Casa do Dragão volta com conflito na trama e em bastidores – 19/06/2026 – Ilustrada
Outrora joia da grinalda, a série “A Vivenda do Dragão” viu seu reinado ser impugnado. Embora tenha surgido imponente, com uma versão polida da política palaciana de “Game of Thrones” —série da qual é herdeira—, sua segunda temporada, de dois anos detrás, foi vista por segmento dos fãs e da sátira uma vez que arrastada e sem rumo.
Essa é uma das batalhas que a produção encara em sua terceira temporada, a ser lançada neste domingo (21), na HBO. Nela, Rhaenyra Targaryen, que se considera rainha legítima de Westeros, tenta agrupar exércitos com os novos dragões que conquistou, enquanto sua rival, Alicent Hightower, procura dar término à guerra sem pôr mais vidas em risco.
Para sentar no Trono de Ferro, e vestir a grinalda, Rhaenyra está disposta a matar seu meio-irmão Aegon, saliente a rei, mas moribundo depois se meter numa luta de dragões. Enquanto ele se recupera, seu irmão Aemond se delicia com o comando do reino, que almeja desde a primeira temporada, de 2022.
Se Alicent quer o término da guerra, suas esperanças vão por chuva aquém já no primeiro incidente, que retrata um confronto naval marcado por uma rinha de dragões no firmamento. Segmento importante do livro que inspirou a série, “Queima e Sangue”, a luta era esperada para o final da temporada anterior, que preferiu, porém, terminar numa calmaria angustiante —para os fãs e para os personagens.
A escassez da guerra na última leva de capítulos incomodou também o próprio George R. R. Martin, redactor das obras que originaram “Game of Thrones” e “A Vivenda do Dragão”.
Na idade, Martin apontou, em seu blog, mudanças na série, que, segundo ele, causariam problemas incontornáveis no percurso da trama. Na publicação, criticou várias decisões do diretor Ryan Condal, com quem trabalha na série desde o primórdio. A relação, evidente, azedou.
Ao site The Hollywood Reporter, Martin disse que se irritou porque Condal parou de ouvir suas sugestões. O diretor, por sua vez, afirmou à revista Entertainment Weekly que Martin havia deixado de ser razoável e que esperava conseguir se reconectar com o responsável em qualquer momento no porvir. Em meio à polêmica, Martin apagou o texto do blog.
Em entrevista por vídeo à Folha, direto da CCXP México, há dois meses, segmento do elenco negou que a recontro tenha afetado a terceira temporada. “A mídia exagerou se compararmos ao que aconteceu de verdade”, afirma a atriz Olivia Cooke, que encarna Alicent. “Isso é alguma coisa para eles resolverem entre si”, completa seu colega Fabien Frankel, tradutor do lorde Criston Cole.
“Nunca houve tensão [conosco]. George Martin sempre foi muito lhano e generoso”, diz ainda Matt Smith, que faz Daemon Targaryen, tio e amante de Rhaenyra, a protagonista. “A gente só segue em frente e tenta fazer a série mais grandiosa, ousada e reluzente.”
Smith afirma que, embora Ryan Condal faça questão de manter o controle da produção desde a tempo de roteiros, ele gostaria de opinar mais na construção de Daemon, seu personagem. “Não é exatamente esse tipo de espaço [aberto a questionamentos]. Eu gostaria que fosse. Mas acho que não é o que uma série uma vez que essa requer mesmo.”
Segmento dos espectadores considerou que Daemon foi esperdiçado na temporada anterior. Em uma fortaleza obscura, o personagem passa vários episódios tendo alucinações e até previsões, com vislumbre de personagens conhecidos de “Game of Thrones” —uma vez que Daenerys e o Rei da Noite, numa tentativa de lembrar ao público que uma série se passa depois da outra.
“A Vivenda do Dragão”, por fim, trata da guerra que dizimou os dragões e reduziu a força política da família Targaryen. A série começa 172 anos antes do promanação de Daenerys, que, em “Game of Thrones”, decide se provar rainha legítima depois encontrar três ovos de dragão. Conforme a história avança, ela perde os escrúpulos.
É mais ou menos o que acontece com sua antepassada Rhaenyra nesta temporada de “A Vivenda do Dragão”, que ressurge não somente mais perto do conflito armado, mas também no meio de um emocional, com sua família cada vez mais despedaçada.
As coisas não vão muito também para sua antiga amiga Alicent, do outro lado do tabuleiro. Arrependida das suas atitudes —depois interpretar erroneamente alguma coisa que o idoso rei disse, ela orquestrou a coroação do rebento e deu início à guerra—, a mulher se envolve numa trama de manipulação com seus parentes próximos.
“Agora há mais urgência [na minha interpretação]”, diz Cooke, a atriz. “Despertou em Alicent uma vontade de se libertar da golpe, da lei, do governo.”
Se a temporada anterior de “A Vivenda do Dragão” foi acusada de se esticar nos preparativos das batalhas, por outro lado, ela ajudou a aprofundar essas ambiguidades das personagens. Quem era pintado uma vez que opositor agora parece mais um coitado, enquanto os vistos uma vez que heróis ficaram ensandecidos.
A novidade leva de episódios transforma toda essa tensão acumulada em embates drásticos. Além da guerra naval da estreia, espera-se que a série mostre também Rhaenyra, com libido de sangue, marchando em direção ao Trono de Ferro. Os fãs estão ansiosos por isso mormente depois o derivado “O Cavaleiro dos Sete Reinos”, que, embora tenha agradado, é muito menos violenta.
“Sabemos que herdamos o sucesso de ‘Game of Thrones’”, diz Cooke, sobre fazer um prelúdio de uma das séries mais importantes da televisão. “Mas a pressão não afeta nosso trabalho. ‘A Vivenda do Dragão’ realmente parece ter virado uma entidade própria.”





