No prelúdios dos anos 1970, o músico carioca Luiz Paulo Simas era um dos poucos brasileiros a ter um sintetizador analógico —tecnologia que começou a chegar na música popular nas décadas anteriores. Com o instrumento, Simas tocou nas bandas de rock progressivo e psicodélico Módulo 1000 e Vímana e gravou o som da “mosca” na clássica tira “Mosca na Sopa”, de Raul Seixas. Mas ele ficou mais publicado por ser o responsável do famoso “plim, plim” dos comerciais da TV Mundo.
A curso de Simas, todavia, foi muito além do uso pioneiro do instrumento, começando no grupo de bossa novidade Agora-4, nos anos 1960, e se estendendo por décadas de constituição para músicos uma vez que Ana Caram e Ritchie. Desde 1989, ele atua uma vez que pianista solista nos Estados Unidos, onde se estabeleceu. Nesta quinta, o músico se apresenta na sua terreno natal, o Rio de Janeiro, pela primeira vez com uma formação de filarmónica desde que se mudou do Brasil.
O show foca as últimas décadas da curso de Simas, que será escoltado pelo baterista Di Stéffano e pelo baixista Rodrigo Villa, com quem nunca trabalhou antes. Colaborações recentes do músico, uma vez que uma constituição feita em parceria com Roberto Menescal e outra com Carlos Mamparra, serão estreadas na apresentação, que acontece no Manouche, no Jardim Botânico.
“Vai ser engraçado se um pessoal for ao show esperando que eu toque Módulo 1000. Eu não vou tocar, infelizmente, porque não vai caber. Mas minha música tem influência de tudo isso. Não sou bossa-novista, não sou roqueiro; sou tudo isso misturado”, diz o músico.
Simas cresceu em Copacabana, onde começou a fazer lição de piano aos quatro anos. Já na mocidade, passou a tocar órgão em bandas de dança e se lembra de frequentar reuniões de músicos influentes em Ipanema, uma vez que o saxofonista Victor Assis Brasil. Pelo talento no órgão, Simas foi convidado a integrar a Agora-4 —que chegou a ser contratada pela Philips, mas nunca finalizou um LP— e, depois, a Módulo 1000.
“No início, éramos uma filarmónica de dança, mas acabamos virando um grupo de músicas autorais. Eu dei força para cantarmos em português. Compunha desde os seis anos, mas foi a primeira vez que gravei um disco”, diz Simas sobre “Não Fale com As Paredes”, álbum lançado em 1970 pela gravadora Top Tape.
Foi mais ou menos nesta idade, quando Simas já havia sido atraído pelo universo do rock progressivo, que ele ouviu um álbum da filarmónica americana de jazz fusion Blood Sweat & Tears e se perguntou de onde vinham alguns dos efeitos sonoros que não conseguia identificar uma vez que timbres de instrumentos acústicos. Ele descobriu, lendo o encarte, que os ruídos eram feitos com sintetizadores analógicos.
Com a ajuda de seu irmão, que viajou para Londres, Simas adquiriu um sintetizador analógico portátil da marca inglesa EMS. O instrumento fez secção de seus shows com a Módulo 1000 e, mais tarde, com a rescisão da filarmónica, com o grupo Vímana, que formou com Lulu Santos, Ritchie, Lobão e Fernando Gama.
“Quando passei para a Vímana, eu já estava todo envolvido em teclados, sintetizadores, tinha um monte. Tinha um órgão, um piano com captador, um Minimoog [primeiro sintetizador analógico e portátil]”, diz.
Foi com esse arsenal que Simas gravou “Filarmónica Elétrica”, primeiro LP brasiliano a ser feito completamente com sons de sintetizadores analógicos. Com um tom “cômico”, nas palavras do artista, o disco era uma coleção com algumas composições inéditas de Simas e várias reinterpretações de clássicos da música brasileira e internacional, uma vez que o chorinho “Tico Tico no Fubá” e “Penny Lane”, dos Beatles.
A proposta lembrava o clássico “Switched-On Bach” de Wendy Carlos, que cinco anos antes havia transposto Bach para o sintetizador Moog.
O objetivo, diz Simas, era ter um tipo de portfólio dos sons que os sintetizadores eram capazes de produzir para oferecer a uma indústria cada vez mais impressionada com os efeitos sonoros da novidade tecnologia. Foi mal ele virou o responsável do famoso “plim, plim” da Mundo, depois de seu efeito ter sido escolhido “entre dezenas de opções”, uma vez que conta Boni em seu livro.
Depois uma breve pausa depois do termo da Vímana, Simas retomou seu trabalho uma vez que compositor já nos Estados Unidos, onde passou a se apresentar uma vez que pianista solo. Tocando em lugares de renome, uma vez que o Carnegie Hall em Novidade York, ele explora um repertório clássico de música brasileira, que vai da bossa novidade ao chorinho.
“Nos Estados Unidos, o interesse é principalmente em bossa novidade, em Tom Jobim. Poucos conhecem o que veio depois”, afirma Simas. “Para mim é interessante, mas eu me interesso em fazer coisas que vão ou por outra. Tocar no Brasil tem essa vantagem —as pessoas me entendem cá.”





