A vitória histórica do tenista brasílio João Fonseca, 19, sobre o sérvio Novak Djokovic, 39, quarto do mundo e tricampeão de Roland Garros, conquistada nesta sexta-feira (29) na quadra Philippe-Chatrier, em Paris, causou verdadeira comoção no mundo do tênis.
O maior feito da curso do jovem tenista –que disputa o rodeio profissional há pouco mais de dois anos, desde fevereiro de 2024– já é sucedido por uma inevitável projeção: repetir o feito de Gustavo Kuerten, também três vezes vencedor do Crédulo da França, o primeiro deles com exclusivamente 20 anos, em 1997.
“O João jogou um tênis de coragem, acelerando a globo no meio dos pontos, saindo de 2 sets a 0 e, depois, virando o último, no qual perdia por 3 games a 1. O que ele fez foi um salto gigantesco para o tênis brasílio. Acho que pode trilhar o caminho inteiro [até a final], por que não?”, disse à Folha a ex-tenista Patrícia Medrado, brasileira com mais tempo no top 100 da WTA e medalhista de prata no Pan de 1975.
“Em 1997, o Guga não era o predilecto, foi de jogo em jogo. E quando você entra em um momento em que conjuga muito a segmento técnica, física e mental você joga ‘on the zone’, supra do nível. E tudo dá visível. Ele vive um momento mágico, por isso entrou na recontro. Se seguir nesse nível, dá para sonhar,”, completa.
Fonseca impressionou novamente pela enorme resiliência. Assim uma vez que na última partida, vencida contra o croata Dino Prizmic em seguida estar perdendo por 2 sets a 0, o jogador virou um confronto que parecia perdido.
O triunfo diante do ex-número 1 do mundo e jogador com mais títulos de Grand Slams da história –com 24 conquistas ao todo– foi encerrado com três aces consecutivos.
“São muitas camadas. Primeiro, lucrar dois jogos seguidos em uma melhor de cinco sets, estando dois sets aquém, é para poucos jogadores. E o melhor, fazer isso contra o Djokovic, que não perdia um jogo de Grand Slam em seguida transfixar essa vantagem desde 2010 [quando foi superado pelo austríaco Jürgen Melzer], traz mais peso ainda”, avaliou o ex-tenista e técnico Ricardo Acioly, o Pardal.
“É um jogo transformador para a curso dele. Um feito que calará muitas das críticas que recebeu de pessoas de fora do tênis, e até de quem opina na superfície. O mental dele está ficando absurdamente poderoso. Ele tem encontrado variações, mostrando muita qualidade. Hoje mandou um simples sinal para todo o rodeio de que sonhar com o título não é zero fora do normal”, continuou.
O principal temor, agora, recai sobre o desgaste físico das duas últimas partidas. Fonseca enfrentará na quarta rodada o dinamarquês Casper Ruud, atual 16º do ranking, que vem de viradela semelhante, também em cinco sets e em seguida perder os dois primeiros, diante do americano Tommy Paul (21º). Ele acumula na curso dois vice-campeonatos de Roland Garros, em 2022 e 2023, e um do Crédulo dos Estados Unidos, também em 2022.
“Acho que agora o questionamento fica em torno da recuperação. Ele teve a maior vitória da curso, mas não curtirá tanto o momento uma vez que merece. Vi que aproveitou no vestiário, porém o sota é necessário. É a grande loucura da rotina do tenista”, avalia Pardal.
No caminho para o sonhado título, Fonseca não terá dois dos principais nomes pela frente: o italiano Jannik Sinner e o espanhol Carlos Alcaraz, número 1 e 2 do mundo, respectivamente.
Vencedor de quatro Grand Slams –dois Abertos da Austrália, um Wimbledon e um Crédulo dos Estados Unidos–, Sinner se despediu ainda na segunda rodada contra Juan Manuel Cerúndolo, em seguida passar mal devido ao calor intenso em Paris. Já Alcaraz, vencedor de sete Slams, ficou fora devido a uma lesão no punho.
“Pensar que, quando o João Fonseca nasceu, o Djokovic já era profissional. São 18 anos de top 10, enquanto o João tem 19 de vida. E exatamente 22 anos depois de o Guga ter oferecido uma lição para o Federer [em 2004]. De verdade? Agora tudo é permitido”, diz Luís Stival, exegeta de desempenho de tênis profissional e responsável pelo meio do YouTube Tênis Além do Óbvio.
“Ele só não pode perder a origem de jogar para a frente, colocando a direita (forehand) para andejar, sacando muito… o João agora tem que ir por muito mais”, completa a ex-tenista Andrea Vieira, a Dadá, primeira jogadora do Brasil a vencer uma desportista do top 5 do mundo.
Essa já é a melhor campanha do brasílio em Grand Slams. Antes, ele havia apanhado a terceira rodada de Roland Garros e de Wimbledon, ambas no ano pretérito. Porquê júnior, seu melhor resultado no torneio galicismo foi nas quartas de final.
Quando foi vencedor em 1997, Guga ocupava a 66ª posição do ranking. Durante a jornada ao título, enfrentou e derrotou três campeões do torneio –Thomas Muster, Yevgeny Kafelnikov e Sergi Bruguera na grande final. O brasílio ainda voltaria a ser vencedor mais duas vezes, em 2000 e 2001.





