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Salão do Livro do Piauí viu a literatura como um
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Salão do Livro do Piauí viu a literatura como um bem comum – 18/06/2026 – Djamila Ribeiro

O Piauí recebe com fidalguia. Essas palavras, que são do poeta Salso Maranhão, me acompanham sempre que tenho a alegria de voltar ao estado.

Nessa última semana, estive em Teresina para participar do Salão do Livro do Piauí, o Salipi, pela terceira vez nos últimos sete anos. Desta vez, porém, a emoção foi dissemelhante. Recebi o título de embaixadora do Salipi, fazendo companhia ao próprio Salso, também legado. É uma honra que acolho com gratidão e siso de responsabilidade.

Em um tempo de tantas telas e distrações, a literatura ainda pode ser celebrada porquê um muito geral. As feiras literárias desempenham um papel fundamental nesse sentido, sobretudo quando acompanhadas de investimento e muito paixão pelas pessoas responsáveis por organizá-las.

Essa 24ª edição do Salipi foi uma prova viva disso. Às vésperas de completar um quarto de século, o salão literário piauiense se consolidou porquê uma das mais dinâmicas, populares e inovadoras vestígios de paixão ao livro, não só no Brasil, mas em todo o continente americano.

Dinâmica, pois, com recursos reduzidos comparados às grandes feiras do Sudeste, ou ainda às feiras internacionais dos países vizinhos, o Salipi faz milagre intercorrer. Seu orçamento não é muito dissemelhante de uma modesta feira do interno de São Paulo, por exemplo.

Todavia, o salão recebeu mais de 300 milénio pessoas neste ano, um número impressionante, durante seus dez dias de programação gratuita. Foram dezenas de escritores e escritoras de todo o Brasil. Nessa edição, em que o homenageado foi o poeta piauiense Paulo Machado, o salão se notabilizou por uma programação estelar e ingressos do auditório principal da Universidade Federalista, a UFPI, esgotados dia posteriormente dia.

O Salipi também é inovação. Um exemplo é o cheque Salipi, um crédito a estudantes da rede pública, os quais recebem R$ 30 para comprar o livro que quiserem. Trata-se de uma política pública do governo do estado que tem sido exportada para feiras literárias de outras regiões, pois, além de fomentar a leitura na idade mais importante, também estimula a atividade mercantil das livrarias —que fazem fileira pela oportunidade de montar seus estandes.

Somente nesta edição, segundo dados oficiais, foram R$ 300 milénio destacados para o cheque Salipi, impactando a vida de centenas de milhares de jovens. A teoria só pode parecer pequena para quem nunca precisou escolher entre cultura e sobrevivência. Hoje, porquê já dito, iniciativas semelhantes se espalham pelo país, mas é importante lembrar que a ação pioneira nasceu ali, em Teresina.

Na capital do estado, tive um dia de passeio por experiências que me marcaram. De manhã, visitei a Mediano de Artesanato do Rabino Dezinho, que homenageia o pomposo estatuário piauiense que fundou, de modo autodidata, a arte talhada em cedro para honrar promessas aos santos, estes acompanhados de referências típicas da cultura sítio.

Suas obras estão espalhadas pelo mundo, com exposições em vários países das Américas, Europa e Ásia. Rabino Dezinho, que teve uma infinidade de discípulos, ficou espargido porquê o fundador da “arte santeira”. A meão que o homenageia estimula economicamente artistas de todo o estado.

Segundo conta o professor Kássio Gomes, presidente da Instauração Quixote, entidade que organiza o Salipi, quando Ariano Suassuna foi a Teresina para uma de suas primeiras edições, ele também teve seu dia de passeio e visitou a igreja do bairro Vermelha, que guarda uma segmento importante do pilha de Rabino Dezinho. Suassuna ficou apreciando suas obras por três horas, sendo o último da excursão a deixar a igreja. Seduzido, disse ter estado diante de um artista à profundeza de Aleijadinho.

Da Mediano de Artesanatos, carregada de compras de esculturas, toalhas rendadas e castanhas de caju, fui almoçar no restaurante Flutuante, que fica em uma jangada desativada pela construção da ponte no encontro dos rios Poti e Parnaíba, que contornam Teresina.

O restaurante apresenta uma vista espetacular dos rios, da mata e de pescadores que passam em um outro ritmo de vida. Fiquei ali observando os barcos passando lentamente, os pássaros aguardando o momento exato para dar o bote em qualquer peixe, a atmosfera serena, enquanto saboreava cajuína, outro patrimônio intocável do estado.

Essa capacidade de surpreender faz desse Estado um lugar único. Há riquezas abundantes que o país conhece pouco —e precisa saber mais. A opala, pedra preciosa encontrada somente no Piauí e na Austrália, os impressionantes Cânions do Viana, o Delta do Parnaíba, a Serra da Capivara, as tradições populares, a trova, a música, a culinária, a história, o Rabino Dezinho, a cajuína, o Salipi… o Piauí é mesmo arrebatador.


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Folha

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