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Jão fala sobre morte inesperada do pai: 'Achava que ia
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Jão fala sobre morte inesperada do pai: 'Achava que ia receber sinais divinos, mas foi em um dia comum'

Achava que seria uma chuva torrencial, mas foi em um dia geral’, diz Jão sobre morte do pai
Jão vinha de uma turnê lotando estádios e festivais em 2025, quando tomou uma decisão difícil para um artista de seu porte. Em abril, ele decidiu iniciar um hiato na curso, que incluiria um sumiço nas redes sociais e de qualquer compromisso de trabalho.
Ele sabia que precisava de uma pausa, se preparou para isso e, ainda assim, a vida o surpreendeu (uma vez que a vida costuma fazer). Em junho, o cantor de 31 anos perderia seu pai, Carlos Alberto Balbino, aos 61 anos.
“Eu acho que eu sempre imaginei as coisas de uma maneira muito épica. Achava que, no dia que eu perdesse alguém ia ser uma coisa, uma chuva torrencial e eu ia, sei lá, receber vários sinais divinos. Mas era só um dia geral”, contou ao g1.
Depois de mais de um ano sumido, ele voltou neste domingo (26) com o disco “Memórias Póstumas”, que reflete sobre luto e paixão com uma renovada sensibilidade.
Ao g1, ele falou sobre o disco, a relação com o luto e a geração em parceria com o namorado Pedro Tófani, com quem compôs várias das músicas deste álbum. Veja aquém:
‘Não existe um objetivo com o luto’
Depois da morte de seu pai, Jão conta que ficou paralisado. “Eu fiquei muito tempo sem ouvir música. Engraçado uma vez que a gente se condena por umas coisas muito estranhas assim, né? Eu não me dava o recta de ouvir música porque eu achava que música era uma coisa boa para mim, que me alimentava, e que seria injusto naquele momento ouvir música”.
Mas um dia, uma vez que são as coisas no processo do luto, essa depressão virou vontade de produzir — nas palavras dele, “vomitar” o que ele sentia.
“Um desses dias, eu comecei a passar de noite e eu fui ouvir Lorde. E eu chorei muito. Eu não lembro o que eu ouvia, não lembro uma vez que eu ouvia. Eu só lembro que a música bateu muito em mim. Eu fiquei muito aliviado. Falei: ‘OK, eu preciso disso’. E foi um momento de vômito, assim mesmo. Eu escrevi muita coisa e não pensava num álbum, mas eu pensava em realmente me relacionar com aquilo”.
Jão conta que compôs mais de 50 músicas nesse período, sem pensar muito em um álbum, só no que precisava colocar para fora. Entre elas, estavam faixas com novos eus líricos, uma vez que “Eu Sempre Volto”, que é cantada no feminino.
“Eu perdi um pouco a perspectiva das coisas quando eu tava no interno e em junho pretérito. Eu realmente não estava ligando muito pra curso, pra música e não via o porquê e não via muita perdão. Logo eu acho que é um álbum que tem muitas perspectivas diferentes, no momento que eu acho que eu estava um pouco sem perspectiva. Eu falo em algumas perspectivas, do meu pai em ‘Jabuticabeira’, da minha avó em ‘Eu Sempre Volto’, do meu namorado em ‘João'”.
O resultado é um disco emocional, mas que tenta olhar para frente. Essa teoria aparece até na capote do disco, que mostra o cantor “pegando carona” com a Senhora Morte e olhando para o horizonte, sem saber o que vem por aí.
“[A capa mostra como a] morte é cotidiana, e a forma uma vez que a gente se relaciona com ela no dia a dia e a forma uma vez que ela é inesperada. E eu acho que essa é a representação perfeita de uma vez que ela tá ali e uma vez que não existe um objetivo. Acho que eu entendi muito isso, não existe um objetivo com o luto, não existe um objetivo com tentar entender esse sentido. É um estágio de convívio mesmo”.
Jão em sessão de fotos do disco ‘Memórias Póstumas’
Divulgação/Hugo Comte
Não foi fácil grafar e lançar músicas tão pessoais sobre uma perda tão difícil, mormente tendo uma enorme base de fãs. Mas Jão conta que, ao inaugurar sua curso, “fez um trato consigo” de que ia grafar o que quisesse. “Só continuei com o meu trato”, diz.
“Meu pai era uma pessoa extremamente direta e extremamente viva. E eu acho que a minha maneira mais lícito de honrar a vida dele era viver a minha vida de forma mais foda provável. Logo acho que eu me apego muito a isso. Meu pai era meu fã, não existia outra pessoa e tudo que tá acontecendo, tudo que acontece na minha curso, eu quero descrever para ele. É a primeira pessoa. Logo isso me move, saber que meu trabalho deixa ele vivo para mim”.
Ao g1, o músico também confirmou que fará um show de retorno no dia 25 de setembro. Jão também adiantou que será um show num palco 360, o que já era uma vontade dele há muito tempo.
“É um duelo muito grande, porque o Brasil tem poucas poucos lugares onde é provável realizar, mas esse show específico eu sempre quis muito chegar o mais perto de todo mundo provável. Apesar de ter muito orgulho do trabalho que a gente faz e de uma vez que a gente monta os shows, eu sei que a força motriz que liga aquela coisa toda são as pessoas que estão ali”, conta.
João e Pedro
“Memórias Póstumas” inclui “João”, a primeira fita da curso de Jão que não foi composta por ele mesmo (foi escrita pelo namorado dele, Pedro Tófani). Os dois colaboram juntos desde os primeiros álbuns mas, desta vez, a dinâmica foi ainda mais privado.
Jão conta que Pedro mostrou a música para ele, o que faz secção da “linguagem” entre os dois. “João” é uma fita melancólica, com versos uma vez que “Talvez seja a hora de ceder os planos / E nos dar qualquer sota definitivo”.
A fita, que leva o nome do artista, chamou a atenção dos fãs desde o seu pregão. Por fim de contas, não é todo dia que seu ídolo canta uma música composta pelo namorado.
Jão beija Pedro Tofani, seu namorado, durante show em 2024
Reprodução/Instagram
A música é cantada com delicadeza por Jão, que optou por incluir a demo de voz na versão final. “Obviamente, depois quando eu fui produzir a fita, eu arestei as coisas que eu queria arestar, mas aquela voz é a minha da demo, tentando encontrar a melodia porque não existia”.
“É a nossa linguagem, é a maneira uma vez que a gente se conversa, é a maneira uma vez que a gente se fala. E não existia outra maneira de ela estar no disco se não fosse com ele escrevendo, porque eu me questionei sobre isso. Essa é a primeira música do meu catálogo inteiro que eu não escrevi. Mas me pareceu muito oriundo, ao mesmo tempo, que a gente divida isso e que a gente mostre isso também”.
Deve ser uma combinação estranha, se relacionar com uma pessoa com quem você trabalha há tanto tempo. Por motivo dessa mistura entre o pessoal e o profissional, o namoro de Jão e Pedro “aconteceu e desaconteceu” várias vezes, uma vez que ele mesmo contou no post em que anunciava o hiato.
Jão afirma que separar CPF e CNPJ é, sim, “uma grande questão”. “A gente peleja bastante e grande secção das nossas brigas é profissional”, conta. Mas o artista entende que, no caso dele, essa dinâmica tem rendido frutos.
“Acho que qualquer pessoa que está num relacionamento, ainda mais da maneira uma vez que a gente se conhece há tanto tempo, pode imaginar o que é trabalhar, viver com uma pessoa, falar sobre aquela pessoa e aquela pessoa falar sobre você. Mas é a forma uma vez que minha vida aconteceu e eu só reverência que ela aconteça e acho que ela não aconteceria tão muito nem profissionalmente, nem pessoalmente, se não fosse assim”.
Jão se alimenta do cotidiano da relação afetiva com o parceiro Pedro Tófani ao inventar a maioria das canções do álbum ‘Memórias póstumas’
Hugo Comte / Divulgação

Fonte G1

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