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Comissão aprova relatório de PEC que acaba com escala 6X1
Brasil

Comissão aprova relatório de PEC que acaba com escala 6X1

A percentagem próprio da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (27), por 34 votos favoráveis e quatro contrários, o relatório do deputado Leo Prates (Republicanos-BA) sobre a proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/19 que acaba com a graduação de trabalho 6X1.

O texto prevê a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais, com dois dias de folga e sem redução salarial.

A material segue agora para o plenário da Morada para votação em dois turnos, onde precisará do esteio de, no mínimo, 308 parlamentares. A expectativa é que a proposta seja votada ainda nesta quarta-feira.

O relatório foi apresentado na segunda-feira (25), mas um pedido de vista da oposição adiou a votação da proposta para hoje. A Câmara dos Deputados realizou uma sessão protocolar de oito minutos, pela manhã, para que fosse liberada a votação do texto na percentagem próprio.

Proposta aprovada

O texto autenticado é a versão do relator para duas propostas de emenda à Constituição que previam a redução de jornada: a PEC 221/19, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), que estabelecia 36 horas semanais depois um período de dez anos, e a PEC 8/25, da deputada Erika Hilton (Psol-SP), que introduzia a graduação 4X3 (quatro dias de trabalho e três de folga), com limite de 36 horas semanais, depois de um ano.

O parecer apresentado por Prates modifica o item 7º da Constituição Federalista, determinando que a duração do trabalho normal não deverá ser superior a oito horas diárias e 40 horas semanais, “facultada a indemnização de horários e a redução da jornada, mediante harmonia ou convenção coletiva de trabalho.”

A proposta também determina dois dias de repouso semanal remunerado, um deles preferencialmente aos domingos.

Pela proposta, o término da graduação 6X1, com garantia de ao menos duas folgas semanais, preferencialmente aos domingos, entrará em vigor 60 dias depois a promulgação do texto “sem qualquer redução salarial, seja nominal, proporcional ou de qualquer outra espécie.”

O relatório autenticado prevê uma transição em dois períodos para a implementação da novidade jornada de trabalho. A medida foi incluída depois um harmonia do governo com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB).

  • O primeiro período de transição será 60 dias depois a promulgação da emenda constitucional, com a duração do trabalho normal passando de 44 para 42 horas semanais.
  • Doze meses depois a ingresso em vigor da mudança para 42 horas, a duração do trabalho será reduzida em duas horas, ficando nas 40 horas semanais, com o sumo de 8 horas diárias de trabalho.

Depois o prazo de 60 dias e dentro do período de redução da jornada, o texto prevê, entretanto, a possibilidade de ampliar a duração diária do trabalho normal para “viabilizar a distribuição da duração semanal do trabalho”. Essa ampliação deverá ser feita por negociação em convenção ou harmonia coletivo de trabalho.

Debates

Depois deputados do PL assinarem uma emenda prevendo um período de 10 anos para o término da graduação 6X1, o líder do partido na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), anunciou que protocolaria um destaque para que, em vez da redução de jornada 6X1, construída em harmonia com o governo e a presidência da Câmara dos Deputados, fosse votada a graduação de trabalho 4X3.

A atitude foi criticada porquê uma tentativa de prejudicar a votação do texto.

“Sem nenhum tipo de estudo, sem nenhum aprofundamento no debate, sem sequer ter participado desta percentagem, o PL, em uma tentativa de manipular a opinião pública, propõe a graduação 4X3 e ameaço que, se não for aprovada no plenário hoje, vai propor imediata emprego da lei sem tempo de transição”, criticou o deputado Otoni de Paula (PSD-RJ).

“Depois que o presidente Lula passou a concordar o término da jornada de trabalho 6X1 até a oposição vai votar favorável, até o PL já está defendendo o término da jornada de trabalho 6X1. Eles correram do debate e, envergonhados, vão terminar votando favoráveis”, ironizou o líder do governo na Câmara, Rubens Pereira Junior (PT-MA).

“Eu duelo qualquer pessoa a pegar um vídeo deste líder dizendo que eu era contrário. Não existe. Porque nós nunca emitimos raciocínio de valor sobre isso”, rebateu Sóstenes.

O líder do PL protocolou um destaque para derrubar o período de transição de 60 dias para a redução da jornada de trabalho e afirmou que apresentaria, no plenário, o destaque para votação da graduação 4X3. O texto foi rejeitado.

O pedido de supressão da regra de transição ocorre depois o relator Leo Prates não albergar as emendas apresentadas por mais de 170 parlamentares do centrão e da oposição que pretendiam estabelecer uma regra de transição de dez anos a partir da promulgação da Emenda Constitucional.

As emendas determinavam ainda a redução do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para os trabalhadores, manutenção das 44 horas para serviços essenciais e indemnização econômica a empresas para ratificar o término da graduação 6X1.

“Quero parabenizar o deputado Leo Prates que não admitiu o texto de dez anos de transição e nem a Bolsa Patrão. Foram vários do PL que assinaram a Bolsa Patrão e assinaram os dez anos de transição”, lembrou o deputado Rogério Correia (PT-MG).

A lista de deputados que inicialmente apoiaram a emenda inclui, principalmente, parlamentares do PL (61), PP (32), União (23), Republicanos (17) e MDB (13). Muitos deputados retiraram o esteio depois de tolerar críticas em suas bases eleitorais.

 

Material atualizada às 17h04 para acréscimo de informações

Fonte EBC

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