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Eleições 2026: Meta desbanca Musk como vilã da tecnologia
Tecnologia

Eleições 2026: Meta desbanca Musk como vilã da tecnologia – 24/10/2026 – Tec

Um novo vilão surge na reta final da acirrada disputa pela Presidência do Brasil: a Meta Platforms Inc.

A gigante das redes sociais recebeu ordem da Justiça Eleitoral brasileira para não interferir na distribuição de teor político ou relacionado às eleições, depois que a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acusou a empresa de, “repetida e sistematicamente”, não entregar seu teor aos usuários de suas plataformas. As Nações Unidas também criticaram a companhia, e até parlamentares dos Estados Unidos estão exigindo respostas.

O embate com a Meta reacende uma disputa sobre o poder das empresas de redes sociais que vem se formando no Brasil há anos. É um déjà-vu do confronto entre as autoridades brasileiras e Elon Musk por justificação de sua plataforma X, que se intensificou quando juízes determinaram a remoção de conteúdos e contas acusados de disseminar desinformação durante as eleições de 2022 e culminou com o bloqueio temporário do serviço no país, há dois anos.

O que está em jogo é o resultado da disputa pelo comando da maior economia da América Latina. Com Lula e o senador de direita Flávio Bolsonaro (PL) empatados nas pesquisas antes do segundo vez de domingo, obter o público patente pode ser decisivo para definir o resultado da eleição em um dos mercados mais lucrativos da Meta.

Lula —que atraiu mais de 10 milhões de apoiadores nos últimos dias para um via no WhatsApp batizado de “Tropa de Lula”— denunciou interrupções em sua conta, restrições a publicações no Instagram e alcance desigual entre o público. Sua campanha também afirmou que a Meta AI, utensílio de lucidez sintético generativa da empresa, está recusando pedidos para produzir imagens relacionadas a Lula, ao mesmo tempo que gera material de campanha favorável a seu competidor.

Porta-vozes da Meta no Brasil remeteram à enunciação divulgada pela empresa em 16 de outubro, na qual ela rebateu as acusações de interferência e afirmou que os episódios citados pela campanha de Lula eram problemas técnicos sem relação entre si, e não indícios de viés político. A Meta declarou ter tomado medidas para solucionar essas questões e tratar todos os candidatos de forma igualitária.

Mas, àquela profundidade, a empresa já havia se tornado claro de críticas da esquerda. Apoiadores de Lula protestaram em frente à sede da Meta no Brasil, em São Paulo, contra a suposta interferência eleitoral. Em epístola ao diretor-presidente Mark Zuckerberg, parlamentares americanos liderados por Bernie Sanders disseram estar “profundamente preocupados com relatos verossímeis de que as plataformas da Meta estariam restringindo ou suprimindo teor”.

“Vamos enfrentar isso, com toda a certeza. Vamos provar que podemos derrotar o poderio do dedo”, disse Lula durante uma transmissão ao vivo no YouTube na noite de quinta-feira (22). “A Meta terá de se reinventar, porque não pode descobrir que continuará enganando a humanidade para sempre —ela já fez isso bastante.”

Na quinta-feira, um juiz solicitou que a Meta e o X apresentassem explicações técnicas sobre seu papel na eleição.

Roberta Braga, fundadora e diretora-executiva do Instituto para a Democracia Do dedo das Américas, afirmou que, embora não acreditasse que a Meta estivesse tentando deliberadamente desequilibrar a eleição, as ações da empresa tiveram, ainda assim, um efeito desestabilizador.

“Uma vez que a Meta e seus produtos são tão fundamentais e centrais, em um país porquê o Brasil, para os debates em torno das eleições —inclusive para a forma porquê as campanhas mobilizam os eleitores e se conectam com eles—, as decisões da empresa, a falta delas ou quaisquer erros que cometa acabam, de indumentária, interferindo no processo eleitoral”, disse Braga.

O papel da Meta nas eleições brasileiras é principalmente relevante porque, além do Facebook e do Instagram, a empresa também é dona do WhatsApp, aplicativo de mensagens usado por mais de 90% dos brasileiros. Ainda assim, Braga se mostrou cética quanto à possibilidade de alguma medida tomada pela Meta na temporada final da campanha modificar o resultado.

“Não acredito que a derrubada de uma conta ou de um proclamação de Lula, embora tenha ocorrido em um momento extremamente crucial da eleição, vá modificar o resultado”, afirmou. “A polarização está altíssima.”

Longa guerra

As autoridades brasileiras têm estado na traço de frente do combate à desinformação nas redes sociais. O Supremo Tribunal Federalista discute há anos se as plataformas podem ser responsabilizadas por conteúdos publicados por usuários que constituam exposição de ódio, notícias falsas ou material ofensivo.

Lula, por sua vez, recusou-se a ceder às exigências do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a regulamentação das grandes empresas de tecnologia e chegou a trocar impressões com líderes europeus. A primeira-dama Janja da Silva chegou a xingar o possessor do X durante um evento do G20 no Brasil, em 2024. “Eu não tenho terror de você”, disse ela. “F— you, Musk.”

O tema ocupa posição de destaque na agenda de Lula, em segmento porque as redes sociais foram a principal força impulsionadora da tentativa de insurreição de 2023 promovida por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro. O projecto golpista, que incluía planos para matar Lula, seu vice-presidente e um ministro do Supremo Tribunal Federalista, foi amplamente coordenado por meio de aplicativos de mensagens.

A guerra para impedir que empresas de redes sociais influenciem resultados eleitorais não se limita ao Brasil.

Órgãos reguladores europeus abriram uma investigação sobre o algoritmo de recomendações do TikTok, em meio a alegações de que a plataforma teria sido manipulada para propiciar um candidato durante as eleições presidenciais da Romênia, em 2024. A União Europeia também impôs novas regras para a publicidade política nas redes sociais, o que levou a Meta a retirar por completo os anúncios políticos de suas plataformas, sob o argumento de que seria difícil demais executar as normas.

Assim porquê outras empresas de redes sociais, a Meta mudou sua abordagem para vistoriar o material publicado em seus sites. Em janeiro de 2025, a empresa encerrou a moderação de teor feita por terceiros nos Estados Unidos e a substituiu pela supervisão dos próprios usuários no Facebook e no Instagram. A medida seguiu o protótipo do sistema de notas da comunidade implementado pelo X, de Musk, depois que o bilionário adquiriu, em 2022, a plataforma anteriormente conhecida porquê Twitter.

Essas mudanças coincidiram com a decisão de Zuckerberg de se juntar a Musk e a outros líderes do Vale do Silício no suporte ao retorno de Trump ao poder. Durante sua campanha para voltar à Presidência, Trump chamou o Facebook de “inimigo do povo” por tê-lo removido da plataforma posteriormente a insurreição de 6 de janeiro no Capitólio dos Estados Unidos. Agora, ele considera Zuckerberg um coligado e recentemente o recebeu para um almoço na Lar Branca.

Embora Trump ainda não tenha bravo nenhum candidato no segundo vez brasílio, porquê fez em outras eleições ao volta do mundo, ele mantinha laços estreitos com Jair Bolsonaro e se reuniu com Flávio Bolsonaro no Salão Oval. Uma vitória de Bolsonaro, que prometeu aproximar seu país dos Estados Unidos, reforçaria as tentativas de Trump de declarar o domínio de Washington sobre o Hemisfério Ocidental.

Interferência eleitoral

Lula, que resiste à chamada “Princípio Donroe” de Trump para a região, há muito alerta para o risco de interferência nas eleições deste ano.

Seu governo negou vistos a dois altos funcionários do Departamento de Estado dos Estados Unidos no início deste ano, diante da preocupação de que pretendessem levantar dúvidas sobre o sistema eletrônico de votação do país durante uma visitante programada. Nesta semana, o governo brasílio acusou o presidente prateado Javier Milei de uma “tentativa intolerável de interferência estrangeira”, depois que ele sugeriu que o líder de esquerda poderia tentar roubar a eleição.

É improvável que Lula questione o resultado eleitoral caso Bolsonaro saia vencedor no domingo, embora possa atribuir parcialmente a guia às condições desiguais criadas pelas empresas de redes sociais, segundo uma mando do governo, que pediu anonimato para tratar do tópico.

Folha

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