'Zumvi' apresenta 50 anos de registos da cultura negra

‘Zumvi’ apresenta 50 anos de registos da cultura negra – 27/03/2026 – Pretos Olhares

Celebridades Cultura

O promanação dos blocos afro em Salvador, a efervescência do movimento preto nas décadas de 1970 e 1980, a movimentação em um tradicional mercado a firmamento franco, a feira de São Joaquim. Essas e outras cenas registradas ao longo de quase 50 anos pelas lentes de Lázaro Roberto e outros seis fotógrafos brasileiros integram o ror do Zumvi Registo Afro Fotográfico.

A iniciativa gestada e mantida por Lázaro desde 1990 reúne 50 milénio imagens e documentos que acompanham importantes momentos da história negra da capital baiana.

Segmento desse ror pode ser visto na exposição em edital no Instituto Moreira Salles, em São Paulo, a partir deste sábado (28). A mostra que leva o mesmo nome da iniciativa apresenta murado de 400 imagens das lutas, das manifestações culturais e da estética da população negra documentadas pelo registro, que é definido por Lázaro porquê um quilombo visual.

A exposição enfatiza o caráter coletivo do projeto, destacando uma Salvador que vai além do imaginário festivo, destacando uma Salvador que vai além do imaginário festivo, marcada por organização política e religiosidade.

“A exposição é um modo da gente recalibrar o olhar sobre os arquivos, porque na maior segmento dos acervos fotográficos no Brasil de pessoas negras aparecem porquê fotografados, raramente porquê autores”, afirma Helio Menezes, curador da exposição.

Historicamente, imagens da negritude foram feitas por pessoas brancas que registravam a identidade e a cultura afro-brasileira porquê “o outro”, porquê objeto de estudo e porquê sujeito exótico.

O Zumvi inverte essa lógica.

Nas imagens feitas por Lázaro e pelos artistas que integram o ror, a população negra é autora de sua própria narrativa, marcada pelo reverência à identidade das pessoas e às práticas culturais e religiosas.

“Pensando numa dimensão em que pessoas negras são fotografadas sem nome, cá era fundamental ter nome e sobrenome”, diz o curador.

Helio, Lázaro e o historiador José Carlos, sobrinho do fundador do registro e membro da equipe, receberam jornalistas em uma entrevista coletiva no IMS.

O nome Zumvi, conta o pai da iniciativa, surgiu de uma tentativa de produzir uma “termo fotográfica” capaz de sintetizar sua prática. A sentença combina dois elementos: “Zum”, em referência à lente zoom da câmera, capaz de aproximar uma verdade distante, e “vi”, que remete ao olhar e à capacidade da retrato de preservar acontecimentos históricos a partir de uma ótica privado.

Nascido e criado em um bairro periférico de Salvador, Lázaro conta que sua paixão pela retrato nasce na dezena de 1960, quando teve contato com um grupo de jovens criado por um padre recém-chegado à região. Foi no grupo que ele teve contato com diferentes manifestações artísticas e também com militantes do movimento preto. “Foi a retrato que me deu consciência racial”, diz.

Sempre atuante em momentos porquê a visitante de Nelson Mandela à Bahia (1991) e os primeiros desfiles de blocos afro porquê o Ilê Aiyê (anos 1970), ele percebeu que seu trabalho não se encaixava nos circuitos tradicionais da arte na capital baiana. Foi quando começou a compreender sua produção porquê documentação histórica. “Depois de mais de 15 anos na retrato, percebi que fotografava não para o presente, mas para o horizonte.”

Ele começa, logo, a increver e arquivar suas imagens em uma trajetória marcada por dificuldades materiais e falta de reconhecimento. Ele organiza as quase cinco décadas de fotografias em 16 temáticas, entre elas estão: religiosidade, estética, blocos afro, trabalho, movimento preto e cultura urbana.

Nesses 35 anos, o ror do Zumvi passou por espaços emprestados e foi, por muito tempo, armazenado na moradia de Lázaro, que convivia com o cheiro dos produtos químicos e com a umidade que ameaçava degradar os filmes. Foi somente em 2024 que o projeto conquistou sua sede, no Pelourinho, a partir de uma parceria com o Ipac (Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia).

Mas o ror começou a crescer muito antes: a primeira doação foi recebida em 2006. Quando o registro recebe os registros feitos por Jônatas Conceição, militante do MNU (Movimento Preto Unificado) e diretor do conjunto afro Ilê Aiyê. Lázaro conta que ele entregou as imagens quando já estava em um estado avançado de cancro.

“Eu não podia deixar aquele material se perder. Me preocupava muito com essa memória”, afirma.

Hoje, o Zumvi reúne o trabalho de sete fotógrafos e oferece cursos para jovens negros de escolas públicas que queiram aguçar o olhar fotográfico. O reconhecimento começou a vir a partir de 2018, afirmam Lázaro e seu sobrinho José Carlos. Mas, infelizmente, ainda a passos muito curtos.

Ambos relatam frustração por terem promovido, até o momento, poucas exposições para explorar a riqueza do ror. O libido da dupla é que o trabalho do Zumvi cresça e consiga, cada vez mais, se estabelecer porquê um projeto de memória coletiva.

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Folha

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