A filarmónica americana de thrash metal Anthrax lança, nesta sexta, seu 12º álbum, “Cursum Perficio” —em latim, minha jornada termina cá. Mas os fãs não precisam se desesperar. “O título não quer manifestar que vamos terminar a filarmónica”, diz o baterista Charlie Benante.
“Sei que muita gente pode encontrar isso, mas a teoria do álbum é mostrar que cumprimos nossa missão e chegamos a um ponto de nossa curso em que não precisamos provar zero, só queremos fazer um disco que nos agrade e agrade a nossos fãs.” Benante complementa, bem-humorado: “Mas os Beatles gravaram 12 discos de estúdio e esse é nosso 12º disco de estúdio, logo acho que já está de bom tamanho.”
O Anthrax nasceu em Novidade York há 45 anos. Faz segmento do chamado “big four”, um quarteto de bandas —com Metallica, Slayer e Megadeth— que inventou o thrash, uma vertente mais pesada e rápida do heavy metal.
“Eram quatro bandas contemporâneas que buscavam a mesma coisa, embora fizessem música dissemelhante umas das outras”, diz Benante. “Tenho um orgulho imenso de olhar para trás e ver que contribuímos muito para o estilo.”
A formação atual do Anthrax tem, além de Benante na bateria, os guitarristas Scott Ian e Jonathan Donais, o baixista Frank Bello e o cantor Joey Belladonna.
Benante é o principal compositor do Anthrax e teve a teoria do título do álbum assistindo a um documentário sobre a atriz Marilyn Monroe. “Havia no filme uma cena em que aparecia um azulejo na vivenda de Marilyn, e nele estava escrito ‘cursum perficio’. Achei que era um nome perfeito para o disco porque sintetizava exatamente o que eu estava pensando sobre a filarmónica na idade: que havíamos chegado a um ponto em que deveríamos festejar nossa trajetória.”
A filarmónica não lançava um disco de estúdio há uma dez, desde “For All Kings”, e começou a trabalhar nas faixas do novo disco por volta de 2020. “Mas aí veio a pandemia e paramos com tudo”, diz Benante.
“Aquele foi um período muito difícil, achei que ia permanecer maluco. Cheguei a um ponto em que minha esposa me proibiu de ver o noticiário da TV, porque aquilo estava me fazendo muito mal. Foi duro não poder tocar com a filarmónica e não poder excursionar. O que me manteve são foram ensaios virtuais que fiz com alguns amigos músicos. Era a única alegria que eu tinha.”
Terminada a pandemia, o Anthrax ainda demorou bastante para retomar as atividades, mas Benante foi chamado em 2022 pelos amigos da filarmónica Pantera para substituir o baterista Vinnie Paul, que morreu em 2018.
“Tenho a sorte de poder tocar com pessoas que senhor de verdade. Sou muito próximo dos caras do Pantera e poder tocar com eles é uma alegria. Nunca gostei de fazer turnês porque não suporto as viagens e o tédio, mas a única segmento boa é subir num palco dissemelhante toda noite e tocar ao vivo. Zero me deixa mais feliz.”
Benante diz que a pandemia o fez pensar em largar a música: “Eu já estava muito deprimido com a situação da indústria músico e as dificuldades que as plataformas digitais estavam causando aos artistas. Senti-me traído pela indústria que ajudei a levantar. A verdade é que as gravadoras nunca fizeram zero por nós, não nos ajudaram quando precisamos delas, e agora estão fazendo a mesma coisa de novo, ao usar IA para substituir compositores. Passei por um período de muitas dúvidas e angústias, mas um dia comecei a trabalhar em algumas canções e a originalidade me ajudou a restabelecer a vontade de fazer música de novo”.
O primeiro single divulgado de “Cursum Perficio” é uma espécie de missiva de gratulação aos fãs: “It’s for the Kids”, ou essa é para os meninos, uma paulada com um videoclipe que homenageia o famoso filme da música “Madhouse”, lançada em 1985 e uma das preferidas dos fãs do Anthrax.
A filarmónica volta ao cenário de “Madhouse”, um sanatório, e toca para os internos em camisas de força, e depois para uma povaréu de fãs que invade o lugar. “Mal ouviu ‘It’s for the Kids’, o diretor do clipe, Don [Argott], disse que a música o remetia aos primórdios do Anthrax e sugeriu que fizéssemos uma releitura do clipe de ‘Madhouse’”, diz Benante. “Achamos a teoria muito boa e fizemos a escolha certa.”
A filarmónica está planejando uma grande turnê de lançamento do novo disco: “E não há a menor possibilidade de não tocarmos no Brasil”, afirma.





