção, informações sobre porquê regularizar a situação no país e acessar direitos básicos, e também aulas de português e capacitação profissional. 

De congraçamento com a coordenadora universal do Pares Cáritas, Aline Thuler, somente no primeiro trimestre deste ano, a instituição já realizou tapume de 1,2 milénio atendimentos, a pessoas de quase 60 nacionalidades diferentes. Quase metade é venezuelana, e houve aumento levante ano de pessoas vindas do Haiti e da Síria. 

Ela diz que as leis de protecção a refugiados do Brasil são exemplo mundial, mas há gargalos para efetivar os direitos previstos.

“Ainda há ignorância de quem está na ponta sobre os refugiados, o que gera dificuldade pra ser atendido em uma unidade de saúde ou para matricular uma garoto na escola…”

Mas o principal duelo, segundo a coordenadora do Pares Cáritas, é a reinserção profissional.

“A gente tem muita gente com nível de graduação, às vezes mestrado e quando chega ao Brasil, não consegue trabalhar na dimensão de formação. A burocracia é muito grande para validar o diploma e exige documentação que às vezes um refugiado não tem porquê conseguir”

Aline Thuler alerta também que essa dificuldade torna os refugiados mais vulneráveis à exploração e até ao trabalho análogo à escravidão.

“É preciso sensibilizar as empresas para duas coisas, explicar que ele não está empregando uma pessoa ilícito, que o refugiado pode trabalhar e também que essa pessoa tem os mesmos direitos que o trabalhador brasílico”

 


Fonte EBC

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