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Enem 2026: falta um mês para o primeiro dia de
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Enem: cursinhos populares preparam alunos em vulnerabilidade social

Quem vê Raimundo dos Santos Promanação, de 62 anos, em uma sala de um cursinho popular da Ceilândia, no Região Federalista, não faz teoria da trajetória que nascente carioca percorreu até esta preparação para o Fiscalização Pátrio do Ensino Médio (Enem). Ele é um dos 13.821 candidatos do Enem 2026 com mais de 60 anos.

Vindo do Rio de Janeiro há 16 anos, Raimundo viveu muro de seis deles em situação de rua no Projecto Piloto, em Brasília. Sua retomada de perspectiva começou no Núcleo de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Núcleo POP) e na Escola de Meninos e Meninas do Parque (EMMP), localizada no Parque da Cidade Sarah Kubitschek, da capital federalista. Foi lá onde concluiu o ensino fundamental. Seu foco, agora, é ocupar uma vaga na graduação de psicologia na Universidade de Brasília (UnB).


Brasília (DF), 04/11/2026 - Cursinhos populares apoiam preparação de estudantes para o Enem. Raimundo da Silva no Curso preparatório Jovem de Expressão. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Brasília (DF), 04/11/2026 - Cursinhos populares apoiam preparação de estudantes para o Enem. Raimundo da Silva no Curso preparatório Jovem de Expressão. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

 Cursinhos populares apoiam preparação de estudantes para o Enem. Raimundo da Silva no Curso preparatório Jovem de Sentença. Foto: Valter Campanato/Filial Brasil

“Quando eu era mais novo, deixei de estudar. Mas, eu sabor de estudar. Em 2020, eu fiz a prova do Enem e tirei 640 [pontos] na redação. Logo, eu conheci o [cursinho] Jovem de Sentença e decidi fazer o preparatório. Eu tenho que me formar. Agora, com 62 anos, eu me sinto jovem.

Cursinho popular

O cursinho comunitário onde o Raimundo adquire conhecimentos é o Jovem de Sentença (JEX), com 17 anos de experiência no preparo gratuito para o Enem, para o Programa de Avaliação Seriada (Pas) da UnB e para outros vestibulares.

A unidade é um dos 1.535 cursinhos populares da Rede Pátrio de Cursinhos Populares (CPOP), que atende mais de 58 milénio estudantes que cursaram a ensino básica na rede pública, com prioridade para pessoas negras, indígenas, quilombolas, pessoas com deficiência (PCD) e de famílias de baixa renda (renda por pessoa de até um salário mínimo, R$ 1.621, em 2026).

A iniciativa tem o objetivo de facilitar o chegada ao ensino superior de jovens e adultos que enfrentam barreiras socioeconômicas. Na prática, o cursinho oferece uma oportunidade real para quem não tem condições financeiras de arcar com o ensino privado ou conciliar horários tradicionais porque passa o dia trabalhando.

Veras que se encaixa no perfil da diarista Márcia Regina Roble Damasceno Dias, que tinha parado de estudar há 20 anos e voltou à cadeira de estudante por incentivo da filha que, atualmente, está na faculdade.


Brasília (DF), 04/11/2026 - Cursinhos populares apoiam preparação de estudantes para o Enem. Márcia Regina Carvalho Damasceno no Curso preparatório Jovem de Expressão. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Brasília (DF), 04/11/2026 - Cursinhos populares apoiam preparação de estudantes para o Enem. Márcia Regina Carvalho Damasceno no Curso preparatório Jovem de Expressão. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Regina Roble Damasceno no Curso preparatório Jovem de Sentença. Foto: Valter Campanato/Filial Brasil

Mesmo com cansaço decorrente da dupla jornada, de segunda a sábado, Márcia já tomou sua decisão. “Quero fazer nutrição. Fiz o Enem no ano pretérito. Infelizmente, não tirei a nota que eu queria. Neste ano, cheguei já no finalzinho [do curso] antes de fazer a prova. Mas, tem sido muito bom. É um momento divisor de águas, porque estou com a expectativa lá em cima.”

“Concluí o ensino médio em 1900 antigamente. Quando eu decidi fazer o curso superior, abri o caderno e eu falei: ‘Meu Deus, uma vez que é que eu vou estudar?’ Fiquei perdida. Logo, minha filha me falou sobre esse cursinho e resolvi: ‘Eu quero’”, afirmou a diarista.

Quem divide a mesma sala de lição é a caixa de um supermercado Gilmara Pereira Braga, de 47 anos. Ela terminou o ensino médio em 2000. O que parecia distante, agora, se desenha uma vez que um sonho de um porvir melhor. “O cursinho me oferece um conhecimento largo muito importante. Quando eu cheguei cá, tinha pavor de matemática. O pânico foi embora quando falei com o professor que é muito bom.” Nas novas perspectivas, Gilmara quer se capacitar para trabalhar com ensino privativo. “Quero muito entrar na Universidade de Brasília e gostaria de fazer psicologia. Muitas crianças são excluídas da ensino e não têm possibilidade de evoluir. Acho importante ter profissionais que olhem para crianças especiais”, reflete.

Outro que se dedica ao preparo do Enem é produtor músico e DJ [disc jockey], Miguel Lacerda, de 20 anos, estudante do Jovem Sentença há dois anos. O artista valoriza a capacitação para entrar na disputa por uma vaga na universidade em ampla concorrência. “Porquê uma pessoa periférica, eu não teria tantas possibilidades econômicas de acessar outros cursinhos. Por isso, esse cá é extremamente importante pra mim. Além dele estar perto, cá na minha periferia, o cursinho consegue me dar o conhecimento que eu preciso para ingressar [no ensino superior] pelo Enem.”

Suporte técnico e financeiro

Para os cursinhos populares, a Rede Pátrio de Cursinhos Populares (CPOP) fornece suporte financeiro de até R$ 163,2 milénio por unidade selecionada para o pagamento de professores, coordenadores e suporte técnico-administrativo e compra de materiais.

O coordenador pedagógico do projeto na Ceilândia, Rodrigo da Silva Soares, relatou à Filial Brasil o impacto deste investimento na unidade. “Por mais que sejamos um cursinho voluntário, isso envolve custos. E ter o recurso do MEC que vem para a gente fortalece muito a prosseguimento do trabalho”.

O professor lista uma vez que o quantia é empregado no cotidiano da instituição comunitária. “É muito importante quando se tem o mínimo de recurso para poder fazer a gestão, para poder dar suporte até para o voluntário que está cá, remunerar a passagem, um lanche e fazer alguma saída de campo com a galera daqui.”

Pela ótica de aluna beneficiária do Jovens de Sentença há dois anos, Azize Quemel, de 28 anos, considera oportuna políticas públicas uma vez que essa que custeiam iniciativas voluntárias de suporte a adultos historicamente expostos à falta de recursos materiais, sociais e de chegada direitos básicos garantidos pelo Estado. “O ‘Jovens de Sentença’ permite aos moradores de periferia estarem nesses espaços porque um cursinho pré-vestibular é dispendioso e, por isso, só vemos filhos de patrões fazendo. Mensalmente, não era viável para a gente.”

Educadores e suporte pedagógico

A Rede Pátrio de Cursinhos Populares (CPOP) do MEC envolve mais de 21 milénio educadores e equipe de suporte pedagógico nas atividades, em todo o país. Profissionais uma vez que a Maria Paula Cândida Reis, apoiadora pedagógica deste cursinho comunitário coordenado pelo professor Rodrigo.

Maria Paula faz a ponte entre a estrutura do cursinho (grade, folha de ponto, professores, reuniões) e as necessidades reais dos estudantes. Entre uma e outra atribuição pedagógica, uma vez que organizar simulados e aulões de revisão, Maria Paula se vê diante de histórias de alunas e alunos comprometidos e assíduos, principalmente, porque não conseguiram estudar em outra tempo da vida.“Nosso cursinho não é focado no teor porque cada um tem sua experiência, sua vivência e a Ceilândia é um território muito rico em saberes muito valiosos. E poder compartilhar na turma, entre eles, que têm idades muito diferentes, é permitido.” Maria Paula fica feliz em fazer segmento da mudança de vida de vários estudantes que passaram pela unidade.


Brasília (DF), 04/11/2026 - Cursinhos populares apoiam preparação de estudantes para o Enem. Maria Paula Cândida Reis no Curso preparatório Jovem de Expressão. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Brasília (DF), 04/11/2026 - Cursinhos populares apoiam preparação de estudantes para o Enem. Maria Paula Cândida Reis no Curso preparatório Jovem de Expressão. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

 Maria Paula Cândida Reis no Curso preparatório Jovem de Sentença. Foto: Valter Campanato/Filial Brasil

“Instrução transforma. Muda trajetórias. Eu consigo ver a valia deste trabalho, que parece tão pequenininho, tão formiguinha, mas o estudo tem um impacto muito grande na vida das pessoas, principalmente do pessoal da periferia”, avalia Maria Paula Cândida Reis, apoiadora pedagógica do Jovens de Sentença.

Outra colaboradora do Jovem de Sentença (JEX) beneficiada pelos investimentos do Ministério da Instrução (MEC) é psicóloga Yasmin Moreira, contratada para ajudar os estudantes do cursinho a mourejar com a sofreguidão antes das provas, a sobrecarga de estudos e o pânico da reprovação. A profissional faz a escuta ativa, em rodas de conversa, para evitar que o estudante abandone o cursinho diante das dificuldades cotidianas ou da urgência imediata de renda. “O chegada à saúde mental também é necessário, principalmente, quando se trata da nossa juventude periférica, que está tentando acessar outros espaços e depreender outras coisas.”

Nos momentos de trocas entre os frequentadores do espaço, Yasmin vê muitas potencialidades nos jovens e percebe os resultados desse processo. “Nas rodas, eles enxergam uns aos outros, entenderem que os contextos são parecidos, mas que eles têm, sim, possibilidades. Esse espaço [do cursinho] é também de potencializar, de alojar o sofrimento quando ele vem.”

Auxílio-permanência para estudantes

O suporte da rede do MEC também inclui auxílio-permanência R$ 200 mensais por seis meses a cada estudante matriculado nos cursinhos pré-vestibulares comunitários e populares selecionados pelo MEC, restringido a 40 alunos por instituição.

O valor recebido ajuda a dançarina de hip-hop, Victória Santos, de 16 anos, a se destinar exclusivamente aos estudos para entrar no curso de artes cênicas na UnB. Ela quer ser professora, antes de lucrar a vida uma vez que artista.

Victória ficou sabendo da vaga no cursinho pelo pai, que é professor de matemática da ensino básica. Com a oportunidade, a jovem deixou o estágio nesta reta final de preparação e o quantia do auxílio permanência tem sido talhado às despesas domésticas. “Minha vida é muito corrida. Essa bolsa tem sido forçoso. Com ela, consigo me manter e tem ajudado em minha moradia. Pode parecer pouco, mas ajuda muito a remunerar minhas continhas, fazer um lanche e tal.”

Em 2025, Azize Quemel retomou os estudos 11 anos depois de concluir o ensino médio. Neste pausa, a jovem vendeu bolos para se manter financeiramente, mas, atualmente, está desempregada. Ela quer mais da vida e conta que o auxílio-permanência tem ajudado a se manter firme na jornada do pré-vestibular para se tornar bacharel em audiovisual pela UnB ou produtora cultural pelo Instituto Federalista de Instrução Ciência e Tecnologia de Brasília (IFB). “A bolsa-permanência ajuda na movimentação diária para estarmos cá. Mas, o quantia também salva nos apertos, quando caem R$ 200 na conta, e a gente fica mais aliviado.”

Enem

O Enem 2026 será aplicado em dois domingos, nos dias 8 e 15 de novembro.

A introdução dos portões está marcada para 12h, no horário de Brasília. O fechamento ocorrerá às 13h, quando ninguém mais poderá entrar no lugar de emprego das provas. Estas terão início oficialmente às 13h30.

No primeiro dia, os participantes farão as provas com 45 questões de linguagens, códigos e suas tecnologias (incluindo língua portuguesa, literatura, ensino física, artes e a língua estrangeira escolhida: inglês ou espanhol); ciências humanas e suas tecnologias (história, geografia, filosofia e sociologia); e redação. Os mais de 5 milhões de candidatos inscritos confirmados terão cinco horas e 30 minutos para responder às questões e marcar o cartão-resposta.

No segundo domingo, serão aplicadas as provas de matemática e suas tecnologias ciências da natureza (química, física e biologia) e suas tecnologias, com duração de cinco horas.

 

Fonte EBC

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