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Diáspora iraniana nos EUA se divide sobre a Copa do
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Diáspora iraniana nos EUA se divide sobre a Copa do Mundo – 21/06/2026 – Esporte

Nas quadras de Westwood, em Los Angeles, é verosímil encontrar mercados iranianos, padarias e vitrines escritas em farsi.

Em frente aos estabelecimentos, é geral ver a antiga bandeira iraniana, com o leão e o sol, símbolo do país antes da Revolução Islâmica de 1979 que levou ao poder o atual regime.

Ali está uma das maiores comunidades iranianas fora do Irã, concentração que lhe rendeu um sobrenome próprio: Tehrangeles, uma mistura de Teerã com Los Angeles.

Segundo o Pew Research Center, a população iraniana nos EUA era estimada em 740 milénio pessoas em 2024, sendo que metade vive no estado da Califórnia e 230 milénio vivem em Los Angeles e periferia.

Espalhada ao longo da Westwood Boulevard, sobre 15 quilômetros do estádio onde Irã e Bélgica se enfrentam neste domingo (21) na Despensa do Mundo, a região preserva traços da cultura iraniana em meio à paisagem típica americana, dividindo espaço com lojas de redes uma vez que 7-Eleven e cafeterias Starbucks.

Às vésperas da partida, porém, o futebol divide espaço com outro debate.

Entre integrantes da diáspora iraniana, há quem pretenda torcer pela seleção vernáculo e quem defenda o boicote à equipe, por considerá-la um símbolo do regime dominador que governa o país.

Entre os que não desejam testemunhar à seleção iraniana está Roozbeh Farahanipour, 54.

Possuidor de restaurantes em Westwood e uma das vozes mais conhecidas da oposição iraniana em Los Angeles, ele chegou aos Estados Unidos em 2000 em seguida participar dos protestos estudantis que desafiaram o regime no ano anterior.

Segundo Farahanipour, sua atuação no movimento lhe rendeu uma pena à morte no Irã. Há 26 anos, vive nos Estados Unidos, onde se tornou ativista e líder da comunidade exilada.

Farahanipour afirma que não pretende escoltar o jogo. “Tenho alergia à República Islâmica. Não quero testemunhar. Não quero ouvir o hino vernáculo. Não quero ver a bandeira”, diz.

A oposição ao atual regime costuma adotar a antiga bandeira, com sol e leão, e considera que a atual é um símbolo de um regime que reprime a população.

A bandeira antiga foi vetada pela Fifa, porém torcedores a mostraram no primeiro jogo. Exibir o símbolo, vetado pelas autoridades iranianas, está em incoerência com o regulamento da federação, que proíbe manifestações políticas em seus eventos esportivos. Teerã ameaçou até suspender a partida se isso ocorrer.

Farahanipour critica a atitude da Fifa durante o torneio. Segundo ele, a entidade errou ao restringir determinados símbolos e manifestações políticas nos estádios. “Esta é a terreno da liberdade”, afirma, em relação aos EUA.

Para o ativista, cabe aos torcedores determinar quais bandeiras e mensagens desejam levar às arquibancadas.

Apesar das críticas ao regime iraniano, Farahanipour diz compreender tanto os manifestantes que pretendem reivindicar durante os jogos quanto aqueles que preferem unicamente testemunhar às partidas. “Nascente é um país livre.”

Para ele, a seleção representa o governo iraniano e não pode ser dissociada do regime. “Quando vestem a camisa da República Islâmica, para mim eles se tornam segmento de uma operação de relações públicas do regime.”

A posição, porém, não o impede de provar simpatia pelos atletas. Farahanipour afirma saber alguns jogadores e diz confiar que eles compreendem suas críticas. Segundo ele, muitos usam a seleção uma vez que vitrine para mostrar seu talento e buscar oportunidades no exterior.

“Individualmente, eu paladar deles”, afirma ele, enquanto mostra fotos que tirou com os jogadores. “Espero que eles me entendam.”

Farahanipour considera, todavia, injustas as restrições enfrentadas pela delegação iraniana nesta Despensa. “Eles não tiveram as mesmas oportunidades que os outros times.”

O sentimento também aparece entre iranianos que evitam falar publicamente sobre política.

Proprietária de um estabelecimento na região, uma mulher que pediu para não ser identificada se emocionou ao lembrar da puberdade no Irã. Segundo ela, chegou a ser presa ainda jovem e, depois, deixou o país.

Apesar de viver nos Estados Unidos, ela evita entrevistas por receio de expor parentes que permanecem no Irã. Durante a conversa, afirmou que gostaria de conseguir torcer pela seleção vernáculo, mas não vê uma vez que separar a equipe do governo iraniano. “Eu senhoril o meu país, mas não o regime.”

Nem todos os iranianos de Tehrangeles, entretanto, enxergam a seleção da mesma forma.

Javad Yeganeh, 57, divide os dias entre uma empresa de construção social e um moca inaugurado há poucos meses em Westwood. Para ele, a seleção não deve ser confundida com o governo iraniano. “O time é dissemelhante do governo”, afirma.

Enquanto acompanha as notícias sobre a guerra, Yeganeh se preocupa principalmente com os familiares que permanecem no país asiático. “Toda a minha família está lá. Estou triste porque muitas pessoas morreram.”

Em relação ao jogo, ele quer que o time iraniano faça bonito e goleie a Bélgica por 3 a 0. “Fiquei muito feliz com o primeiro resultado”, disse ele em referência a partida contra a Novidade Zelândia, em que a seleção empatou por 2 a 2.

As divisões da comunidade aparecem também nos detalhes.

Enquanto o possuinte de um mercado iraniano criticava Donald Trump durante uma entrevista, uma mulher atravessou a lajeada usando um boné vermelho com os dizeres “Make Iran Great Again”.

A adaptação do slogan trumpista arrancou olhares de quem passava e serviu uma vez que lembrete de que, em Tehrangeles, as divergências vão muito além da decisão de torcer ou não pela seleção. Elas também passam pela forma uma vez que a comunidade enxerga o papel dos Estados Unidos no porvir do Irã.

O mercante era Mohammed Hafarn, 78. Morador dos Estados Unidos há mais de duas décadas, ele afirma que continuará torcendo pela seleção iraniana apesar das críticas ao regime. “Eu senhoril o meu time”, diz. “Nascente time não pertence ao regime. Pertence a todos os iranianos.”

Para Hafarn, os jogadores representam o país e não o governo. “Algumas pessoas acreditam que oriente time pertence ao regime, mas não pertence. No fundo de seus corações, os jogadores estão jogando pelo seu país.”

Hafarn também critica as restrições enfrentadas pela delegação iraniana durante a Despensa e demonstra ceticismo em relação à atuação dos Estados Unidos na guerra.

Segundo ele, Washington não agiu em resguardo da democracia iraniana e o presidente Trump abandonou a promessa de estribar o povo do país. “Não estamos felizes com o regime do Irã”, afirma. “Mas eu suporte o time e gostaria que eles ganhassem.”

Folha

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