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Amyr Klink: filme adiciona conflito com pai autoritário 29/05/2026
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Amyr Klink: filme adiciona conflito com pai autoritário – 29/05/2026 – Ilustrada

Ao adequar “Centena Dias Entre Firmamento e Mar”, Carlos Saldanha encontrou uma história que não estava no livro que transformou Amyr Klink em notoriedade pátrio. Em “100 Dias”, filme estrelado por Filipe Bragança, a travessia do Atlântico aparece também porquê a história de um fruto tentando se libertar da sombra de um pai dominador.

Essa é uma das principais diferenças entre o livro lançado no ano seguinte à viagem de 1984 e a produção que chegará aos cinemas em 29 de outubro. Embora a travessia permaneça no meio da narrativa, o filme dá destaque a uma relação familiar que Klink afirma não ocupar o mesmo espaço na obra original.

A produção foi apresentada nesta sexta-feira (29) no Rio2C, no Rio de Janeiro. Depois um pintura sobre o longa, Saldanha e Klink conversaram com a Folha.

A sinopse solene do filme apresenta o protagonista porquê um jovem que luta “contra a sombra de um pai dominador” enquanto atravessa sozinho o oceano entre a Namíbia e a Bahia. O pai, Jamil Klink, interpretado por Felipe Camargo, aparece porquê um dos personagens centrais da trama.

Segundo Klink, o tema surgiu durante as conversas que alimentaram o roteiro escrito por Elena Soarez e Thais Tavares. Ele descreve o pai porquê um varão duro, conflituoso e exigente. Fruto de imigrantes libaneses, o rapaz cresceu sob poderoso pressão familiar e manteve uma relação difícil com ele durante anos.

A tensão era tamanha que, quando partiu de Luderitz, na Namíbia, em 1984, para tentar uma travessia inédita do Atlântico Sul a remo, o pai sequer sabia da expedição. “Ele não soube da viagem. Soube quando eu já estava no meio do Atlântico. Ficou possesso de raiva”, afirmou Klink.

A reconciliação viria durante a própria viagem. Por meio da rede de radioamadores que acompanhava a façanha, pai e fruto voltaram a se falar enquanto o navegador avançava em direção a Salvador, no litoral brasílio.

Para Saldanha, o que o atraiu não foi unicamente o feito esportivo ou náutico, mas a transformação vivida pelo personagem. Diretor de animações porquê “Rio”, “A Era do Gelo” e “O Touro Ferdinando”, ele se interessa por histórias em que os protagonistas mudam ao longo da jornada.

“Você secção numa jornada da qual não sabe se vai chegar. Tem um duelo e tem o incremento da pessoa durante essa jornada”, afirmou. Foi justamente essa leitura que orientou a adaptação. Embora o filme recrie acontecimentos reais da travessia, ele também incorpora situações imaginadas pela equipe.

Algumas cenas foram alteradas para fins dramáticos. Outras nasceram da versão do diretor sobre o que poderia ter realizado na mente de um varão sozinho durante século dias no oceano.

“A gente tentou o sumo verosímil chegar perto dos acontecimentos”, afirmou Saldanha. “Mas criei duas cenas de sonho. Foram interpretações minhas de porquê ele sonharia.”

Klink preferiu não assumir o papel de fiscal da própria biografia. Segundo ele, a crédito na equipe permitiu uma liberdade incomum para um personagem retratado ainda em vida. “Eu poderia ser daqueles autores que falam: ‘não, tem que ser assim’. Mas não falei zero.”

A mesma crédito aparece quando fala de Filipe Bragança. O ator passou meses se preparando para viver o navegador. Aprendeu a vogar, estudou a letra de Klink, treinou navegação com sextante e tentou ortografar com a mão esquerda. Também perdeu muro de 11 quilos para reproduzir o físico do jovem que atravessou o Atlântico aos 28 anos.

A preparação incluiu detalhes que hoje pertencem a outra era tecnológica. Quando realizou a viagem, Klink não tinha GPS, internet, telefone via satélite portátil nem sistemas modernos de navegação. Bragança precisou aprender a usar instrumentos cartográficos que desapareceram da rotina da maioria dos navegadores.

O momento em que o próprio Amyr se convenceu da escolha foi simples: “Quando eu vi que esse face queria dormir dentro do navio, manducar dentro do navio, entender porquê era a dinâmica, falei: esse troço vai dar claro.”

A história de pai e fruto que Saldanha encontrou na travessia acabou ecoando também na relação de Klink com a filha Tamara, hoje navegadora. Quando ela pediu emprestado um de seus barcos para realizar sua primeira expedição, recebeu uma resposta negativa.

“Se eu te der na bandeja, na mão, eu vou perder os dois. Você tem que erigir a sua história”, disse o Klink. Tamara seguiu adiante sem a ajuda e de veste construiu a própria trajetória no mar. Anos depois, quando ele finalmente se ofereceu para emprestar a embarcação, ouviu uma resposta que o divertiu.

“Pai, agora não quero mais.” Ao explicar a decisão de não facilitar o caminho da filha, o navegador acabou resumindo também uma das ideias centrais do novo filme: “História é uma coisa que não se herda. História, cada um constrói a sua.”

Folha

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