Financial Times
Os títulos públicos de diferentes países se valorizaram nesta quinta-feira (15), à medida que temores sobre a sustentabilidade do boom da lucidez sintético levaram investidores a buscar segurança na dívida soberana, principalmente nos Estados Unidos.
Os rendimentos dos títulos do Tesouro americano de dez anos caíram até 0,15 ponto percentual, para 5,04%, o menor nível em três semanas. Mais tarde, voltaram a subir e estavam em 5,10%. Gestores de fundos atribuíram o movimento à venda de ações de fabricantes de chips e à preocupação com o endividamento que sustenta a expansão dos centros de dados.
A valorização dos títulos ocorreu apesar de dados de inflação dos Estados Unidos supra do esperado, divulgados na quarta-feira (14), que normalmente pressionariam os preços dos papéis para reles e seus rendimentos para cima.
Operador da Bolsa observa variação de ações e títulos públicos na Bolsa de Nova York
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Michael M. Santiago/Getty Images via AFP
“Tivemos números de inflação significativamente supra das expectativas, mas o movimento de aversão ao risco se sobrepôs a tudo isso”, disse Ales Koutny, gerente de juros internacionais da Vanguard.
Analistas disseram que as quedas nos rendimentos dos títulos foram intensificadas pelo possante posicionamento negativo amontoado contra a dívida pública durante a liquidação global no mercado de títulos desde o início da guerra no Irã, no término de fevereiro.
Os rendimentos dos títulos alemães de dez anos, outro porto seguro nos mercados globais de dívida, também caíram com o aumento das compras pelos investidores, recuando 0,06 ponto percentual no término da tarde, para 3,41%.
“Bastaram alguns movimentos violentos em certos ativos de risco, e a consequente procura por portos seguros provocou oscilações desproporcionais, à medida que as pessoas zeravam suas posições vendidas”, disse Mike Riddell, gestor de fundos da Fidelity International.
Os investidores estão cada vez mais preocupados com a possibilidade de que a venda de títulos que financiam centros de dados seja um sinal de alerta para a corrida por infraestrutura que impulsionou o desenvolvimento econômico dos EUA e a subida de Wall Street neste ano.
O Nasdaq 100 caía 0,5% no término da manhã em Novidade York, em seguida o recuo de 2% registrado na quarta-feira pelo índice de possante peso tecnológico, pressionado pelas quedas nas ações de empresas de semicondutores.
As ações da Western Do dedo e da Sandisk —fabricantes de chips de memória que estiveram entre as maiores beneficiárias da subida das empresas de chips em Wall Street neste ano— caíam 5% e 3%, respectivamente. A gigante do setor Nvidia recuava 2,1%, enquanto a Intel perdia 4,5%.
Aumentando o nervosismo, o laboratório de IA Anthropic informou aos investidores que sua receita no terceiro trimestre havia subido quase 50%, para US$ 16,8 bilhões, segundo reportagem do Financial Times publicada na quarta-feira —um ritmo mais lento que o registrado no início do ano e inferior das expectativas de alguns investidores.
“Os investidores estão apreensivos diante de qualquer notícia negativa que possa desencadear uma liquidação”, porque “o mercado está muito, muito concentrado em ações de tecnologia”, disse Marija Veitmane, gerente de estratégia de ações da State Street.
Veitmane afirmou que, desta vez, “as preocupações com o crédito foram o rastilho”. “No minuto em que surge alguma notícia negativa, a reação é: ‘vamos vender tudo’”, disse ela.
Os movimentos nos EUA ocorreram depois de as fabricantes sul-coreanas de chips SK Hynix e Samsung Electronics sofrerem outra possante liquidação, com quedas de 11,1% e 9,5%, respectivamente.
No Japão, o Topix recuou 2,4%, enquanto o SoftBank, investidor da OpenAI, despencou 9,3%, e a Kioxia, operário de semicondutores e chips de memória, perdeu 12,3%.
Na Europa, o pequeno grupo de grandes empresas de tecnologia da região ficou sob pressão, com um índice do setor recuando 1,4%. A operário holandesa de equipamentos para chips ASML, maior empresa da Europa, caía mais de 4%.
Analistas alertam para a possibilidade de que segmentos do ecossistema de lucidez sintético enfrentem dificuldades financeiras, com efeitos que podem se estender para além do setor de tecnologia.
Um dos focos de preocupação é a CoreWeave, empresa que aluga capacidade computacional a grandes grupos de tecnologia. O spread dos swaps de risco de crédito (CDS) de cinco anos da companhia superou 11 pontos percentuais nesta semana. O indicador mede o dispêndio de proteção contra um verosímil calote: nesse nível, o investidor paga mais de US$ 11 por ano para proteger US$ 100 em dívida, consideradas as condições do contrato.
A subida do indicador reflete dúvidas sobre a capacidade da empresa de financiar a expansão de sua infraestrutura. Suas ações caíram 2% nesta quinta-feira, ampliando as perdas acumuladas na semana para quase 20%.
Hank Calenti, estrategista de mercados globais do SMBC, afirmou que a vaga de vendas foi impulsionada pelas preocupações com a CoreWeave e com a demanda pelo aluguel de entrada a chips.
“Esta é uma liquidação motivada pelo padrão de negócios”, disse Calenti. “Há temor sobre onde está a fragilidade no ecossistema.”





