A Instalação Oswaldo Cruz (Fiocruz) concedeu, nesta quarta-feira (5), o título de pesquisador emérito a nove cientistas da instituição que tiveram seus direitos políticos cassados em 1970, durante a ditadura militar. O incidente ficou divulgado uma vez que o Massacre de Manguinhos.
A homenagem ocorreu no Dia Vernáculo da Saúde, comemorado em 5 de agosto, quando se comemora também o promanação do médico e sanitarista Oswaldo Cruz, patrono da Fiocruz e seu segundo presidente.
O tributo foi nas escadarias do Fortaleza Mourisco, na sede da instituição, no Rio de Janeiro, onde os trabalhadores foram reincorporados, há 40 anos, na gestão de Sérgio Arouca.
Os nove homenageados são: Augusto Cid de Mello Perissé, Tito Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti, Haity Moussatché, Fernando Braga Ubatuba, Moacyr Vaz de Andrade, Hugo de Souza Lopes, Masao Goto, Sebastião José de Oliveira e Domingos Arthur Machado Fruto.
Foi realizada ainda a entrega simbólica do título a herdeiros de Herman Lent, que também foi cassado em 1970, mas já era pesquisador emérito da Fiocruz desde 2004.
Ciência e democracia
O presidente da Fiocruz, Mario Moreira, lembrou que os pesquisadores foram afastados da instauração pelo Ato Institucional 5 (AI-5) e proibidos de trenar cargos em quaisquer outras instituições públicas pelo AI-10. O retorno deles à Fiocruz foi em 1986, já no processo de redemocratização.
“Nós reintegrarmos os cassados em um ato político muito poderoso, simbólico, sinalizando, naquela quadra acreditávamos nisso, que estávamos afastando os perigos de governos autocráticos”, disse Moreira à Sucursal Brasil.
O presidente da Fiocruz acredita ser um momento oportuno para preservar essa memória e reafirmar valores uma vez que a resguardo da ciência e da democracia.
“Contra o negacionismo e as ‘fake news’ que ainda nos rondam até o dia de hoje, reafirmamos a ciência uma vez que base da democracia, para que o país possa desenvolver-se de forma mais justa e mais equânime”.
Moreira destacou que os homenageados tiveram papel importante para a ciência brasileira, produzindo conhecimento sobre grandes desafios da saúde de sua quadra. Outrossim, eram importantes formadores, uma vez que professores de pós-graduação.
“A Fiocruz foi se consolidando ao longo do tempo uma vez que uma instituição de ciência e tecnologia de superioridade no campo da saúde por pretexto do trabalho que essa turma desenvolveu e vem desenvolvendo”.
Walter Oswaldo Cruz, rebento do patrono da instauração e um dos membros fundadores da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), também recebeu o título de pesquisador emérito durante a cerimônia.
A programação incluiu ainda homenagem à chanceler da Universidade Santa Úrsula, útero Maria de Fátima. O escora dela permitiu que cientistas cassados, uma vez que Herman Lent, Domingos Arthur Machado Fruto e Hugo de Souza Lopes, continuassem a lecionar.
Conheça os cientistas homenageados
Augusto Périssé (1917–2008)
Nascido em Barbacena (MG), em 1917, Augusto Périssé formou-se em farmácia (1938) pela Universidade do Brasil e obteve o título de Doutor em Ciências (Química) pela Universidade de São Paulo (USP). Sua trajetória no Instituto Oswaldo Cruz começou em 1943, através de concurso. Foi tecnologista, pesquisador e mentor e organizador do Laboratório de Química Orgânica.
O AI-5 também o impediu de assumir a cátedra na USP, em Ribeirão Preto, apesar de ter sido sancionado em concurso. Suas pesquisas pioneiras sobre o veneno de diplópodes brasileiros, tal qual objetivo era o desenvolvimento de anestésicos inovadores, foram interrompidas pelo regime militar.
Os diplópodes são animais artrópodes de solo, geralmente pequenos, alongados e escuros, popularmente conhecidos por piolhos-de-cobra, embuás, gongolos, maria-café, entre outros nomes.
No exílio, Périssé foi convidado para assumir o missão de diretor de Pesquisa e Professor do Instituto Vernáculo da Saúde e da Pesquisa Médica (INSERM), em Paris, mas recusou o missão porque exigia a naturalização francesa e ele não aceitava apostatar da cidadania brasileira.
Foi professor catedrático na Universidade Eduardo Mondlane, em Moçambique, onde se dedicou ao desenvolvimento científico da África, retornando ao Brasil em 1979 para cuidar da saúde da esposa, Vera de Andrade Périssé.
Foi reintegrado formalmente à Fiocruz em 1986, para a qual já prestava consultoria desde 1981. Produziu revisões fundamentais sobre a Bioquímica da Hanseníase e retomou seus estudos sobre diplópodes. Afastou-se por motivos de saúde em 1994, falecendo em 2008.
Domingos Arthur Machado Fruto (1914–1990)
Domingos Arthur Machado Fruto foi um observador multidisciplinar, graduando-se em três áreas: veterinária, pela Escola Vernáculo de Veterinária, atual Universidade Federalista Rústico do Rio de Janeiro (UFRRJ); história procedente, pela Universidade do Província Federalista (UDF); e medicina, pela Escola de Medicina e Cirurgia do Instituto Hahnemanniano (atual Universidade Federalista do Estado do Rio de Janeiro (UniRio).
Nascido no Rio de Janeiro em 1914, sua curso no Instituto Oswaldo Cruz (IOC) começou precocemente, em agosto de 1935, quando ingressou uma vez que estagiário voluntário na Ramificação de Zoologia Médica.
Foi bolsista, professor e pesquisador titular, culminando na chefia da Seção de Helmintologia, tema no qual se tornou uma mando internacional, com foco próprio no estudo dos acantocéfalos (vermes parasitas de probóscide espinhosa).
A ditadura militar interrompeu a subida do pesquisador em 1970. Mais do que a aposentadoria compulsória, a emprego dos atos de exceção impôs-lhe um silenciamento intelectual severo, banindo-o do ensino e da pesquisa em qualquer instituição financiada pelo Estado. Durante o exílio institucional, exerceu sua vocação docente na Faculdade de Medicina de Valença (1968–1981) e na Faculdade de Medicina de Novidade Iguaçu (1981–1988).
Embora tenha sido reintegrado ao quadro de pesquisadores da Fiocruz, em 1986, o estado de saúde fragilizado pelos anos de perseguição impediu seu retorno pleno às atividades laboratoriais.
Domingos Arthur Machado Fruto faleceu em agosto de 1990. Em sua homenagem, a prefeitura do Rio de Janeiro deu seu nome ao Espaço de Desenvolvimento Infantil (EDI) situado na Rua Leopoldo Bulhões, em Manguinhos.
Fernando Braga Ubatuba (1917–2003)
Originário de Pelotas (RS), graduou-se em medicina pela Universidade do Brasil, atual Universidade Federalista do Rio de Janeiro (UFRJ), em 1942, ano em que também ingressou no Instituto Oswaldo Cruz (IOC) uma vez que químico-analista.
Doutor em Bioquímica pela Escola Vernáculo de Veterinária, onde atuou uma vez que professor catedrático, criou um núcleo de pesquisas em ciências fisiológicas que se tornou referência pátrio.
Membro titular da Liceu Brasileira de Ciências (ABC), foi orientador de cientistas que viriam a ser grandes lideranças nacionais, uma vez que Jorge Guimarães, ex-presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), e Eloi Garcia (ex-presidente da Fiocruz).
Em 1968, foi recluso na UFRRJ e mantido incomunicável por 14 dias no paiol de pólvora do Tropa, em Paracambi, sendo posteriormente forçado a ministrar suas aulas sob escolta armada.
O expurgo conjunto de Ubatuba, Haity Moussatché e Tito Cavalcanti desestruturou por completo a Ramificação de Fisiologia e Farmacodinâmica do IOC.
Atendendo a invitação do governo da Venezuela, em 1970, instalou uma Unidade de Investigações em Ciências Fisiológicas na Universidad Experimental de la Región Meio-Occidental (UCO), em Barquisimeto. Ali realizou um velho sonho científico, que foi a caracterização das saponinas esteroidais do sisal. O extrato do sisal servia de matéria-prima rica em intermediários para a síntese de hormônios esteroidais.
Com o fecho de seu contrato na UCO, no final de 1971, Ubatuba foi contemplado com uma bolsa na Inglaterra e indicou para substituí-lo na chefia da unidade em Barquisimeto seu colega de cassação, Haity Moussatché, que consolidou o projeto.
Ubatuba integrou a equipe de escol do célebre farmacologista John Vane, participando diretamente das linhas de pesquisa sobre os peróxidos e hidroperóxidos do ácido araquidônico, o mecanismo de ação da aspirina e a invenção e caracterização da prostaciclina (PGI2), uma novidade prostaglandina produzida no endotélio vascular.
O esforço científico coletivo culminou na licença do Prêmio Nobel de Medicina a John Vane, em 1982, e inscreveu o nome de Fernando Ubatuba na história das maiores conquistas da farmacologia mundial.
Com a lisura política e a Lei da Anistia, Ubatuba retornou ao Brasil em 1980, para reformular o Departamento de Farmacologia Médica da Universidade de Brasília (UnB). Em 1986, optou por permanecer na UnB, embora tenha sido formalmente reintegrado aos quadros da Fiocruz. O observador faleceu em 2003.
Haity Moussatché (1910–1998)
Nascido na Turquia e naturalizado brasílio, Haity Moussatché graduou-se em medicina pela atual UFRJ.
Secção de sua formação inicial ocorreu no laboratório dos irmãos Álvaro e Miguel Ozório de Almeida, o principal meio de superioridade em fisiologia e farmacologia do país na quadra. O lugar chegou a ser visitado por Albert Einstein, Marie Curie e Irène Joliot-Curie.
Em 1934, em seguida solidar sua nacionalidade brasileira, Moussatché ingressou no Laboratório de Fisiologia do Instituto Oswaldo Cruz (IOC). Foi Moussatché que introduziu em Manguinhos o rigor da fisiologia experimental e da farmacodinâmica moderna.
Com produção de mais de 200 artigos científicos ao longo de seis décadas, sua obra tornou-se referência global em áreas fundamentais da saúde pública e da ciência básica.
Chefiou seções vitais no IOC entre as décadas de 1950 e 1960, realizando estudos pioneiros sobre a reação anafilática e a reatividade de músculos lisos e estriados.
Ao lado de Maurício Rocha e Silva, integrou o grupo fundador da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). A invitação de Darcy Ribeiro, fez secção do grupo de trabalho responsável pelo planejamento da Universidade de Brasília (UnB).
Durante o exílio na Venezuela, trabalhou na Universidad Meio-Occidental Lisandro Alvarado, dando perenidade à pesquisa de Fernando Braga Ubatuba.
Com a redemocratização, em 1985, Moussatché retornou ao Brasil e reorganizou o Departamento de Fisiologia e Farmacodinâmica da Fiocruz, áreas que haviam sido virtualmente desmanteladas em seguida o expurgo.
Hugo de Souza Lopes (1909-1991)
Hugo de Souza Lopes ingressou em Manguinhos em 1931, ainda estudante, uma vez que estagiário voluntário de Lauro Travassos. Ali, ao lado de nomes uma vez que Herman Lent, ajudou a solidar um protótipo de pesquisa fundamentado na reparo rigorosa e na paixão pela flutuação biológica.
Médico veterinário de formação, permaneceu uma vez que voluntário não remunerado em Manguinhos por mais de uma dez (1938-1949), movido somente pelo compromisso com a ciência.
Com mais de 200 publicações, foi professor conferencista do Recomendação Vernáculo de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq, 1-A na quadra) e tornou-se a maior mando mundial na família Sarcophagidae, que são moscas conhecidas uma vez que moscas da mesocarpo.
Realizou mais de 1 milénio criações de moscas em laboratório, descrevendo inúmeros gêneros e espécies novas. Destacou-se também na malacologia (estudo dos moluscos) e na fitologia, mantendo coleções vivas que serviam de base para seus orientandos.
Em 1970, quando ocupava a chefia da Seção de Insectologia, Hugo de Souza Lopes foi cassado pelo AI-5 e viu-se impedido de entrar nos laboratórios que ajudou a edificar.
Apesar de tudo, foi para o Museu Vernáculo e para a Universidade Santa Úrsula, onde continuou a formar gerações de biólogos. Faleceu em 1991.
Masao Goto (1919–1986)
Nascido no Rio de Janeiro em 1919, Masao Goto formou-se em medicina pela Universidade do Brasil (atual UFRJ). Ingressou oficialmente em Manguinhos em 1944, por meio de concurso público, tornando-se pesquisador, professor e, posteriormente, gerente da Seção de Micologia.
Perito de renome internacional, Goto dedicou décadas ao estudo das micoses sistêmicas e superficiais, uma vez que a paracoccidioidomicose e a pitiríase, sendo o principal colaborador do eminente observador Antônio Eugênio de Arêa-Leão.
No Hospital Evandro Chagas, teve atuação clínica em alergia e imunologia, unindo a pesquisa de bancada ao atendimento médico direto à população.
Em 1970, em parceria com Moacyr Vaz de Andrade e Arêa-Leão, liderava uma das linhas de pesquisa mais promissoras da dimensão no país: o estudo de metabólitos fúngicos com potencial ação analgésica para pacientes com cancro, cuja investigação já se encontrava em período de testes clínicos, conduzidos no Hospital Mário Kroff e no Instituto do Cancro.
A cassação política do grupo resultou na perda de todos os avanços científicos acumulados ao longo de anos.
No exílio institucional, dedicou-se exclusivamente à clínica privado. Embora tenha sido oficialmente reintegrado em 1986, o fado impediu seu retorno físico aos laboratórios de Manguinhos: Masao Goto faleceu precocemente em decorrência de problemas cardíacos logo em seguida a conquista da anistia, sem chegar a reassumir o seu missão na instituição que ajudou a edificar.
Moacyr Vaz de Andrade (1920–2001)
Nascido no Rio de Janeiro em 1920, Moacyr Vaz de Andrade se graduou em química pela Faculdade Vernáculo de Filosofia e obteve o título de doutor em 1951. Foi aluno do Curso de Emprego do Instituto Oswaldo Cruz (IOC), sancionado em concurso público para químico comentador e contratado em 1943.
No IOC, atuou uma vez que pesquisador e professor na Seção de Micologia, especializando-se em química e terapia de fungos. Sua reconhecida conhecimento técnica e institucional levou-o a simbolizar o Instituto na Percentagem de Biofarmácia do Serviço Vernáculo de Fiscalização de Medicina e Farmácia do Ministério da Saúde.
Teve o trabalho promissor com Masao Goto e Antônio Eugênio de Arêa-Leão interrompido em 1970, pelo “Massacre de Manguinhos”. Cassado pelo AI-5 e impedido de trenar funções públicas pelo AI-10, todo o projeto foi interrompido e os avanços acumulados ao longo de anos foram completamente perdidos.
Posteriormente a cassação, enfrentou um doloroso período de dois anos e meio de desemprego forçado. A partir de 1973, transferiu sua expertise para a iniciativa privada, onde chefiou o controle de qualidade de produtos farmacêuticos, alimentícios e dietéticos.
Com a conquista da anistia, em 1986, foi reintegrado ao quadro de pesquisadores da Fiocruz, retornando ao Departamento de Micologia, onde trabalhou até 1997, quando se afastou por questões de saúde. Faleceu em 2001.
Sebastião José de Oliveira (1918–2005)
Nascido no Rio de Janeiro, em 1918, Sebastião José de Oliveira, pesquisador preto de Cascadura, formou-se em medicina veterinária em 1941, pela Escola Vernáculo de Veterinária (atual UFRRJ). Sob a orientação de Hugo de Souza Lopes e Lauro Travassos, ingressou no Instituto Oswaldo Cruz (IOC), em 1939, uma vez que estagiário voluntário.
Em 1944, iniciou as pesquisas que constituiriam o núcleo de estudos sobre os Chironomidae no IOC, dípteros que o fascinavam desde a puerícia, uma vez que moscas, mosquitos, varejeiras, pernilongos, borrachudos e mutucas.
Sebastião foi um pilar nas históricas expedições científicas lideradas por Lauro Travassos, participando ativamente da coleta de milhares de exemplares que hoje compõem a prestigiada Coleção Entomológica do IOC.
Sua produção científica soma 123 trabalhos publicados, incluindo a descrição de quatro gêneros novos (Lopescladius, Brasixenos, Corytibacladius e Laurotanypus) e 70 espécies. O grande reconhecimento internacional de sua obra foi selado pelo gênero Oliveriella e por outras dez espécies que receberam o epíteto oliveirai, em sua homenagem.
Na dez de 1960, o pesquisador teuto Ernst Josef Fittkau, em seguida realizar expedições de coleta na Amazônia pelo convênio entre o Max Planck Institut e o Instituto Vernáculo de Pesquisas da Amazônia (INPA), convidou Sebastião José de Oliveira para, juntos e com o apoio de uma bolsa de pesquisa, estudarem o material coletado.
Essa colaboração, todavia, foi interrompida pelo Massacre de Manguinhos.
Somente 30 anos em seguida o invitação original, uma pesquisadora brasileira, Maria Conceição Messias, ex-aluna de Sebastião, pôde estudar esse material durante a preparação de sua tese de doutorado. O trabalho foi realizado sob a orientação conjunta de Fittkau e Oliveira, constituindo a primeira tese sobre taxonomia de Chironomidae defendida no Brasil.
Impedido de trabalhar no setor público, o pesquisador prestou consultorias e serviços à iniciativa privada até ser reintegrado à Fiocruz, em 1986. No seu retorno, assumiu a docência e a curadoria da Coleção Entomológica.
Sua imposto ao Estado do Rio de Janeiro expandiu-se também para a gestão pública, na qual atuou uma vez que Subsecretário Anexo de Ciência e Tecnologia entre 1992 e 1993.
Sebastião José de Oliveira faleceu em 16 de abril de 2005, deixando a asseveração da identidade negra na ciência brasileira.
Tito Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti (1905-1990)
Originário de Taquaritinga (SP), Tito Arcoverde doutorou-se em Medicina pela Universidade de São Paulo (USP). Sua curso docente teve início na própria USP, onde foi assistente e gerente de laboratório.
Em 1939, em seguida aprovação em concurso para a Faculdade de Odontologia da Universidade do Brasil, ingressou no Instituto Oswaldo Cruz (IOC), em Manguinhos. Na instituição, exerceu liderança científica, atuando uma vez que pesquisador, professor e gerente da Ramificação de Fisiologia e Farmacodinâmica.
A conhecimento de Tito Arcoverde Cavalcanti levou-o a ocupar cargos de subida relevância no cenário científico pátrio. Doado pelo IOC, colocou-se à disposição do CNPq, onde foi diretor do Setor de Pesquisas Biológicas, de 1955 a 1963, e membro do Recomendação Deliberativo, de 1963 a 1966.
Tito também colaborou com o Instituto Vernáculo de Pesquisas da Amazônia (INPA). Em 1959, retornou a Manguinhos, onde exerceu o missão de diretor do Instituto Oswaldo Cruz entre 1960 e 1961 (missão equivalente ao de presidente da Fiocruz).
Sua produção científica teve poderoso impacto social, com foco em nutrição e saúde ocupacional. Destacam-se seus estudos pioneiros sobre o valor energético dos víveres brasileiros; problemas alimentares em regiões específicas uma vez que a Amazônia, Maranhão e Piauí; saúde do trabalhador, com ênfase em pesquisas no setor de indústrias gráficas; estudos sobre águas minerais, que lhe renderam o prêmio da Sociedade de Medicina e Cirurgia de São Paulo.
Em 1986, em seguida 16 anos de isolamento forçado, Tito Arcoverde foi reintegrado à Fiocruz. Já em idade avançada, retomou o trabalho ao lado de Haity Moussatché, dedicando-se à reorganização do Departamento de Fisiologia e Farmacodinâmica da instituição. Sua vida e obra permanecem uma vez que símbolos da resistência científica brasileira e da luta pela autonomia das instituições de pesquisa. Faleceu em 1990.











