Notícias Favoritas

O seu portal favorito de notícias na Internet

Beijo gay em Quem Ama Cuida demorou, embora coroe Mau
Celebridades Cultura

Beijo gay em Quem Ama Cuida demorou, embora coroe Mau Mau – 30/10/2026 – Ilustrada

Levou 141 capítulos até que o beijão entre Mau Mau e Felipe fosse ao ar em “Quem Patroa Cuida”. São dois terços da romance, caso se concretize a previsão de 210 episódios. É tempo demais para o par comemorado pelo público chegar a uma intimidade que os casais heterossexuais da trama já tiveram há tempos.

A TV Orbe tentou fazer jus à espera. Veio de Mau Mau a iniciativa. Na ateneu de dança, os rapazes se aproximaram, deixaram as confusões de lado, apertaram o corpo um do outro e finalmente encostaram os lábios. Não foi só uma bitoca. Eles se beijaram com libido, excitados, uma vez que duas pessoas apaixonadas.

Os personagens se beijaram ao som de “Preciso Expor que Te Senhoril”, música clássica de Cazuza composta por ele e Bebel Gilberto, que tocava de um vinil disposto na vitrola por Mau Mau.

Mau Mau e Felipe são interpretados, nesta ordem, por João Victor Gonçalves e Pietro Antonelli, fruto de Giovanna Antonelli e Murilo Benício. “Quem Patroa Cuida” marca a estreia dele nas novelas.

Houve um vaivém entre o par que quase tornou fatigante acompanhá-los. Os dois se aproximaram na história há murado de dois meses, quando Felipe ainda se entendia uma vez que heterossexual. Na semana passada, ele chegou a impedir as tentativas de Mau Mau de beijá-lo.

A exibição do ósculo foi adiada duas vezes. A cena iria ao ar originalmente na quinta-feira de antes das eleições, mas acabou transferida por pretexto do debate presidencial, que provocou o cancelamento da romance na sexta. Depois, pulou de terça-feira (27) para esta sexta, em seguida correções pedidas pela direção da Orbe. Queriam mais contexto à invenção de Felipe.

Tanto zelo pode se explicar por um receio da emissora em relação à parcela mais conservadora do público, em privativo em seguida as eleições que dividiram o país.

A lentidão na meio do par serviu ao menos para produzir intimidade entre eles e o público e fazer do ósculo uma espécie de recompensa narrativa. Não faltou torcida por Mau Mau e Felipe nas redes sociais.

É difícil não gostar de Mau Mau. Estreante na tira das nove, o ator João Victor Gonçalves acompanhou a ótima performance de Tony Ramos uma vez que Otonieu, o avô homofóbico de Mau Mau. Algumas das melhores cenas de “Quem Patroa Cuida” surgiram dessa tensão. Ajudou também o texto didático, mas não pedante, de Walcyr Carrasco e Claudia Souto.

O romance gay de “Quem Patroa Cuida” sucede o sucesso impressionante do par lésbico de “Três Graças”. A romance anterior das nove apresentou a paixão de Lorena e Juquinha, que viralizou na internet, com vídeos compartilhados até fora do país. A união das personagens deu tão visível que rendeu uma novelinha nas redes.

A Orbe parece ter aprendido a edificar romances gays com a química e o libido que sempre dedicou aos casais heterossexuais. Mas ainda escorrega ao concentrar a representação LGBTQIA+ das novelas em um ou dois casais relevantes e reunir esses personagens à sexualidade.

Em “Quem Patroa Cuida”, por exemplo, a homossexualidade de Mau Mau ainda é motor dos conflitos dele. É dissemelhante de Adriana e Pedro ou Dora e André, casais hétero da trama usados para falar de paixão e sexo, mas também de trabalho, anelo, numerário, emulação.

Isso já foi melhor na televisão. Em “Paixão à Vida”, de 2013, ser gay e afeminado eram algumas das muitas características de Félix, um vilão multíplice, difícil de compreender e irreduzível. O personagem é lembrado tanto pelo ósculo em outro varão quanto por ter jogado uma bebê no lixo. Félix era mau, engraçado, e, aliás, homossexual.

O ósculo entre Félix e Niko parou o país, o primeiro entre dois homens exibido em uma romance das nove da Orbe. A recepção foi majoritariamente positiva.

Mas a emissora nem sempre encontrou a mesma tolerância. Políticos conservadores ameaçaram boicotar “Babilônia”, de 2014, depois que a romance exibiu um selinho entre as personagens de Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg.

Apesar disso, houve outros casos interessantes no caminho. A torcida por Mau Mau e Felipe lembra aquela que se formou em torno de Kelvin e Ramiro, de “Terreno e Paixão”, há três anos.

Embora segmento da comunidade LGBTQIA+ tenha criticado o retrato estereotipado de Kelvin, um rapaz afeminado e engraçado, o romance entre ele e Ramiro conquistou o público e ganhou espaço na romance. A história também não apagou as outras dimensões dos personagens. Ramiro, por exemplo, seguia sendo um capanga bruto.

“Quem Patroa Cuida” pode aproveitar que deu o beijão merecido de Mau Mau para agora levá-lo além das descobertas sexuais. Outros beijos e uma boa cena de sexo são bem-vindos, mas é bom que o rapaz ganhe mais dimensões para não permanecer marcado só uma vez que o personagem gay da romance. É vasqueiro que o público simpatize tanto com alguém uma vez que Mau Mau, por fim.

Folha

LEAVE A RESPONSE

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *