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Cordel: Livro de Victor Yves reúne 500 capas no Brasil
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Cordel: Livro de Victor Yves reúne 500 capas no Brasil – 26/09/2026 – Ilustrada

Uma pasta do dedo com murado de 8.000 imagens de capas de cordel, reunidas ao longo dos anos pelo designer alagoano Victor Yves, deu origem a um livro de 700 páginas.

“Visual Culture of Northeast Brazil – Cordel Edition” reúne mais de 500 capas produzidas dos anos 1950 até hoje e procura olhar para o cordel menos porquê gênero literário do que porquê segmento da história do design gráfico brasiliano.

Publicado em inglês, o volume chega ao Brasil escoltado de “A Oficina Verbal das Capas”, complemento criado principalmente para esta edição. Com murado de 90 páginas, reúne traduções de textos do livro e inéditos de autores porquê Xico Sá, Isabelly Moreira, Chico Varão de Melo, DJ Dolores, Fausto Fawcett, Lirinha e Cristhiano Aguiar.

Nascido em Arapiraca, no interno de Alagoas, Yves frequentava ainda menino as feiras de rua com o pai. O cordel estava nas feiras, mas também nas bancas de jornal.

Seu interesse, diz, era primeiro visual. Mais tarde, já estudando design gráfico, estranhou que aquela produção praticamente não aparecesse em sua formação acadêmica.

Durante murado de 15 anos, Yves foi salvando no computador reproduções de capas encontradas sobretudo por meio de buscas online. No início de 2025, percebeu que a pasta já reunia murado de 8.000 imagens. “Eu nunca procurei estudar a fundo a verso. O que me atraía era a tipografia e a ilustração das capas.”

O material deu origem ao site Registro Casca (casca-archive.org), organizado por responsável, cor e tipo de produção gráfica. Para o livro, Yves procurou também acervos e pesquisadores, entre eles o Instituto Brincante e o poeta e folclorista Marco Haurélio, responsável pela revisão.

Ao saber o registro, a jornalista Olivia Hingley, do site britânico It’s Nice That, destacou não somente as xilogravuras, mas sobretudo a tipografia vernacular. “Foi a primeira vez que tive certeza de que o cordel estava completamente fora da liceu”, diz Yves.

Para Yves, a tipografia vernacular não se resume às letras desenhadas à mão. Ela inclui também soluções produzidas com instrumentos, matrizes de madeira e tipos móveis manipulados artesanalmente. O responsável observa a intervalo entre a padronização industrial e a variedade que surge dessas formas de produção.

O recorte das mais de 500 capas não foi feito pela notabilidade dos cordelistas ou pela prestígio literária dos títulos. “Minha escolha foi muito no sentido de multiplicidade de tipografia”, diz.

Entraram também diferenças de sensação, uso de cores e técnicas gráficas. Yves cita porquê exemplo o ocupação de cor por J. Borges em xilogravuras. O livro passa ainda por artistas porquê Rabino Dila, Rabino Noza, José Costa Leite, Rabino Nunes e Rabino Expedito.

A tipografia ocupa boa segmento da argumentação. Há títulos desenhados à mão, letras feitas com matrizes de madeira e composições montadas com tipos móveis, muitas vezes gastos ou incompletos.

As condições materiais de sensação também entram nessa leitura. “Às vezes o próprio desalinhamento de letras cria uma identidade novidade para a tipografia”, diz.

Yves compara essa inventividade ao trabalho contemporâneo dos designers de tipos, que buscam características capazes de enobrecer uma família tipográfica de outra.

Há ainda a maneira porquê o tamanho das palavras interfere na leitura. “Eles usam a tipografia porquê voz. Às vezes você tem um título muito grande ou muito pequeno para expressar um pouco. Isso é de uma lucidez enorme, porque essa turma não tinha estudo formal de design gráfico.”

Ao longo das páginas, repetem-se cangaceiros, diabos, santos, vaqueiros, bois, monstros e políticos, formando uma espécie de gramática visual ligada ao sertão, à religião, ao fantástico, à sátira política e à vida cotidiana.

Nesse ponto, Yves delimita o alcance do trabalho. “Sou formado em design gráfico, logo tive muito desvelo de me ater ao que é da minha espaço de conhecimento.”

Ele espera que o livro ligeiro pesquisadores de outros campos a estudar outras camadas do cordel, porquê a verso e a simbologia.

Vistas em conjunto, as capas compõem também uma espécie de registro popular da história do Brasil. Há títulos sobre cangaço e religião, mas também sobre futebol, eleições, Projecto Cruzado, Aids, o acidente com césio-137 em Goiânia, a chegada do varão à Lua e personagens da cultura de volume porquê Roberto Carlos.

Outro capítulo trata do que Yves labareda de “a feira porquê museu”. A frase nasceu da confrontação com os zines, publicações gráficas independentes que ele encontra à venda em museus no exterior, enquanto o cordel circula tradicionalmente nas feiras nordestinas. “Achei bonito invocar de museu o mercado que é tão nosso, tão brasiliano”, diz.

Autofinanciado e publicado pelo próprio Casca, o livro teve tiragem de milénio exemplares. Os 500 destinados ao mercado internacional, impressos na China, já se esgotaram; outros 500 foram produzidos no Brasil, onde o volume custa R$ 450.

A teoria do complemento e da turnê brasileira foi do artista e DJ Eduardo Beu, editor de “A Oficina Verbal das Capas” e curador do rodeio de lançamento. Ele propôs levar o projeto a quatro cidades e reuniu os especialistas locais para participar, além dos convidados a grafar no complemento.

O próprio complemento procura reproduzir essa materialidade. Produzido em Caruaru, “A Oficina Verbal das Capas” foi impresso e encadernado na Mansão do Cordel Rabino Dila por Waldênio Silva, neto do xilogravurista. O volume adota formato próximo ao dos folhetos tradicionais e traz um cordão lateral que funciona porquê marcador.

A turnê começa em São Paulo na quinta-feira (1º), às 19h, no Jesuíno Reluzente, em Pinheiros, com uma roda de conversa que reunirá Victor Yves, Eduardo Beu, Xico Sá, Cristhiano Aguiar e o poeta e pesquisador Assis Ângelo.

Yves não considera o levantamento encerrado. “Coloquei porquê volume 1 porque sabia que 500, apesar de ser um número significativo, não é nem próximo do que existe.”

Folha

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