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Claudia Faissol leva inéditos de João Gilberto ao cinema
Celebridades Cultura

Claudia Faissol leva inéditos de João Gilberto ao cinema – 09/10/2026 – Ilustrada

Um curta-metragem de 15 minutos já editado, um roteiro de longa ainda sem título e um pilha que ainda não foi inteiramente pesquisado. É a partir desse material que a jornalista Claudia Faissol —mãe de Luísa Carolina, filha caçula de João Gilberto— pretende realizar um documentário sobre o músico, morto em 2019, aos 88 anos.

Faissol procura agora uma parceria para produzir, preservar e partilhar o material. Diz que sua preferência será por uma empresa que também possa levar o projeto ao exterior. Ainda não há orçamento fechado nem diretor definido para o longa.

“JG autorizou tanto a biografia uma vez que o documentário em documentos com firma reconhecida em cartório”, diz Faissol.

A Folha teve entrada a duas autorizações formalizadas em cartório, datadas de 2000 e 2005. A mais recente tem seis páginas e 13 itens e detalha aspectos da produção e da captação de recursos para o projeto audiovisual.

“Até o momento não tive nem condições emocionais de passar por todo o material e decupar tudo com atenção”, afirma. “O final da vida do JG gerou uma situação que me deixou em estado emocional muito saída.”

Ela conta possuir fotos e filmes feitos desde a dez de 1990 no Rio de Janeiro, Enseada dos Reis, Aracaju, Fortaleza, Vitória, Salvador e São Paulo, além de cidades uma vez que Novidade York, Tóquio, Osaka, Palermo, Perugia, Montreux, San Francisco, Boston, Buenos Aires e Montevidéu.

Segundo Faissol, o registo inclui registros inéditos de canções, cenas domésticas, viagens, bastidores de shows, momentos de João com a própria família, com a família dela e com Luísa e gravações nas quais o músico responde a perguntas. Ela ainda não sabe precisar o número de fotografias nem a duração totalidade das filmagens.

A maioria das fotos do registo foi tirada por Faissol, assim uma vez que quase todos os vídeos. Depois do promanação de Luísa, em 2004, ela passou também a contratar cinegrafistas para registrar apresentações de João.

O procedimento esbarrava numa propriedade conhecida do músico: a resistência a câmeras e gravações que não controlasse. Segundo Faissol, com a transição das câmeras analógicas para as digitais, João passou a se preocupar também com a possibilidade de técnicos terem entrada às gravações e colocá-las na internet.

“Ele dizia que não conseguia sentir-se à vontade em saber que estava sendo filmado”, diz ela.

Faissol diz que começou tentando convencê-lo por cartas e conversas telefônicas. João argumentava que a filmagem interferia na concentração necessária para tocar.

Nos shows, ela afirma ter visto seguranças retirarem equipamentos de fotógrafos e cinegrafistas. Em algumas ocasiões, diz, sua própria câmera era recolhida. João portanto pedia o aparelho para devolvê-lo a Faissol, sem informar à produção que havia permitido especificamente aquelas imagens.

Ao participar da organização das apresentações que João realizou em 2008, ela diz ter ouvido uma orientação direta do músico. “Show é uma coisa, filmagem é outra, e as propostas para filmagem até hoje não foram boas para o lado do artista”, teria dito João.

Segundo a jornalista, ele permitiu que ela apresentasse o tratado entre os dois quando fosse necessário obter autorizações para seus próprios registros, mas não que liberasse as imagens para utilização indiscriminada por terceiros.

Ela pretende participar do desenvolvimento do documentário e diz que, numa lanço ulterior, gostaria de realizar também um filme fundamentado em acontecimentos reais. Vem trabalhando ainda numa série de pinturas que labareda de “Bossa-Novidade Raiz”, inspiradas nas músicas que aprendeu com João.

A relação entre os dois começou muito antes do promanação da filha. Faissol conta que conheceu João aos 18 anos na clínica odontológica de seu pai, Olympio Faissol, que atendia o músico. Na idade, ela começava a encaminhar e lembra-se de levar para ele frutas e palmito vindos de Enseada dos Reis.

A relação começou uma vez que uma amizade. Claudia prefere não expressar quando a amizade se tornou um relacionamento amoroso e afirma que pretende reservar esse momento para o filme.

“João era uma companhia cativante, sedutora e inteligente. Às vezes era muito difícil de mourejar com ele. Postergava tudo que podia.”

Faissol afirma que dedicou mais de 20 anos a João e deixou de lado trabalhos próprios para ajudá-lo. Diz ter ignorado um estágio na TV Orbe e participado de questões práticas relacionadas à curso e às apresentações do músico.

Ela quer usar o material também para restaurar pequenos traços do cotidiano de João. Em uma das gravações, feita enquanto ele assistia pela televisão ao consórcio do príncipe Harry, em 2018, o músico critica os chapéus usados pelos convidados dentro da igreja.

A reparo remetia ao uso de sua puerícia no interno da Bahia, onde entrar numa igreja de chapéu era visto uma vez que falta de saudação.

O registo não se limita às filmagens. Entre os documentos apresentados por ela à Folha está uma correspondência da Universidade Columbia, de Novidade York, de dezembro de 2016.

Assinada pelo portanto presidente da instituição, Lee C. Bollinger, a missiva convida João a receber o título de doutor em música honoris culpa na cerimônia de formatura marcada para 17 de maio de 2017.

Outro documento, datado de 20 de janeiro de 2017 e assinado por João, comunica que ele aceitava o invitação e pretendia comparecer. “Estou feliz e honrado. Obrigado por esse prestigioso reconhecimento”, diz o texto em inglês.

Faissol pretende usar documentos desse tipo ao lado das imagens particulares e das gravações de apresentações. Ela diz ainda que o estado de segmento do material exige trabalho de preservação e transferência para novos formatos.

“Estou em procura de recursos para preservar o pilha de imagens e realizar o documentário e o filme”, afirma. “Todo tipo de espeque será importante em todas as etapas do audiovisual, ajuda de produção, distribuição, exibição.”

Segmento desse registo já serviu para outro projeto. No disco de estreia de Loulu Gilberto, nome artístico de Luísa, lançado em maio, a cantora recuperou canções que ouvia e cantava com o pai em vivenda. A pesquisa do repertório recorreu também a vídeos caseiros de Luísa cantando com João, feitos por Claudia.

Em setembro, Loulu foi indicada ao Grammy Latino nas categorias Gravação do Ano, por “O Paixão nos Encontrou”, e melhor artista revelação. A premiação será realizada em 12 de novembro.

João Gilberto teve três filhos em relações diferentes. Foi casado com Astrud Gilberto entre 1959 e 1964. O fruto dos dois, João Marcelo, nasceu em 1960. Depois, casou-se com Miúcha, em 1965. Bebel Gilberto nasceu em Novidade York no ano seguinte. A relação do parelha terminou no início dos anos 1970.

Luísa Carolina, filha de João com Claudia Faissol, nasceu em 2004. Há dois anos, Claudia entrou na Justiça pedindo o reconhecimento de união seguro.

Outra disputa envolve Maria do Firmamento Harris, moçambicana que afirma ter mantido união seguro com João durante 35 anos, de 1984 até a morte dele. Em 2022, ela obteve uma decisão liminar favorável.

No ano seguinte, Bebel chegou a um tratado com Maria em que reconheceu a união seguro entre ela e o pai. João Marcelo e Luísa contestaram a decisão.

A sucessão permanece sem definição final. Em decisão noticiada em agosto, o Tribunal de Justiça do Rio manteve a proibição de que os filhos retirassem individualmente valores provenientes de direitos autorais até que fossem resolvidas questões sobre o número de herdeiros, o patrimônio e sua partilha.

Faissol diz que seu objetivo inopino é fazer um levantamento completo do que guardou, encontrar uma estrutura profissional capaz de preservá-lo e deliberar, junto com produtores, qual será a forma final do projeto.

“Foi revisitando a obra que lembrei de muitas coisas e até agora ainda estou reencontrando memórias importantes”, afirma.

Por isso, não existe ainda uma relação completa das gravações e fotografias que diz possuir. O curta de 15 minutos funciona, por enquanto, uma vez que uma primeira montagem desse pilha. Um vídeo de alguns minutos de registros de canções e cenas domésticas e uma retrato também foram liberado por ela para publicação pela Folha.

“Foi difícil rever as imagens e encontrar estrutura para revisitar meu trabalho”, diz Faissol. O projeto que ela procura viabilizar começa, portanto, por uma lanço mais básica: rever, identificar e preservar o material aglomerado desde os anos 1990.

Folha

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