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Tina Werneck lança 1º álbum solo aos 57 anos
Celebridades Cultura

Tina Werneck lança 1º álbum solo aos 57 anos – 27/07/2026 – Música em Letras

A multi-instrumentista Tina Werneck, 57, lança no dia 5 de agosto seu primeiro álbum solo, batizado com a sobrançaria de quem sabe a que veio: “Cheguei Tinindo”. O trabalho chega às plataformas digitais trazendo 12 faixas que sintetizam décadas de uma bagagem músico encorpada e plural.

O termo “disco” cabe cá sem anacronismos. Para Werneck, uma artista assumidamente vintage, o formato álbum é uma profissão de fé. A sentença que dá título à obra salta da letra do samba “O Paixão vai Chegar”, fita escolhida para fechar um ciclo de maturação que consumiu cinco anos de dedicação, afeto, originalidade e um significativo investimento financeiro individual. Assista ao vídeo no final do texto.

Até a reclusão forçada da pandemia, em 2020, o perímetro de Werneck na música era o de uma instrumentista de círculo. Violista da Orquestra Sinfônica Vernáculo da UFF (Universidade Federalista Fluminense), durante o isolamento da pandemia sua originalidade acumulada transbordou. Afastada dos palcos sinfônicos, voltou ao violão e descobriu-se compositora. Essa bagagem acumulada jorrou em uma produção madura, assertiva e essencialmente feminina.

A mudança exigiu coragem. Em seguida os 50 anos, Werneck precisou se expor, estudar esquina e encarar os palcos de frente, não mais camuflada no naipe de cordas de uma orquestra. O resultado surge em um repertório de 12 canções autorais — cinco inéditas e sete singles lançados gradualmente desde o término de 2020. O repertório aborda o amor-próprio, o empoderamento feminino e a realização pessoal, contrastando com o cenário de desumanização atual.

Com produção de Guilherme Gê, o álbum ganha uma sonoridade robusta que reflete as décadas de experiência do artista. O time de instrumentistas reúne referências da MPB. Claudio Infante assume a bateria, enquanto Marcos Suzano assina na percussão de faixas uma vez que “Quero Voar” e “Orbitando em Você”. Carlos Súcia traz sua reconhecida força nos sopros de “O Paixão vai Chegar”.

Miguel Werneck, rebento da artista, assume as guitarras de “Eu Deixo” e “Coisa Feita”. Nos vocais, o disco ganha as participações ilustres de Leila Pinho e de Muiza Adnet, que divide a função de convidada com o posto de professora de esquina de Tina.

Mesmo abrindo espaço para convidados, a espinha dorsal do projeto permanece nas mãos de sua criadora. Todos os violões foram gravados por Werneck. Sua instrumento de trabalho e ganha-pão, a viola de orquestra, ganha protagonismo inédito na música popular. Em “Teresa e Januário”, ela executa um longo solo; em “Chuva”, funde quatro vozes de viola sob o emendo de Guilherme Gê. Na buraco de “Eu Deixo”, assina o emendo para três violas, que desemboca em “Egípcio”, fita instrumental.

Werneck, que reverencia o rock progressivo clássico, mimetiza as introduções do álbum “Fragile” (1971), da filarmónica Yes, nos prelúdios de “Quero Voar” e “Zambizo”.

O ecletismo da artista foi moldado por uma trajetória rigorosa. Na puerícia, consumiu a trindade formada por Milton Promanação, Chico Buarque e Secos e Molhados, além de Beto Guedes. Mais tarde, vieram Pat Metheny, Tom Jobim (1927-1994) e o universo erudito de Bach (1685-1750), Villa-Lobos (1887-1959) e João Pernambuco (1883-1947). Essa inquietação a levou a transitar entre a Escola Portátil de Pranto, a Oficina de Música Universal de Itiberê Zwarg e aulas com mestres do calibre dos pianistas Cristóvão Bastos e Leandro Braga.

Leitora voraz, Tina transportou suas paixões literárias para o cancioneiro. O romance “Teresa Batista Cansada de Guerra”, de Jorge Querido (1912-2001), ressoa em “Teresa e Januário”. Já o universo de Guimarães Rosa (1908-1967) e sua romance “Dão Dalalão” costuram a poética de “Sete Cores do meu Firmamento”. Todas as faixas são assinadas inteiramente por ela, com exceção de “Eu Deixo”, parceria com a compositora Germana Guilhermme.

Ao amarrar suas pontas biográficas, “Cheguei Tinindo” entrega um manifesto de vitalidade na maturidade. Tina Werneck prova que o tempo não consome a urgência da arte; pelo contrário, dá a ela o peso e o fulgor dos metais lapidados.

Assista, a seguir, ao vídeo no qual Tina Werneck interpreta o samba de sua autoria, “O Paixão vai Chegar”, cantando com Leila Pinho. Elas são acompanhadas por Guilherme Gê (piano, plebeu, guitarras, teclado, ganzá, caixa, vocais, arranjos de flautas e de base), Carlos Súcia (flautas em dó e sol) e Marcos Suzano (pandeiro, caixa e tamborim), além de um coro formado pela própria Tina Werneck com Rita Gama, Mariana Bernardes, Beth Marques, Guilherme Gê e Miguel Werneck, que nesta fita também toca guitarra.


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Folha

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