Com somente um zero a zero na primeira rodada —graças à reluzente atuação do goleiro Vozinha no jogo de Cabo Verdejante contra a Espanha—, a Despensa do Mundo de 2026 tem média de 3,1 gols por jogo, mais que os 2,6 de 2022, quando quatro partidas terminaram sem gols.
A primeira rodada período de grupos também contou com algumas goleadas, a maior delas protagonizada pela tetracampeã Alemanha contra Curaçao, estreante em Copas, em um memorável 7 a 1.
A seleção europeia liderou o ranking de finalizações certas com 12 chutes em direção ao gol –sete entraram, outras cinco defendidas. Já Curaçao teve duas finalizações certas (sendo um gol) e outras seis para fora.
A primeira rodada da Despensa também teve seleção que chutou muito, mas sem pontaria: a Turquia, time que mais finalizou até agora. No totalidade, foram 30 tentativas dos turcos. Dessas, 12 foram bloqueadas pela resguardo australiana, 10 foram para fora e 8 na direção certa —todas defendidas pelo goleiro Beach. A Austrália bateu a Turquia por 2 a 0.
No lado oposto, Iraque, Paraguai e Portugal conseguiram finalizar uma única vez no gol oponente, e a esfera entrou. Essa de eficiência, porém, não representou um bom resultado. No termo, iraquianos e paraguaios foram goleados por 4 a 1 por Noruega e Estados Unidos, respectivamente. Já os portugueses, favoritos a vencer a República Democrática do Congo, empataram em 1 a 1.
Taboca também marcou a partida do time que mais chutou para fora na primeira rodada da Despensa do Mundo. Das 27 finalizações da Espanha, 12 foram para a risco de fundo. Espanhóis e caboverdianos ficaram no empate em 0 a 0, resultado muito comemorado pelo país africano.
No quesito dribles, houve surpresa no topo do ranking. A seleção que mais rabiscou em campo foi o Estados Unidos com 35 tentativas, sendo 22 delas bem-sucedidas (62,9%). Em menor volume, mas com maior eficiência, a Austrália converteu 8 dos 11 dribles tentados (72,7%).
Estreantes no torneio, Curaçao e Uzbequistão estão entre os países que tiveram ao menos 50% de aproveitamento de dribles. O país caribenho teve 57% (12 de 21), enquanto a seleção asiática teve 50% (5 de 10).
Em eficiência, a Espanha liderou nos desarmes bem-sucedidos. Das 13 tentativas, 12 deram evidente (92%). A Argentina, que chamou atenção na secção ofensiva com três gols de Messi, teve 70% de desarmes muito feitos. A França de Mbappé, 73%.
Sem nenhuma surpresa, a Espanha também liderou com sobras o ranking de passes tentados. A seleção deu 800 toques e acertou 734, com uma precisão de 91,8%. Portugal, entretanto, com menos passes, teve uma precisão maior: Dos 783 toques da seleção portuguesa, 724 foram bem-sucedidos (92,5%).
A período de grupos contou com 603 finalizações das seleções, sendo que 63% (381) foram feitas de dentro da dimensão, buscando uma melhor posição para nutar as redes. A Holanda ficou no movimentado empate em 2 a 2 com o Japão e todas as dez finalizações da equipe foram feitas dentro da dimensão, incluindo o cabeceio certeiro de Van Dijk e o chuto disposto de Summerville que mexeram no placar.
A primeira rodada da Despensa teve 167 faltas a mais do que em 2022, principalmente por conta do maior número de jogos. A média de cartões diminuiu de 3,3 para 2,8 por partida. O Haiti lidera no número de faltas cometidas com 23.
Também houve menos cartões amarelos. O Paraguai foi o país mais punido, com cinco cartões no jogo contra os americanos. Já cartões vermelhos, são três até agora, quase a mesma quantidade mostrada na Despensa do Qatar (4).
BRASIL
O Brasil teve desempenho aquém da média dos dez países mais muito colocados em vários critérios táticos: gols, chuto a gol, precisão do chuto, tempo de posse de esfera, percentual de passes corretos, drible, desarmes, faltas cometidas, chutes dentro da dimensão e chutes fora da dimensão.
A única métrica em que a seleção brasileira figura nos top 10 é chuto de dentro da dimensão, de onde partiram 77% das finalizações. O Brasil, uma vez que se sabe, pecou na pontaria. Das 12 finalizações, quatro foram para fora e três foram bloqueadas pela resguardo marroquina.
Em conferência com a estreia na Despensa de 2022, quando bateu a Sérvia por 2 a 0, o Brasil despencou em produção ofensiva: foram 23 chutes na Despensa passada contra os 12 deste ano.
O Brasil também piorou nos desarmes efetuados (de 58,8% das tentativas para 52,2%) e de tempo de posse de esfera (de 58,7% para 51,2% do totalidade do jogo).
Nos dribles, por exemplo, os países no top 10 tiveram aumento de mais de 40% em relação a 2022, passando da média de 8,2 para 11,5. Os Estados Unidos lideraram em dribles, com 20, seguidos de Marrocos, com 16.
A Argentina, com três gols de Messi, também foi eficiente em parar as jogadas da Argélia na vitória por 3 a 0. Foram 68% de desarmes muito feitos, dando a liderança para os hermanos neste vista.
Desempenho das estreantes
As estreantes Curaçao e Jordânia fizeram bonito nos dribles, figurando entre as top 10 nesse quesito.
Outros que se destacaram entre as dez melhores foram República Democrática do Congo (dribles), Argélia (passes corretos), Iraque (dribles e desarmes) e Egito (desarmes e chutes dentro da dimensão, neste último empatado com Brasil, Irã, Canadá, Coreia do Sul, Holanda e Novidade Zelândia).
A grande zebra da primeira rodada foi Cabo Verdejante, única a marcar um ponto entre as quatro seleções que disputam o torneio pela primeira vez.
Curaçao, Jordânia e Uzbequistão, embora tenham conseguido marcar um gol cada, perderam.
Cabo Verdejante conseguiu segurar uma das seleções favoritas no torneio com a ajuda de sete defesas do goleiro Vozinha e somente uma falta cometida. É o menor número de infrações cometidas por uma seleção em Copas do Mundo desde 1966, início da série histórica de medições da Opta.
Já o goleiro Eloy Room de Curaçao foi o que mais sofreu gols na primeira rodada, com o novo 7 a 1 que levou a Alemanha a ultrapassar o Brasil uma vez que seleção que mais marcou gols na história das Copas.
Jordânia e Uzbequistão perderam pelo mesmo placar de 3 a 1 contra Áustria e Colômbia, respectivamente. Mas no quesito chutes a gol, a Jordânia saiu melhor na estreia que o Uzbequistão: 11 contra 8.
O Uzbequistão, comandado pelo técnico Fabio Cannavaro, último capitão italiano a levantar uma taça de Despensa do Mundo, foi melhor que a Jordânia em posse de esfera: 38,6% contra 36,8%.





