O jogo entre Argélia e Áustria neste sábado (27) em Kansas City tem grande prestígio no vista esportivo, a classificação para a próxima período, mas também um componente histórico: passaram-se 44 anos do Jogo da Vergonha entre austríacos e alemães, que foi irremissível para os argelinos.
“Devemos informar os jogadores sobre o que Áustria e Alemanha fizeram na Despensa de 1982. A revanche esportiva é necessária”. Com essas palavras, pronunciadas no site Dzair Tube, o mito dos Fennecs, Lakhdar Belloumi, deu voz ao sentimento universal no país norte-africano.
Nenhum dos 26 membros da seleção atual havia nascido quando aquele jogo foi disputado, de quem desenvolvimento, desfecho e consequências provocaram polêmica e depois um grande escândalo.
Não haviam nascido, mas todos conhecem a história porque a ferida continua ocasião.
Flashback.
Posteriormente ter oferecido uma grande surpresa ao vencer a Alemanha Ocidental por 2 a 1, primeira vitória de uma seleção africana sobre uma europeia em uma Despensa do Mundo, a Argélia perdeu por 2 a 0 para a Áustria e depois derrotou o Chile por 3 a 2.
Para aspirar a passar para a segunda período, a Argélia precisava de um empate ou uma rota dos alemães diante dos austríacos, ou, ao contrário, uma vitória por três gols de diferença da Alemanha Ocidental no último jogo do Grupo 2.
Zero disso aconteceu em 25 de junho em Gijón.
Depois da orifício do placar de Horst Hrubesch no minuto 11, os jogadores de ambas as equipes não fizeram mais do que trocar passes sem tentar jogadas ofensivas, sob as vaias do público. Nas arquibancadas, agitavam-se notas de pesetas no ar e cantava-se “Que se beijem, que se beijem!”.
‘Vergonha’, ‘Scham’
Em vários canais de televisão de todo o mundo, incluindo a ARD alemã, pronunciou-se a mesma termo: “Scham”, ou seja, “vergonha”.
O presidente da federação argelina, revoltado, denunciou uma paródia de jogo.
Quarenta e quatro anos depois da anexação da Áustria pela Alemanha nazista em 1938, um jornal espanhol chegaria até a qualificar o confronto de “Jogo do Anschluss” (anexação em boche)…
Logo posteriormente o jogo, o lateral boche Paul Breitner se defendeu: “O público é estúpido se não entende que se tratava unicamente de se qualificar”.
“É um insulto!”, clamou por sua vez o técnico boche, Jupp Derwall, quando foi questionado sobre uma combinação de resultado.
“É evidente que hoje jogamos de forma tática! Mas se, por essa razão, 10 milénio filhos do deserto querem fazer um escândalo, isso demonstra simplesmente que não foram à escola o suficiente”, declarou Hans Tshak, director da delegação austríaca.
“Acontece que um xeque sai de um oásis, que tem recta, pela primeira vez em 300 anos, de saborear o envolvente de uma Despensa do Mundo, e que acredita que agora pode terebrar sua grande boca”, acrescentou com superioridade.
Com o passar dos anos, os ânimos se acalmaram, mas o rancor argelino permanece. “Parecia mais um jogo amistoso do que uma partida de Despensa do Mundo. Infelizmente, foi a Argélia quem pagou o preço”, explica à AFP a antiga estrela do futebol argelino Rabah Madjer, responsável de um gol na épica vitória contra os germânicos.
“Depois daquilo, a Fifa modificou as regras para evitar qualquer combinação no horizonte”, acrescenta.
A Argélia enfrentou o Chile na véspera daquele Áustria x Alemanha, por isso os vizinhos centro-europeus já sabiam de antemão qual resultado convinha aos dois.
Desde a Despensa seguinte, a do México-1986, os dois últimos jogos de um mesmo grupo são disputados ao mesmo tempo.
‘Pacto de não agressão’
Com o tempo também foram se soltando as línguas, até que Paul Breitner reconheceu em 2006 o pacto: “Em um determinado momento, cada equipe começou a dirigir o placar”.
“Compreendo o insatisfação argelino, porque parecia que tudo estava combinado. Na metade do segundo tempo, o jogo tinha se tornado impossível de observar. Era um verdadeiro pacto de não agressão”, acrescentou um ano mais tarde o zagueiro boche Karl-Heinz Förster.
“Digamos que se tratou de um negócio parcial”, tenta ponderar à AFP o ex-goleiro austríaco Friedrich Koncilia.
“Os espectadores perceberam que havia uma espécie de ‘cessar-fogo’ entre Alemanha e Áustria; um termo mal escolhido, porque há tantas guerras em curso atualmente… Eu diria mais que havíamos combinado não perder por mais de 2 a 0”, acrescenta.
“O que aconteceu foi, é evidente, doloroso, mas assimilamos muito. Suponhamos que tivéssemos enfrentado Tunísia, Marrocos ou outro país mouro; se estivéssemos no lugar da Alemanha e da Áustria, teríamos feito o mesmo”, admite agora o velho atacante Salah Assad, também entrevistado pela AFP.
Curiosamente, 44 anos depois, o tramontana quis que Argélia e Áustria voltassem a se enfrentar em uma Despensa do Mundo… e um empate poderia qualificar os dois!





