Nova York e Londres
|Financial Times
Investidores correm para comprar CDS (swaps de inadimplência de crédito) para proteger suas carteiras caso o boom da IA (lucidez sintético) entre em colapso, impulsionando o volume de negociações de um instrumento que ganhou destaque durante a crise financeira global.
A vaga de empréstimos para financiar trilhões de dólares em investimentos em infraestrutura de IA está alimentando a demanda por esses derivativos, semelhantes a seguros, que pagam uma indenização caso a empresa à qual estão vinculados deixe de honrar suas dívidas.
Peter Salanki, diretor de tecnologia; Brian Venturo, fundador e diretor de estratégia; Michael Intrator, fundador e presidente-executivo; e Brannin McBee, cofundador e diretor de desenvolvimento, participam da abertura de capital da CoreWeave, provedora de serviços de computação em nuvem apoiada pela Nvidia, na Nasdaq, em Nova York
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Brendan McDermid – 16.out.26/Reuters
Mais de US$ 9 bilhões (R$ 45,5 bilhões) em CDS vinculados a títulos emitidos por Oracle, SpaceX, Alphabet, Amazon, Meta, Broadcom e Nvidia foram negociados, em média, a cada semana em setembro, perante menos de US$ 2 bilhões (R$ 10,05 bilhões) em julho, segundo a extensão de pesquisa do Morgan Stanley.
O volume de negociações de índices de CDS de empresas americanas neste ano já superou o totalidade registrado em todo o ano pretérito, de conciliação com dados da Bloomberg.
Em um sinal da crescente consumição dos investidores com a vaga de endividamento, o dispêndio de compra de CDS de muitas empresas ligadas à IA atingiu recordes neste mês.
O chamado spread —diferença usada para ordenar o dispêndio da proteção— subiu nos últimos dias não unicamente para empresas consideradas mais arriscadas pelos investidores, uma vez que a provedora de computação em nuvem para IA CoreWeave, mas também para companhias vistas uma vez que relativamente seguras, uma vez que a Microsoft.
“Os CDS se tornaram um indicador fundamental do sentimento dos investidores em relação ao financiamento das grandes empresas de computação em nuvem e ao investimento em IA de forma mais ampla”, disse Manish Kabra, director de estratégia de ações dos Estados Unidos no Société Générale. “O mercado está cada vez mais concentrado em duas coisas: CDS e fluxo de caixa livre.”
A emissão de dívida vinculada à IA disparou neste ano. As empresas captaram murado de US$ 466 bilhões (R$ 2,34 trilhões) até agora em 2026, perante US$ 101 bilhões (R$ 506,3 bilhões) no mesmo período de 2025, segundo o Morgan Stanley. Os recursos financiam infraestruturas uma vez que data centers e chips.
Embora o volume de empréstimos tenha minguado em relação ao pico de junho, investidores afirmam que a quantidade de grandes tomadores de recursos expostos aos riscos da IA e as dúvidas sobre a capacidade das empresas de obter retorno com seus investimentos no setor ajudam a impulsionar a demanda por CDS.
“É evidente que, em um mercado no qual o risco está muito concentrado, o que você quer comprar são CDS”, disse Jim Caron, diretor de investimentos do grupo de soluções de carteira do Morgan Stanley Investment Management. Ele acrescentou que esses contratos também representam uma proteção de insignificante dispêndio para os investidores.
Tradicionalmente restritos aos investidores especializados em crédito, esses derivativos vêm sendo cada vez mais utilizados por gestores de carteiras de múltiplos ativos e de ações uma vez que uma forma econômica de proteger suas posições ligadas à IA, contribuindo para levar os preços a níveis recordes.
“Uma secção da demanda vem de investidores em títulos que querem proteger suas carteiras. Outra vem de especuladores de múltiplos ativos e de ações que tentam encontrar uma proteção barata para sua exposição à tecnologia”, afirmou Caron, do Morgan Stanley.
A interdependência financeira do setor de IA aumentou os temores de formação de uma bolha. Isso levou investidores a negociar CDS de empresas que fornecem infraestrutura de computação para a OpenAI e a Anthropic, uma vez que Oracle e Alphabet, segundo participantes do mercado.
“Há um prêmio pela dificuldade sendo incorporado aos preços dessas empresas de tecnologia”, disse Gavan Nolan, diretor-executivo da S&P Global Market Intelligence, em referência às estruturas de financiamento complexas e interligadas do setor. Ele acrescentou que as grandes oscilações intradiárias dos spreads de CDS indicam “a incerteza que existe no mercado”.
O dispêndio dos CDS de cinco anos da Meta subiu neste mês para 108 pontos-base, o que significa que custa US$ 108 milénio (R$ 541 milénio) por ano proteger US$ 10 milhões (R$ 501 milhões) em dívida contra um calote. Os derivativos vinculados à Nvidia avançaram para 101 pontos-base. Ambos os valores são recordes.
O preço da proteção contra calote para dívidas da Alphabet e da Amazon também atingiu máximas históricas.
Apesar da subida no dispêndio dos CDS de algumas gigantes de tecnologia, os valores ainda são relativamente baixos em confrontação com os de empresas de IA consideradas mais arriscadas pelos investidores, por exemplo, devido ao proeminente nível de endividamento.
Os CDS da Oracle eram cotados a 322 pontos-base na segunda-feira (19), perante 144 pontos-base no início do ano. Os contratos vinculados à dívida da SpaceX, empresa de Elon Musk, eram negociados a um recorde de 226 pontos-base no início da semana, perante 110 pontos-base quando começaram a ser negociados, no termo de junho.
Muitos investidores consideram esses derivativos uma forma relativamente barata e simples de se proteger contra uma crise.
“Ou você compra CDS ou opções de venda de ações, e essas ações às vezes podem ser extremamente voláteis. Proteger posições em ativos muito mais voláteis é extremamente difícil no mercado de ações. É muito custoso”, acrescentou Kabra, do Société Générale.
Robert Dafforn, diretor de investimentos da Polus Capital, gestora de Londres especializada em dívida de empresas em dificuldades financeiras, chamou a atenção para o endividamento “muito proeminente” do setor. “Você sabe que haverá muita alocação equivocada de capital”, afirmou.
Dafforn acrescentou que o nível de interdependência do sistema financeiro que impulsiona o progressão da IA significa que “o gavinha mais fraco começará, de vestimenta, a inutilizar o sistema”.
A maior preocupação do mercado está concentrada na CoreWeave, empresa de computação em nuvem especializada em IA, conhecida uma vez que neocloud. Alguns de seus títulos já caíram para níveis considerados de dívida em dificuldades financeiras.
Os CDS de cinco anos vinculados à dívida da empresa são negociados a respeito de 1.090 pontos-base. A demanda é tão subida que quem comprar US$ 10 milhões (R$ 51 milhões) em proteção terá de remunerar US$ 1,82 milhão (R$ 9,12 milhões) antemão, além de parcelas trimestrais adicionais de US$ 125 milénio (R$ 626,6 milénio).
“Quando uma empresa ultrapassa 1.000 pontos-base […] a precificação da recuperação esperada [do principal investido pelos detentores dos títulos] começa a predominar”, acrescentou Nolan, da S&P Global.





