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'Elis e Eu', agora em filme, faz retrato íntimo da
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‘Elis e Eu’, agora em filme, faz retrato íntimo da cantora – 17/08/2026 – Ilustrada

Quando Elis Regina morreu, aos 36 anos, em janeiro de 1982, seu primogênito, João Marcello Bôscoli, tinha 11. Sua curta e intensa convívio com a mãe foi descrita nas páginas de “Elis e Eu”, que o fruto lançou em 2019. Agora, o livro alimenta as imagens do documentário homônimo, que estreia no streaming Universal+ no próximo dia 25 de agosto.

Até quem consumiu todo o material produzido sobre a cantora nos últimos 40 anos vai se surpreender. Dirigido por André Bushatsky, responsável por “Mulheres no Pódio”, sobre atletas paralímpicas, o documentário mostra um lado pouco espargido de Elis.

Bôscoli afirma que o filme tem um caráter complementar em relação a outras obras dedicadas à mãe. Além de imagens de registo nunca mostradas antes, há dramatização, com atores interpretando mãe e fruto, principalmente no período em que Elis levou a família para morar na serra da Cantareira, ao setentrião de São Paulo.

As imagens podem ser facilmente associadas à música que Elis tornou clássica, com o verso “eu quero uma moradia no campo”.

“O filme aumenta a percepção da Elis uma vez que artista e mãe. Quando o André me procurou para transformar o livro em documentário, fiquei surpreso. Mas não interfiri em zero. Nós somos assim”, diz Bôscoli, falando pelos irmãos mais jovens, os cantores Pedro Mariano e Maria Rita.

“Não sou roteirista nem diretor. Deixo as pessoas trabalharem. Só assisti ao filme pronto. Se desabrochar um pouco que a gente vê uma vez que problema, há maneiras legais de tratar isso”, ele segue.

Bôscoli conta que, até hoje, a família barrou exclusivamente uma peça que mostrava uma vez que Elis seria se estivesse viva. “Aquilo não dava. Era uma Elis que nunca existiu, falando coisas que não tinham zero a ver com ela. Tivemos que impedir.”

Lílian Menezes, que, alternando com Laila Garin, estrelou no teatro “Elis, a Músico” em 2013, volta à personagem. Antônio Menqui e Victor Constantino interpretam Bôscoli aos seis e aos nove anos.

Bôscoli conta que tinha muitas lembranças fragmentadas, e o filme é montado com esses momentos curtos e emotivos. Ele acredita que não lembraria de vários deles se a mãe não tivesse morrido. “Coisas absolutamente cotidianas passaram a ser muito importantes.”

Depois da morte, Bôscoli diz ter entendido melhor a influência dela para os fãs. “Eu lembro que andava pela rua e as pessoas paravam, choravam. Entendi que era por pretexto da minha mãe.”

Os depoimentos permitem ver uma Elis que conduzia curso e vida familiar de forma harmoniosa. Uma vez em moradia, era uma mãe divertida e atenciosa. Quando seus músicos a visitavam para ensaios no estúdio montado na moradia, os filhos circulavam entre eles.

Natan Marques, guitarrista e diretor músico da última turnê da cantora, recorda que Elis, mesmo sem ortografar música, sabia o que queria e conduzia a margem pelo caminho escolhido. A renome de pessoa difícil que Elis carregou é atribuída por Bôscoli a um envolvente machista. “Ela trabalhava cercada de homens. Hoje ainda é difícil para as mulheres, imagine há mais de 40 anos.”

Fora do estúdio, a moradia não indicava ser morada de uma cantora. “Esse lance de não ter os troféus na parede se soma a um conjunto de coisas”, afirma Bôscoli. “O despojamento da Elis é constrangedor para quem é metido a ser estrela, porque a minha mãe fazia compras, ia à feira. Uma mulher que foi dar um testemunho no Tropa dirigindo o próprio carruagem. Sem entourage, sem seguranças.”

Produtor músico de sucesso, Bôscoli reconhece algumas influências da mãe em seu jeito de trabalhar. “É uma vez que se a gente tivesse um restaurante. Ela era cozinheira, chef e tal, e eu cresci ali, dentro do restaurante. Não vou ser cozinheiro uma vez que ela, mas vou trazer um jeito de fazer, tem um método, né?”

Ele aponta exemplos práticos. “Despertar cedo e trabalhar todo dia. Não idolatrar suas certezas. Zero pode envelhecer mais uma pessoa do que fazer o desfile das suas certezas. Estar acessível ao novo, né?”, diz Bôscoli.

Para ele, Elis não exibia troféus em moradia porque, para ela, o que importava era o que estava fazendo naquele momento, sem idolatrar o pretérito. “Eu nunca fiz o meu currículo, nem para mostrar para os meus filhos, porque, dentro do que eu aprendi com ela, o que importa é que eu estou fazendo hoje.”

Depois de 40 ou 50 anos trabalhando, ele quer falar aos filhos que foi isso que deu para fazer, expor que não foi um cantor de sucesso. “Culpa do avô, que conseguiu se matrimoniar com a Elis Regina e ter um fruto desentoado.”

O filme faz referências aos maridos de Elis, Ronaldo Bôscoli, morto em 1994, jornalista e um dos mentores da bossa novidade, e o músico e arranjador César Camargo Mariano, pai dos irmãos de João Marcello e hoje aos 82. Aproximações e rompimentos são contados pelo testemunho do fruto.

“Elis & Eu” não é uma biografia organizada. É uma vez que muitas fotos espalhadas aleatoriamente numa mesa. Combinadas, formam um retrato íntimo.

Folha

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