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5 a 4: privilegiado quem jogou, afortunado quem assistiu
Esporte

5 a 4: privilegiado quem jogou, afortunado quem assistiu – 29/04/2026 – O Mundo É uma Bola

“Foi o melhor jogo de futebol em que estive envolvido.”

A enunciação do português Vitinha, um dos volantes portugueses do Paris Saint-Germain, reflete o que não só ele, mas muito possivelmente a maioria dos jogadores envolvidos na partida, vivenciou nesta terça-feira (28) no estádio Parque dos Príncipes, em Paris.

Vitinha considera-se um privilegiado por ter participado, e com o privilégio extra de seu time ter vencido, de PSG 5 x 4 Bayern de Munique, jogo de ida de uma das semifinais da Champions League, o principal interclubes europeu.

Isso somente duas semanas depois de o mesmo Bayern ter estado, porquê vencedor diante do Real Madrid, em um outro thriller, 4 a 3, nas quartas de final.

Eu também posso me considerar fausto, pois assisti a um dos melhores jogos da história. Quisera ter sido não pela TV e sim no estádio, que tive a feliz oportunidade de saber meses detrás.

Não foi em dia de jogo (era intertemporada na Europa), logo fiz um tour, em um dia quente e ensolarado do verão galicismo. O campo vazio tem seu portento, os assentos sem a torcida parecem ampliar a grandiosidade da estádio, que é muito formosa, colorida de vermelho, azul e branco.

Circulei nas proximidades do gramado, tirei várias fotos, havia centenas de visitantes e uma espécie de gincana para as crianças no espaço detrás de um dos gols. Sentei-me nas cadeiras e imaginei porquê seria fantástico qualquer dia ver jogadores de tá nível desfilarem o futebol ali, metros primeiro.

Vale muito a visitante, assim porquê vale saber Roland Garros, palco de um dos Grand Slams do tênis, outra paragem minha na Cidade Luz.

Usei o adjetivo fantástico e o repito: fantástico em uma noite primaveril de clima sereno e sedento foi para os 48.853 afortunados que presenciaram “in loco” o espetáculo exibido do prelúdios ao término pelas equipes francesa e alemã no Parque dos Príncipes. Um futebol majestoso.

(Um parêntesis: o estádio, levantado em 1897 e que é a vivenda do PSG desde 1974, é assim chamado porque nos séculos 16 a 18 os filhos do rei da França brincavam e caçavam naquela superfície.)

Uma partida enxurro de alternativas, com Bayern na frente, viradela do PSG, empate do Bayern, goleada provisória do PSG (5 a 2), reação do Bayern, insuficiente para a paridade mas suficiente para fabricar uma expectativa imensa para o confronto de volta, na Alemanha.

Pouquíssimos passes errados, lançamentos precisos, ataques muito articulados, contra-ataques de qualidade, gols em riqueza, faltas em falta. Reclamações mínimas à arbitragem, lealdade nas disputas de globo, zero de catimba ou cera. É de sorrir de lado a lado por 90 minutos mais acréscimos.

Será que a Libertadores, a “Champions da América do Sul”, terá neste ano uma semifinal nesse nível de disputa e de artilharia, com nove gols? Difícil cevar essa esperança quando, ao olhar para as semifinais de 2025, as mais recentes (Flamengo x Racing e Palmeiras x LDU), todos os quatro jogos somados tiveram um gol a menos que PSG x Bayern.

É necessário voltar cinco décadas no tempo, a 1976, para o nosso primeiro 5 a 4. A Libertadores daquele ano teve, na temporada de grupos, um Cruzeiro 5 x 4 Internacional no Mineirão, em Belo Horizonte.

Joãozinho e Palhinha, com dois gols cada um, conduziram a Raposa à vitória contra o Colorado do zagueiro chileno Elias Figueroa e de um jovem Paulo Roberto Falcão, o porvir Rei de Roma. Nelinho, de pênalti, aos 40 minutos do segundo tempo, fez o nono gol dessa histórica partida, vista no estádio Governador Magalhães Pinto por 65.463 pessoas.

Talvez o melhor time que o Cruzeiro já teve, dirigido por Zezé Moreira (1907-1998), depois de incluir um 7 a 1 na temporada semifinal no Alianza de Lima, derrotou o River Plate na decisão, em campo neutro, no Chile, em um eletrizante 3 a 2 (cinco bolas na rede!), com o gol do título, de Joãozinho, a dois minutos do término.

Depois, passados 24 anos, no ano que encerrou o século 20, o Corinthians vencedor mundial (de Dida, Vampeta, Ricardinho, Marcelinho Carioca e Edílson Capetinha) registraria no estádio do Pacaembu, em São Paulo, mais um 5 a 4, tendo porquê inimigo o paraguaio Olimpia na temporada de grupos. Luizão marcou três gols.

E mais recentemente, em 2019, também na temporada de grupos, Universidad de Concepción, que ganhou o jogo, e Sporting Cristal, do Peru, repetiram esse placar em partida no Chile.

Ou seja, já conseguimos, o futebol sul-americano, ser páreo com a Champions de hoje. Falta levar esse patamar de emoção, um 5 a 4, para uma temporada aguda, para uma semifinal.

Folha

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