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Calendário Pirelli vai à Índia em busca da beleza no
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Calendário Pirelli vai à Índia em busca da beleza no caos – 23/10/2026 – Ilustrada

Uma retrato em preto e branco mostra um ônibus lotado e pessoas de bicicleta pedalando em paralelo, dois tempos, duas velocidades. A imagem do fotógrafo indiano Raghu Rai, apesar da falta de cores, não parece tão longe no tempo diante da Novidade Déli de agora, um caos frenético de tuc-tucs que aceleram na contramão, o coro das buzinas cortantes e constantes, a nuvem espessa de poluição fixa no horizonte que embaça a luz do sol, macacos que correm pelos telhados e uma ou outra vaca que teima em galgar o trânsito.

Esse pretérito que invade um presente de cores berrantes serve de âncora para as imagens do mais novo calendário Pirelli, lançado nesta sexta-feira, na capital indiana, com imagens de Avani Rai, filha do lendário retratista das ruas da metrópole, e do norueguês Sølve Sundsbø, nome badalado por trás de campanhas de grifes uma vez que Prada, Hermès, Cartier e Gucci, que agora volta pelo segundo ano seguido à folhinha da obreiro italiana de pneus.

Sempre com a pretensão de ser um arrasa-quarteirão estético, o lançamento anual é um dos grandes momentos da indústria da voga e da cultura visual, ainda que às vezes esbarre um tanto no kitsch. Num mundo pegando lume, talvez a teoria de buscar certa inocência quente dos passantes nas vielas em ebulição da Novidade Déli de outrora e contrapor isso à formosura das modelos —todas elas têm fortes ligações com a cena cultural indiana—, seja um pedido de merecido respiro.

E também um rito de passagem. Raghu Rai, que Sundsbø labareda de “Deus da retrato”, morreu no início do ano enquanto ainda idealizava o noção do calendário. Sua filha portanto transformou o luto em celebração da vida do pai, criando composições em que imagens clássicas dele são impressas em grandes painéis e aparecem detrás de personagens atuais de músculos e osso em Novidade Déli e Mumbai —um contraste entre momentos históricos de seu país e, ao mesmo tempo, uma investigação de novas culturas urbanas que florescem nesta Índia polifônica, de dançarinos de rua, vendedores de flores e comunidades transexuais com grande visibilidade.

“Terminar o projeto dele foi um jeito de encontrar minha própria voz uma vez que artista, porque ele odiava imitação”, diz Avani Rai, em entrevista coletiva num hotel de luxo em Novidade Déli. “Quando ele morreu, decidi decorrer para elas no lugar dele, porque ele pertencia às ruas. Ele dizia para estar viva e atenta a cada momento. Enquadro o trabalho dele e a verdade em torno disso anos depois. O pretérito sempre continua a viver no presente, portanto dou um passo detrás em termos literais e espirituais.”

Raghu Rai, uma vez que mostra um documentário recém-lançado pela filha, aliás, dizia a ela que zero neste mundo merece ser ignorado, lembrando que não é a câmera que vê —o instrumento serve para retratar aquilo que o coração já entendeu. Ela seguiu o recomendação e virou suas lentes portanto para mais de 130 modelos, gente que encontrou pelas ruas, bailarinos e artesãos, usando uma vez que paisagens contrastantes o caos da antiga Déli e o skyline delirante de Mumbai, que concentra a indústria do cinema e da voga do gigante asiático.

“São as pessoas de que sabor, as ruas onde está a voga que me toca. E a voga para mim é a minha gente, a novidade geração”, acrescenta a artista. “Todo mundo tem a mesma valia neste calendário, do mais ordinário ao mais inimaginável. Olhei para cada centímetro de cada constituição.”

Em paralelo, evocando a vibração extravagante e onírica de seu último trabalho na Pirelli, Sundsbø juntou um elenco de atrizes, uma vez que Freida Pinto e Aditi Rao Hydari, escritoras, uma vez que a poeta best-seller Rupi Kaur, e a apresentadora Padma Lakshmi, e as fotografou na paisagem bravio do Rajastão, deitadas sobre flores, rolando nelas, ou alvejadas por jatos de tinta colorida. É a sua versão um tanto exotizante dos excessos cromáticos de um país continental que ainda habita o imaginário do Poente uma vez que uma terreno mágica, de palácios no deserto e tigres sempre à espreita.

O norueguês conta que a intensidade do país, as cores, as texturas e os ruídos foram um setentrião na geração de seus retratos. “Venho do setentrião, onde as coisas se mexem vagarosamente, e cá é uma vez que sentir um ataque aos sentidos o tempo todo.”

Ele sabe que é um varão branco de um país rico fotografando um lugar muito dissemelhante daquele em que nasceu, com olhar de forasteiro. Por isso insiste em expressar que não teve a pretensão de retratar uma espécie de origem da Índia. “Raghu Rai era os verdadeiros olhos da Índia. Ele queria incorporar as suas imagens antigas à novidade verdade”, diz Sundsbø. “O calendário Pirelli não é a National Geographic, tem glamour, tem sensualidade, e isso não era o jogo dele. Ele teria orgulho de uma vez que a Avani executou sua teoria. E isso me permitiu o luxo de só fotografar as belas mulheres indianas.”

Entre elas, está a própria Avani Rai. A artista aparece de vestido amarelo em dois retratos. Num deles, encara a câmera com os olhos de uma fera ferida —a imagem foi feita só duas semanas depois da morte de seu pai. “Ela queria fazer isso porque era um momento peculiar na vida dela, e dá para sentir isso na retrato”, diz Sundsbø. “Foi uma coisa muito pessoal, de uma certa espiritualidade, e funcionou uma vez que uma ponte entre nós.”

Entre eles e também entre as duas séries realizadas para o calendário. De um lado, as imagens com rosto de editorial de voga do norueguês, lançando um olhar saturado e sintético sobre a terreno retratada. De outro, a retrato de rua mais pé no solo de Avani Rai, com alguns toques mais calibrados de realismo fantástico.

O abisso estético entre as visões dos dois artistas não incomodou Freida Pinto. A atriz e produtora, que despontou nas telas com o filme “Quem Quer Ser um Milionário?”, no início do século, vê grande potência nesse choque entre pretérito e presente, Poente e Oriente, tradição e modernidade. “Quando se fala em moderno e ocidental uma vez que a mesma coisa, prefiro sempre usar o termo moderno. Não precisamos macaquear o Poente para sermos modernos, temos a nossa própria modernidade cá. E não sacrificamos as nossas tradições para chegar a isso.”

“Não existe uma só Índia, há muitas Índias”, diz a também atriz Aditi Rao Hydari, conhecida nestas terras por uma série de papéis em filmes de idade. “No calendário, eu me senti representando um tanto único daqui, uma vez que se me libertasse de mim mesma e virasse uma flor. Não era eu, era a sensação do que é a Índia, é uma epístola de paixão ao país.”

O jornalista viajou a invitação da Pirelli

Folha

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