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China busca conexão e cooperação entre povos por meio dos
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China busca conexão e cooperação entre povos por meio dos grandes rios

A China vem buscando conectar diferentes povos por meio da relação das populações com os grandes rios do planeta. O rio Yangtzé, espinha dorsal da economia chinesa, foi o ponto de encontro de convidados de países cortados por rios porquê o Amazonas, na América do Sul, o Nilo, na África, o Danúbio, na Europa, e o Mississippi, nos Estados Unidos. 

Representado por pesquisadores e jornalistas, o Brasil teve lugar de destaque na 4ª edição do Fórum da Cultura do Rio Yangtzé, realizado nesta semana em Chongqing, cidade do coração industrial da China, com seus 32 milhões de habitantes. 

O evento é segmento da estratégia do presidente Xi Jinping, lançada em março de 2023, da Iniciativa para a Cultura Global, que tem entre os objetivos promover “valores comuns” da humanidade por meio da cooperação entre os países.

Com o tema “Conectando Rios e Mares, compartilhando a sabedoria das civilizações”, o evento deste ano reuniu especialistas, jornalistas e artistas de quase 20 países, porquê Egito, Sérvia, Austrália, Reino Uno, México, Turquia e Coreia do Sul.


China, 18/09/2026 - Abertura da 4ª edição do Fórum da Civilização do Rio Yangtzé, realizado em Chongqing. Foto: CHONGQING DAILY/Divulgação
China, 18/09/2026 - Abertura da 4ª edição do Fórum da Civilização do Rio Yangtzé, realizado em Chongqing. Foto: CHONGQING DAILY/Divulgação

Buraco da 4ª edição do Fórum da Cultura do Rio Yangtzé, realizado em Chongqing. Foto: CHONGQING DAILY/Divulgação

No evento em Chongqing, buscou-se ainda projetar a Rota Econômica do Rio Yangtzé, gigante afluente que corta a China com 6,3 milénio quilômetros, sendo considerado, ao lado do rio Amarelo, um dos berços da cultura milenar chinesa e que conecta o interno do país ao porto de Xangai.

Depois mais de 33 horas de viagem de Brasília a Chongqing, a Filial Brasil acompanhou o Fórum deste ano, que contou com uma viagem de cruzeiro por murado de 440 quilômetros pelo leito do rio Yangtzé, visitando templos e fortalezas com centenas ou milhares de anos de história, porquê a antiga fortaleza de Shibaozhai e o templo de Zhang Fei.

Os estudiosos chineses argumentam que a origem do desenvolvimento humano em torno do Yangtzé tem sido deixada de lado na historiografia ocidental. Nos últimos anos, pesquisas arqueológicas locais vêm revelando que a lavoura do arroz na região data de quase 10 milénio anos.

“Durante muito tempo, o meio de seriedade do exposição da pesquisa sobre as civilizações dos grandes rios do mundo inclinou-se para a Mesopotâmia e o Nilo, formando paradigmas analíticos e estruturas disciplinares de estilo ocidental”, afirmou Li Guoqiang, professor do Instituto de História e membro do Recomendação da Ateneu Chinesa de Ciências Sociais (CASS).

Presentes no encontro, especialistas egípcios compartilharam, entre outras experiências, o padrão de mensuração das águas do rio Nilo, uma forma de antecipar secas e enchentes. O professor da Faculdade de Arqueologia da Universidade de Luxor, no Egito, Alaa Hussein Mahmoud Menshawy, destacou a valia desse intercâmbio cultural.

“Poluição, mudanças climáticas, prolongamento populacional e transformações ambientais podem afetar os rios e as comunidades que dependem deles. Ao compartilhar conhecimentos e trabalhar em conjunto, os países podem aprender maneiras mais eficazes de proteger os rios e as populações que deles dependem”, disse.


China, 18/09/2026 - Li Guoqiang, professor do Instituto de História e membro do Conselho da Academia Chinesa de Ciências Sociais (CASS). Foto: Lucas Pordeus León/Agência Brasil
China, 18/09/2026 - Li Guoqiang, professor do Instituto de História e membro do Conselho da Academia Chinesa de Ciências Sociais (CASS). Foto: Lucas Pordeus León/Agência Brasil

Li Guoqiang, professor do Instituto de História e membro do Recomendação da Ateneu Chinesa de Ciências Sociais (CASS). Foto: Lucas Pordeus León/Filial Brasil

Rio Yangtzé

O desenvolvimento econômico chinês das últimas cinco décadas, que transformou o país de rústico e pobre em uma potência industrial e tecnológica, trouxe diversos problemas ambientais ao rio Yangtzé, o maior da Ásia.

Entre eles, destaca-se a extinção de uma das únicas três espécies de golfinhos de chuva gulodice do mundo, o golfinho Baiji, ou golfinho do rio Yangtzé, em 2006.

O professor chinês Li Guoqiang reconheceu à Filial Brasil que a China, em procura do desenvolvimento econômico rápido, percorreu caminhos “tortuosos” que danificaram o estabilidade ecológico do Yangtzé, mas destacou que isso teria mudado.

“No processo de desenvolvimento contemporâneo, damos mais atenção ao envolvente ecológico porque temos uma concepção: a teoria das duas montanhas, que procura prioridade ecológica e desenvolvimento econômico”, disse.

Entre as mudanças destacadas em relação ao rio, está a proibição da pesca profissional que já dura dez anos, além de projetos de recuperação do rio.

Cultura ecológica

O Estado chinês vem, ao longo dos últimos anos, incorporando às suas políticas a princípio da cultura ecológica, que procura conciliar desenvolvimento econômico com preservação ambiental. Em 2012, o tema virou “prioridade vernáculo” e, em 2018, foi incluído na Constituição, virando uma política de Estado permanente.

A professora brasileira profissional em biodiversidade Vera Maria Ferreira da Silva, do Instituto Vernáculo de Pesquisa da Amazônia (INPA), destacou no Fórum do Rio Yangtzé deste ano que a industrialização e a urbanização da China e navegação no Yangtzé prejudicaram a fauna do afluente.

“De um modo universal, houve uma mudança do governo porquê um todo para se voltar mais à conservação e à restauração dos ambientes porque eles chegaram a um limite, ou começavam a cuidar rápido desse problema ou iriam perder tudo”, comentou à Filial Brasil.


Brasília - 18/09/2026 - Economia da China. Foto: Agência Brasil
Brasília - 18/09/2026 - Economia da China. Foto: Agência Brasil

Arte/Filial Brasil

Rio Amazonas

Uma vez que segmento do esforço para conectar histórias entre os povos ligados a grandes rios, uma equipe da mídia estatal chinesa Núcleo Internacional de Notícia do Oeste da China (WCICO) viajou ao Brasil para gravar um documentário, ainda a ser lançado, que procura relatar histórias de povos ribeirinhos amazônicos e chineses, chamado “Quando o Yangtzé encontra o Amazonas”.  

A produtora do documentário, Vivian Yan, disse à Filial Brasil que a multiplicidade de pessoas e comunidades no Amazonas chamou sua atenção. 

“Conhecê-las me fez perceber que o Rio Amazonas é muito mais vibrante e multifacetado do que aquilo que eu havia visto na televisão. Me mostrou o quão estreitamente o cotidiano delas está ligado ao rio e ao meio envolvente ao volta”, relata a diretora da Bridging News, que controla o WCICO.

A professora Vera Maria disse à Filial Brasil esperar que o Brasil possa aprender com a experiência chinesa para evitar erros e minimizar impactos ambientais na exploração econômica da região amazônica.

“Não adianta trazer o padrão econômico de Minas, de Goiás ou de São Paulo para a Amazônia porque não vai funcionar. Espero que a gente não chegue também a um ponto extremo de devastação para poder decorrer detrás do prejuízo”, comentou.

Para a pesquisadora do INPA, é preciso aprender com os povos indígenas amazônicos e apostar em economias que contribuam para manter a floresta em pé, evitando atividades porquê a dragagem dos rios.

“A extração ou o cultivo e o uso de vegetais amazônicas, porquê açaí ou a castanha-do-Brasil e outros produtos, estão gerando recursos tão grandes quanto os de outras atividades que levam à devastação da floresta”, disse.

Vera Maria lembra que todos os mamíferos aquáticos do Rio Amazonas estão classificados, de alguma forma, porquê ameaçados.

Outro pesquisador brasílio presente no Fórum foi André Pereira Reinnert Tokarski, professor do Núcleo Universitário Alves Faria (Unialfa). Pela segunda vez na China, Tokarski avalia que é preciso encontrar um “caminho do meio” para a Amazônia.

O profissional avalia que há uma polarização entre, de um lado, uma visão que prega uma exploração predatória que procura somente lucro súbito e, de outro, uma posição que tende a rejeitar qualquer atividade econômica na região.

“Qualquer atividade humana desculpa impacto ambiental. Agora, você deixar uma grande segmento da população sítio na miséria também é um impacto socioambiental não desejável. Contraditoriamente, a Amazônia é a região do país que tem mais chuva, mas é onde mais se utiliza diesel para geração de vigor”, ponderou.
 

*Repórter viajou a invitação do Comitê Municipal do Partido Comunista Chinês (CPC) em Chongqing e da Ateneu Chinesa de Ciências Sociais (CASS). 

Fonte EBC

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