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Craig Thompson mescla biografia e documentário em HQ 30/10/2026
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Craig Thompson mescla biografia e documentário em HQ – 30/10/2026 – Ilustrada

O quadrinista Craig Thompson foi festejado e premiado quando lançou a história em quadrinhos autobiográfica “Retalhos”, em 2003, aos 28 anos. Criado por pais evangélicos do interno do estado do Wisconsin, nos Estados Unidos, ele viu sua primeira obra longa se tornar fenômeno de vendas, publicada em vários países, ao retratar a invenção de seu primeiro paixão e seu esforço em se alongar dos dogmas de sua puerícia.

Sua segunda HQ só saiu em 2011 e a recepção não foi a mesma. A poética “Habibi” foi celebrada por seus desenhos, mas também acusada de apropriação cultural e racismo ao narrar a história de dois jovens escravizados em um país sarraceno imaginário e imaginoso.

Posteriormente publicar o infantil “Space Dumplins”, ele se tornou cândido de fúria nas redes sociais ao anunciar seu terceiro quadrinho adulto longo, “Raízes de Ginseng”. Publicado em fascículos entre 2019 e 2024 e transformado em livro em 2025, trata-se de um retorno às suas memórias de puerícia na pequena cidade de Marathon porquê membro de uma família fundamentalista, somado a uma investida documental sobre o plantio de raízes de ginseng, típicas da China e da Coreia do Sul.

“Comecei a receber ameaças de morte nas minhas redes sociais”, afirma Thompson. “Minha editora abandonou o projeto. E passei pelo menos seis meses sem grafar nem riscar. Mas foi a turnê de lançamento [de uma das edições avulsas] do quadrinho e minha viagem à Coreia do Sul que finalmente me deram forças para levar o projeto até o termo. Os leitores coreanos estavam empolgados com a teoria de uma história em quadrinhos sobre o ginseng e insistiram que eu precisava incluir a Coreia na narrativa. O mesmo aconteceu na China.”

O vínculo entre a puerícia de Thompson e a indústria do ginseng diz reverência às atividades dele durante as férias escolares. Ele e seus irmãos mais novos trabalhavam no cultivo da vegetal. Segundo o responsável, colher ginseng era um trabalho de verão para lucrar verba e comprar quadrinhos.

“Nunca parei para pensar na vegetal em si ou em sua valimento cultural para a medicina chinesa. Fazer leste livro me deu a oportunidade de emendar essa preterição e destinar tempo a saber a cultura que atribui tanto valor a essa raiz.”

Ele defende a obra das acusações de apropriação cultural: “E quanto aos lugares em que a nossa própria cultura se sobrepõe a uma cultura que não é a nossa? Finalmente, essa é uma verdade cada vez mais presente em um mundo globalizado. E foi exatamente essa a minha experiência ao crescer em uma cidade pequena e isolada, com exclusivamente 1.200 habitantes, que, por possibilidade, era a maior produtora de ginseng americano do mundo”.

Autoproclamada capital do ginseng nos Estados Unidos, Marathon produz 95% da variedade conhecida porquê ginseng americano. Secção do livro de Thompson é centrada na relação da cidade com a vegetal.

Mostra a chegada da vegetal à região e apresenta toda a economia que gira em torno dela. O responsável retrata sua rotina colhendo ginseng na puerícia e também fala de religião e cultura. Ele apresenta as práticas e interpretações distintas em torno da vegetal nos Estados Unidos, na Coreia do Sul e na China.

O resultado é um calhamaço de 448 páginas em preto, branco, cinza e vermelho, desenhado em nanquim, que discorre sobre família, fé, meio envolvente, política, tradição e verba.

“É melhor trabalhar com memórias autobiográficas ou ficção? Qual das duas é, em última estudo, mais leal à verdade?”, questiona o responsável sobre as reflexões que vieram à sua mente enquanto produzia a HQ. “É difícil manifestar. Acredito que a verdade é mais estranha do que a ficção e que os dramas da vida real são mais interessantes do que a fantasia ou a imaginação.”

“Não estou tentando grafar tanto sobre mim mesmo, e sim sobre temas universais com os quais todos possam se identificar. Em ‘Retalhos’, isso inclui o primeiro paixão, as lembranças da puerícia e as dinâmicas familiares. Em “Raízes de Ginseng”, acrescentam-se a relação com o trabalho e questões globais mais amplas, porquê a globalização, a lavoura, a classe social, a imigração, a procura por um lugar para invocar de lar.”

Para as passagens documentais do livro, Thompson entrevistou tapume de 80 pessoas. Ele teve porquê mentor informal o companheiro e também quadrinista Joe Sacco, expoente do jornalismo em quadrinhos e responsável do clássico “Palestina”.

“Aprendi com Joe Sacco a valimento da precisão nos detalhes”, conta Thompson. “Às vezes, eu lia um livro inteiro só para embasar um único quadrinho de ‘Raízes de Ginseng’. Pesquisar tem seu próprio prazer: a gente acaba se perdendo em todos aqueles caminhos paralelos que vão surgindo. Mas a pesquisa também é uma forma sofisticada de procrastinação.”

“Por isso, muitas vezes eu precisava me moderar para não permanecer tentando desvendar todos os detalhes sobre a precisão dos processos judiciais movidos por trabalhadores rurais contra fabricantes de pesticidas e fungicidas, quando, na verdade, só precisava riscar uma página do livro.”

Os desenhos e designs de páginas de “Raízes de Ginseng” chamaram a atenção dos críticos. O visual da obra impressiona ainda mais pelo traje de Thompson ter sido diagnosticado com artrite e contratura de Dupuytren, doença que resulta no endurecimento progressivo das mãos. Ele retrata secção desse drama no livro, assim porquê o tratamento com medicamentos feitos com ginseng.

“Infelizmente, minhas mãos estão muito piores do que estavam há oito anos, quando comecei a riscar ‘Raízes de Ginseng'”, ele conta. “Mas não acho que seja o figura que esteja contribuindo para a piora. É um tanto puramente genético, uma forma anormalmente agressiva da doença. O figura não parece ser tão afetado quanto todas as outras coisas que faço. Estou dando às minhas mãos mais sota do que dava há um ou dois anos.”

Folha

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