A Noruega —opositor do Brasil neste domingo (5) pelas oitavas de final da Despensa do Mundo— tem seu futebol comandado hoje por uma mulher.
Lise Klaveness é presidente da NFF (Federação Norueguesa de Futebol) —a primeira mulher em 120 anos a comandar a entidade.
A ex-jogadora de futebol, advogada e hoje dirigente esportiva ganhou notabilidade entre os dirigentes de futebol do mundo por posições políticas e por discursos críticos às decisões da Fifa.
Na Despensa do Qatar de 2022, Klaveness fez duras críticas ao tratamento oferecido a trabalhadores imigrantes antes do torneio e também às leis que restringem direitos LGBTQIA+ no país. Ao longo das eliminatórias para a Despensa deste ano, a NFF, sob seu comando, criticou Israel pelas operações militares que resultaram na morte de civis em Gaza.
Sob seu comando, o futebol norueguês vive uma boa período. A seleção feminina chegou às quartas de final da Eurocopa de 2025. E a masculina —do planeta Erling Haaland— disputa a sua primeira Despensa do Mundo em 28 anos.
Críticas à Despensa no Qatar
Em março de 2022, poucos meses depois de ser eleita presidente da federação, Klaveness provocou desconforto universal em um congresso da Fifa em Doha, no Pesquisar. O país estava prestes a sediar a Despensa do Mundo daquele ano.
No Congresso, Klaveness fez um exposição com duras –e raras– críticas ao país-sede pelo tratamento duro oferecido a trabalhadores imigrantes que construíram os estádios da Despensa e pela falta de garantia a homossexuais no país.
“A Despensa do Mundo foi concedida pela Fifa de maneira incabível e com consequências inaceitáveis”, disse ela em um exposição que ganhou as manchetes em todo o mundo.
“Os trabalhadores migrantes feridos e os familiares daqueles que morreram durante os preparativos para a Despensa do Mundo precisam receber assistência. A FIFA —e todos nós— deve adotar as medidas necessárias para realmente implementar mudanças.”
“Não há espaço para empregadores que não garantam a segurança dos trabalhadores da Despensa do Mundo, nem para líderes incapazes de sediar o futebol feminino, nem para anfitriões que não possam certificar legalmente o reverência e a segurança das pessoas LGBTQ+ que vêm a levante ‘teatro dos sonhos’.”
Não foram exclusivamente as declarações que ganharam destaque. Klaveness é casada com outra mulher —e sua mera presença no Qatar poderia ser considerada um delito pelas leis locais, onde a homossexualidade é criminalizada.
No mesmo exposição, ela também fez críticas à decisão da Fifa de sediar a Despensa de 2018 na Rússia —um pouco que, segundo ela, vai contra “os interesses centrais do futebol” ao não seguir princípios de direitos humanos, paridade e democracia.
Na era, o secretário do comitê organizador da Fifa para a Despensa de 2022, Hassan Al Thawadi, se disse desapontado com as declarações públicas de Klaveness e por ela não ter levantado suas preocupações de forma privada com os dirigentes, antes de vir a público.
Um ano posteriormente a Despensa no Qatar, ela voltou ao país para verificar se houve melhorias na situação dos direitos humanos no país do Golfo. A Fifa havia prometido gerar fundos educacionais e julgar uma vez que mourejar com acusações de abusos de direitos humanos —sobretudo contra trabalhadores imigrantes nas obras da Despensa.
No Qatar, Klaveness se reuniu com trabalhadores, autoridades e representantes de ONGs. Na era, ela disse à BBC em Doha que a Despensa do Mundo “realmente impulsionou algumas mudanças bastante progressistas” no tratamento de trabalhadores migrantes, mas também afirmou ter identificado “dificuldades na implementação” de algumas reformas prometidas.
Quanto à questão dos direitos de homossexuais no Pesquisar, Klaveness disse que “as questões continuam tão sensíveis e controversas quanto antes, e não houve qualquer progressão”.
Uma pioneira em ambientes dominados por homens
A paixão de Klaveness por futebol começou cedo. Na puerícia em Bergen, cidade de murado de 290 milénio habitantes no oeste da Noruega, ela jogava nos clubes locais e treinava até sete horas por dia com seu pai.
Uma vez que jogadora, ela se destacou uma vez que meia atacante em times da Noruega, com uma breve passagem pela Suécia. Teve passagem também pela seleção feminina da Noruega. Em 73 jogos, marcou nove gols —e participou de duas Copas do Mundo, nos EUA em 2003 e na China em 2007, quando a Noruega ficou em quarto lugar. Em 2005, foi vice-campeã da Eurocopa.
Ao pendurar as chuteiras, seguiu curso uma vez que advogada e depois juíza em Oslo e assessora jurídica do Banco Médio norueguês. Mas continuou ligada ao mundo do futebol, se tornando a primeira comentarista mulher da televisão norueguesa —uma função onde precisou enfrentar preconceitos.
“As pessoas comentavam sobre a minha figura e diziam que eu era feia. Acho que encontrei motivação nisso – a capacidade de expor ‘não ligo’, embora, na verdade, eu ligasse”, contou Klaveness em entrevista ao jornal Financial Times em 2023.
“Acho interessante me sentir vulnerável, me sentir ridícula e feia. Eu queria mudar isso e fiquei furiosa. Para mim, é sempre bom passar do pânico e da tristeza para a raiva; eu transformo tudo isso em uma sentença de guerra.”
O trabalho uma vez que comentarista abriu portas para um outro mundo: o de dirigente de futebol. Nesse universo subjugado por homens, Klaveness foi novamente pioneira: a primeira mulher diretora técnica das seleções feminina e masculina e em seguida a primeira mulher presidente da federação norueguesa.
Ela conta que apesar de enfrentar muitos desafios e preconceitos, nem sempre sofreu resistência de todos.
“Eu lembro do meu primeiro dia no ofício [como diretora técnica da federação], eu sabia que eu seria encarregado dos técnicos das seleções masculinas. Eu sentia no meu corpo que isso seria uma guerra e uma peleja. Mas nunca foi. Eu fui recebida muito calorosamente. Naquela era eu senti que estava com pânico de um pouco que não existia ali. Acho que o mundo está pronto para ter uma mulher líder no futebol.”
Em 2023, ela tentou se seleccionar para uma vaga no comitê executivo da Uefa. Na eleição, 11 pessoas disputavam sete vagas, e Klaveness era a única mulher. Ela poderia ter disputado uma vaga no comitê exclusiva para mulheres —para o qual ela teria exclusivamente uma rival em uma eleição.
Mas Klaveness não aceitou disputar a vaga pela quinhão feminina.
“Eu não paladar da estrutura de se ter uma vaga para mulheres. É uma estrutura que eu acho que é muito intencionada, mas tem o transe de colocar mulheres capazes umas contra as outras. E assim uma consegue a vaga e a outra é eliminada”, disse ela em entrevista à BBC em 2023.
Na eleição, ela acabou recebendo a segunda pior votação e não conseguiu uma vaga.
“Entrar no comitê não é um término em si só, se isso não ajudar a motivo. Eu quero um sistema onde as pessoas são eleitas por valor. Esse é o posto de liderança máxima do futebol europeu. Eu sou qualificada. Eu liderei a seleção masculina e a feminina.”
Mas em 2025, a Uefa criou mais uma vaga feminina e ela decidiu concorrer, sendo eleita.
“Há agora uma segunda vaga destinada a mulheres, e minha opinião era de que não tentar conquistá-la desta vez seria contraproducente”, disse.
Posições políticas
Uma de suas marcas primeiro da NFF (Federação Norueguesa de Futebol) foi a coragem em manifestar posições políticas —em um envolvente que frequentemente evita.
Em dezembro de 2024, quando a Fifa realizou um congresso virtual para confirmar as sedes das Copas do Mundo masculinas de 2030 e 2034, as federações de futebol da Noruega e da Suíça foram as duas únicas —entre 211 associações— a manifestar preocupação com o processo de escolha, dizendo que os valores do futebol não estavam sendo considerados. A Arábia Saudita foi escolhida uma vez que sede da Despensa de 2034.
Sob o comando de Klaveness, a federação norueguesa foi a única no mundo ocidental a se manifestar sobre a guerra em Gaza. A Noruega não chegou a boicotar partidas contra Israel, mas a federação fez um apelo por uma “interrupção imediata dos ataques desproporcionais contra civis inocentes em Gaza” e uma investigação contra Israel.
Em março deste ano, ela foi reeleita presidente da Federação Norueguesa de Futebol.
A Uefa afirma que, sob o comando de Klaveness, o futebol norueguês vive uma “poderoso subida”.
A seleção feminina chegou às quartas de final da Eurocopa Feminina de 2025, na Suíça, e a seleção masculina se classificou para a Despensa do Mundo pela primeira vez desde 1998.
“Lise Klaveness lidera a NFF em um período marcado por resultados positivos, tanto no futebol de base quanto no de escol”, afirmou Jan Petter Hagen, presidente do comitê eleitoral da NFF.
“Ela é uma líder de destaque e com atuação clara, tanto vernáculo quanto internacionalmente, em consonância com as expectativas estabelecidas pelos órgãos democráticos do futebol norueguês”.





