Foragido, MC Negão Original lança música que chega ao top 20 do Spotify em duas semanas; entenda
O funkeiro MC Negão Original
Reprodução/Instagram
O funkeiro MC Negão Original, fugido da polícia por uma suposta participação em um esquema de estelionato virtual, vive um dos seus melhores momentos porquê artista. Sua música mais recente, “Cuida do Pet”, alcançou a 13ª posição no top 20 do Spotify em duas semanas.
🚨A lei não impede que uma pessoa foragida lance ou divulgue seu trabalho – e isso não é considerado um novo violação (leia mais aquém).
Feita em parceria com Aaron Modesto, Willian, Iguinho CT e DU’L, a música “nasceu” antes de João Vitor Marcelino Guido, nome verdadeiro do artista, ter sua prisão decretada pela Justiça e seu paradeiro considerado ignoto pela polícia.
O cantor já tinha feito sua segmento na música, cujas prévias viralizaram nas redes sociais entre março e abril. O trecho de Negão Original foi o de maior destaque.
Sua segmento fez tanto sucesso que ganhou uma versão própria, chamada de “Por Isso Ela Mente”. As prévias desse trecho somam mais de 2 milhões de visualizações no YouTube e TikTok.
Ao saber que a versão não finalizada estava em subida, MC Negão Original entrou em contato com os outros envolvidos na música e sugeriu que uma versão solene fosse lançada. Com recta a videoclipe.
Porém, MC Negão Original gravou sua segmento só dos outros participantes da música, todos em locações diferentes.
O videoclipe solene atingiu a marca de 1 milhão de visualizações em uma semana. Já uma versão feita por IA, lançada no término de maio, acumula 2 milhões de views no YouTube.
As suspeitas sobre MC Negão Original
Polícia investiga MC Negão Original por relação com esquema de estelionato virtual
Em fevereiro deste ano, a Polícia Social deflagrou uma operação que investiga uma organização criminosa especializada em golpes virtuais.
Segundo os investigadores, o artista teria relação com um esquema de estelionato que fez vítimas em diversos estados e movimentou murado de R$ 100 milhões ao longo de cinco anos.
De pacto com a polícia, criminosos enviavam mensagens de texto ou áudio se passando por funcionários do INSS. Em seguida, solicitavam às vítimas uma suposta “prova de vida” para evitar o bloqueio do favor.
Durante a abordagem, os golpistas convenciam principalmente idosos a participar de chamadas de vídeo e instalar aplicativos em seus celulares.
Na prática, esses aplicativos permitiam o entrada remoto aos aparelhos e capturavam dados pessoais, senhas bancárias e outras informações sensíveis.
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Polícia investiga MC Negão Original por relação com esquema de estelionato virtual
Rauls: porquê funk transformou estelionatários digitais em personagens de músicas e de série
Ainda segundo a polícia de São Paulo, trechos das canções do MC Negão Original chamaram a atenção dos investigadores durante a apuração do caso.
Entre as gírias que aparecem nas músicas está o termo “Raul”, usada para se referir a golpistas — pessoas que enganam vítimas para obter verba.
Outra gíria citada nas letras é “7”, referência ao item 171 do Código Penal, que trata do violação de estelionato.
O g1 entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) que afirmou que “diligências para a localização e prisão do MC Negão Original e dos demais envolvidos no caso estão em curso”.
A reportagem tentou contato com a resguardo do funkeiro. O espaço será atualizado caso haja qualquer retorno.
Um fugido pode lançar e vulgarizar seu trabalho?
O funkeiro MC Negão Original
Reprodução/Instagram
Sim, uma pessoa que está foragida pode seguir trabalhando normalmente e não está cometendo nenhuma ilegalidade por isso.
Euro Bento Maciel Fruto, rabi em Recta Penal, explicou ao g1 que a situação de MC Negão Original não é incomum.
“O obrigação de encontrar uma pessoa foragida é do Estado. Nesse caso, o artista não tem obrigação de se entregar à polícia, por exemplo. Mesmo fugido, ele tem recta ao trabalho. Eu, por exemplo, já acompanhei casos em que a pessoa fica foragida até o trânsito em julgado [quando não há mais possibilidade de recurso].
Ele afirmou também que as pessoas envolvidas nos lançamentos das músicas não cometeram violação.
“O código penal diz que o violação está em ‘facilitar um criminoso a fugir ou se esconder’. Quem produz ou trabalha na divulgação com o artista não se encaixa nesse parâmetro. Ajudar, por exemplo, seria emprestar o carruagem para alguém que sabidamente está fugido e quer fugir.”
Porquê o funk tem cantado os Rauls?
Porquê o funk vem documentando a história dos estelionatários digitais, conhecidos porquê Raul
Principalmente a partir dos anos 2010, o funk paulistano vem cantando sobre a vida dos Rauls. Não necessariamente sobre os golpes aplicados, mas porquê os criminosos usufruem do verba roubado.
Nomes porquê MC Kelvinho e MC Kapela ficaram conhecidos por cantarem, quase que exclusivamente, músicas com estelionato porquê tema. Um dos grandes sucessos de Kelvinho, “O Corre”, tem 22 milhões de visualizações no YouTube e conta com os seguintes versos:
“Os caras que vivem de golpe / Nocaute no Santa [banco Santander] / É nós que é o corre / E os bicos se espanta / A Social tenta dar o bote / Tá osso ir em cana / Tá pago o acerto / E a vida tá mansa”
A reportagem conversou com três MCs e um produtor músico. Todos pediram para conversar em off com a reportagem, pois temem represálias da polícia e uma verosímil associação ao violação.
Segundo os ouvidos, falar da vida dos golpistas era um nicho dentro do funk. Antes, poucos MCs colhiam o retorno de trovar as dinâmicas do estelionato.
A partir dos anos 2020, com o desenvolvimento dos crimes cibernéticos, cresceu também a quantidade de funkeiros que decidiram falar sobre o tema.
“A molecada mais novidade quer surfar na vaga. Se na idade do funk ostentação se falava da marca de roupa X ou da moto Y, hoje o negócio é falar dos Rauls, não só pelo violação em si, mas a vida que eles levam por conta dos golpes”, explica um MC.
“Nós estamos na favela e a gente convive, mesmo que indiretamente, com essa veras. Somos iguais a roteiristas de filme. Nós ouvimos e adaptamos histórias da vida real”.
Fonte G1




