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"Estudante deve errar, idealizar e construir", diz professora premiada
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“Estudante deve errar, idealizar e construir”, diz professora premiada

Professora em uma escola pública municipal paulistana, Débora Garofalo começou, em 2015, um projeto de robótica com sucata para alunos do ensino fundamental. O trabalho rendeu diversos prêmios e deixou a profissional entre os dez melhores colocados do Global Teacher Prize, considerado o Nobel da instrução, em 2019. Ela foi a primeira brasileira e primeira sul-americana a ser finalista na premiação.

Dez anos depois do início do projeto, Débora foi reconhecida uma vez que a professora mais influente do mundo, em novidade categoria da premiação. Convidada para a edição 2026, realizada em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, a educadora recebeu o prêmio Global Teacher Influencer of the Year, um reconhecimento por sua trajetória docente que extrapola o cotidiano escolar. Na última quinta-feira (11), a professora voltou a ser homenageada, com o Prêmio Faz Diferença 2025, na categoria Instrução, em cerimônia na Mansão Firjan, no Rio de Janeiro. 

Além dos resultados uma vez que redução da evasão escolar e do trabalho infantil na escola, localizada na periferia da zona sul de São Paulo, o projeto de ensino de robótica com sucata ganhou graduação e se tornou política pública estadual, sob orientação de Débora.

Em entrevista à Sucursal Brasil, Débora Garofalo contou sobre a origem do projeto, os obstáculos e as conquistas decorrentes desse trabalho. Ela compartilhou também sua visão sobre o uso de tecnologia no processo de aprendizagem de crianças e jovens, e uma vez que isso não depende necessariamente de telas.

Veja os principais trechos da entrevista.

Sucursal Brasil: Uma vez que você começou o projeto de robótica na escola pública em que trabalhava?

Débora Garofalo: O projeto de robótica com sucata nasceu no ano de 2015, na EMEF [Escola Municipal de Ensino Fundamental] Almirante Ary Parreiras, que é uma escola concentrada entre quatro grandes favelas da cidade de São Paulo, com superior índice de violência, superior índice de tráfico de drogas. Ali, também enxerguei a oportunidade de transpor da minha zona de conforto, uma vez que uma professora de língua portuguesa, para me candidatar a uma vaga de tecnologia e inovação que tinha surgido.

Eu fui com esse olhar, de ressignificar aquele território educativo, trabalhando com programação e robótica. A partir disso, fiz uma avaliação com a escola inteira e me surpreendi, porque 70% dos estudantes relataram que o lixo era um problema na vida deles, que impedia essas crianças de chegar à escola e trazia doenças uma vez que dengue e leptospirose. Diante daquele cenário, eu falei: “Bom, eu só tenho dois caminhos. Ou vou me lamentar ou eu vou pegar esse lixo uma vez que objeto de conhecimento. Eu preferi a segunda opção, mesmo sabendo que ia dar muito trabalho.

O primeiro protótipo que nós fizemos virou uma febre na escola. Era um carrinho [feito] com o lixo que a gente retirou da rua, utilizando uma varíola e a lei da física, a Terceira Lei de Newton. No dia seguinte, uma colega bateu assim no meu ombro e falou: “Débora, eu não sei o que você fez com as crianças ontem, mas ali fora tem um monte de muchacho com tampinha, com rolinho, com varíola, falando que quer ter lição com a professora de robótica”. Eu soube que tinha encontrado um caminho, só precisava ser lapidado.

 


Dia da Mulher,Débora Garofalo/ Arquivo Pessoal
Dia da Mulher,Débora Garofalo/ Arquivo Pessoal

Professora Débora Garofalo / Registro Pessoal

Sucursal Brasil: Uma vez que vocês alcançaram o envolvimento dos responsáveis e da comunidade?

Débora Garofalo: A gente fazia uma feira de tecnologias, que era uma forma de integrar a comunidade. Nossa última feira, que foi em 2019, tinha mais de 500 pessoas. Para as crianças, foi o sumo. Tinha desde pipoqueira feita com latinha a protótipos incríveis, uma vez que filtro de chuva e sensor para avisar aos moradores que o ribeiro ia transbordar. Foram coisas fantásticas. Logo, as crianças começaram a fabricar uma cultura diferenciada.

Em três anos e meio de trabalho, a gente saltou no Ideb da escola, nos anos finais, de 4,2 para 5,2, que era a média do país na quadra. Nós retiramos mais de uma tonelada de lixo das ruas e transformamos em diferentes protótipos. Reduzimos a evasão escolar em 93%, olhando para as crianças com potencial de risco e trazendo para a escola, para que elas ficassem comigo o dia inteiro, ajudando as outras crianças a desenvolverem seus projetos. E, para isso, elas recebiam sustento e um certificado de voluntariado. 

Nós reduzimos o trabalho infantil, que, para mim, era um ponto necessário, em 95%. Comecei também a fazer um trabalho, trazendo o setor público, trazendo o juiz para dentro da escola, para conscientizar os familiares da valia de não ter esse tipo de situação. Logo, foi um trabalho que impactou realmente toda aquela comunidade.

Sucursal Brasil: Uma vez que o projeto se tornou política pública em São Paulo?

Débora Garofalo: Eu aceitei o invitação para ir para a Secretaria Estadual de Instrução para tornar esse trabalho currículo do Estado de São Paulo e implementar para 5,4 milénio escolas e 3,7 milhões de estudantes. Foi um repto muito grande, porque eu não queria que os professores recolhessem o lixo nas ruas uma vez que eu, mas eu queria que eles trabalhassem com essa questão do material por entender o poder da originalidade, e a valia disso para o processo de ensino-aprendizagem.

Só que, estando ali no estado, a gente entendeu que dava para fazer muito mais coisas. Começamos a fabricar uma prática que chamamos de Expo Movimento Inova, que reuniu os estudantes de todo o estado. Ali, percebemos que o currículo precisava ter a face dos estudantes, para que a rede tivesse esse pertencimento.

Criamos uma outra política pública integrada a isso, que é o Núcleo de Inovação da Instrução Básica Paulista. Eram escolas ociosas, com grande risco de fechar por questões demográficas. Transformamos em centros de inovação, para que as crianças também tivessem um lugar onde elas pudessem pensar coisas diferentes, produzir os seus projetos. Em 2022, eu deixei o estado com 18 dessas unidades, mais uma carreta traste que circulava pelo estado de São Paulo e um currículo de tecnologia e inovação que foi pioneiro, antes da BNCC [Base Nacional Comum Curricular] da Computação.

Logo, eu fui para o Rio de Janeiro, porque eles criaram um projeto muito parecido, mas que faltava estruturar, que são GETs [Ginásios Educacionais Tecnológicos]. Fiquei dois anos e nós lançamos 300 escolas vocacionadas ao uso de tecnologia e inovação. Depois disso, eu comecei a concordar, através de formação docente e de consultoria, outros estados e municípios.

Sucursal Brasil: E ainda veio uma surpresa do Global Teacher Prize levante ano?

Débora Garofalo: Eu estava em lar muito quietinha levante ano, porque para mim eu já atingi o meu sumo, sabe? Agora, é só continuar a trabalhar, continuar essa militância. Aí, eu recebi uma relação de madrugada, em um sábado. A pessoa insistiu, 3h da manhã, e eu atendi. Eram os organizadores do prêmio, falando que eu tinha que ir para Dubai. Falei: “Não. Não vou. Não tem zero comprado, levante ano não fui convidada”. Disseram: “A gente já comprou a passagem para você, você pega o avião agora uma hora da tarde. Você vai ter um reconhecimento”.

Quando cheguei lá e me deram a programação do prêmio, eu já imaginava. Eles fizeram um jantar muito bonito para reconhecer os professores. No final, começaram a falar do meu trabalho, veio uma luz na minha cabeça, todo mundo olhando para mim. Imagina um auditório, um jantar de 1 milénio pessoas, e todo mundo olhando para você. Eles fizeram um júri internacional, era uma categoria novidade, o Global Teacher Influencer. Logo, eu estava sendo reconhecida pelo impacto do meu trabalho fora da sala de lição, por ter causado todo esse impacto uma vez que política pública, e eu fui a primeira a receber esse prêmio. Eu desabei.

Eu estava no mesmo lugar de 2019, mesmo hotel. Eu vou revelar para você que eu estava com a mesma roupa. Passou um filme na minha cabeça, sabe? Naquele momento, eu me senti muito feliz, porque eu não estava ali sozinha. Eu estava com todos os professores brasileiros, com todos os estudantes que diariamente lutam. 

 


Rio de Janeiro (RJ), 03/02/2026 – Professora Débora Garofalo ganha prêmio em Dubai.
Foto: Débora Garofalo/Arquivo pessoal
Rio de Janeiro (RJ), 03/02/2026 – Professora Débora Garofalo ganha prêmio em Dubai.
Foto: Débora Garofalo/Arquivo pessoal

Professora Débora Garofalo ganha prêmio em Dubai. Foto: Débora Garofalo/Registro pessoal

Sucursal Brasil: Quais os obstáculos para que as escolas utilizem a tecnologia em obséquio da instrução?

Débora Garofalo: Estamos num momento peculiar no nosso país, em que temos um documento norteador, que é a BNCC e agora a BNCC da Computação. Esse documento foi validado em 2022, nós estamos em 2026, com a obrigatoriedade de fazer levante ano, e os professores não sabem uma vez que fazer. Por quê? Se a gente olha os dados, as secretarias não têm suporte técnico, não têm recursos, não têm infraestrutura, não têm equipe técnica, não têm uma vez que fazer formação. Temos que evoluir nesses quesitos.

Por outro lado, a tecnologia chega muito rápido na sala de lição. Esses meninos que estão nascendo, já nascem conectados. O que falta? Trazer esse aporte na instrução para a gente falar de criticidade, de moral, de responsabilidade. Não dá mais para deixar a tecnologia do lado de fora da sala de lição, é impossível.

Para mim, só proibir celular na sala de lição é um tiro no pé. A gente proibiu o celular porque era muito mais fácil, mas isso não vai resolver o problema da instrução. O que resolveria? Trazer uma instrução midiática para dentro da sala de lição, ou seja, formar professores para isso e os professores poderem portanto formar os estudantes para essa concepção.

A tecnologia por si só não resolve o problema, porque ela precisa vir acompanhada de resoluções de problemas, de amabilidade. O estudante precisa passar por erro, por processo de frustração, e é isso que a instrução 5.0 vai falar, que a gente precisa humanizar esse processo, trabalhar essas habilidades e competências socioemocionais.

Sucursal Brasil: O uso de tecnologia na escola não está necessariamente atrelado ao uso de telas em sala de lição, é isso?

Débora Garofalo: Eu queria desmistificar. Vou te dar exemplos práticos: São Paulo tem um tablet para cada estudante. Resolveu o problema da instrução e melhorou os índices de aprendizagem? Não. Por quê? Porque isso não está atrelado à questão da intencionalidade pedagógica. A sátira que eu faço não é sobre a questão de ter ou não infraestrutura. Eu vou sempre pleitear, até uma vez que gestora pública, para que a gente tenha infraestrutura. O ponto que eu quero chegar é a intencionalidade que vai chegar na ponta.

Muitas coisas você faz por atitude. Eu comecei a trabalhar com os meus estudantes, eu não tinha conhecimento, eu queria trabalhar programação, robótica, sem ter um kit específico. Onde eu encontrei a solução? No próprio problema que eles trouxeram. O lixo foi uma solução e abriu portas para que a gente pudesse trabalhar de maneira diferenciada. O que a gente precisa muitas vezes é olhar para o lado e entender que o simples funciona.

Sucursal Brasil: Você lançou o livro Robótica com Sucata – Uma façanha pela originalidade, pela editora Moderna. Uma vez que foi o processo de construção desse anuário?

Débora Garofalo: O livro foi uma grande alegria, porque muitos professores perguntavam: “uma vez que eu aplico o seu projeto em sala de lição?” A teoria foi fabricar um livro muito “mão na volume”, mas que trouxesse também a questão da leitura e da literatura, para que o estudante pudesse percorrer momentos da história [da ciência].

O livro é uma forma de democratizar um pouco mais esse entrada para meninos e meninas, e entender que eles podem transformar um copo, por exemplo, em um lucivelo. Essa é a proposta, [mostrar] que a muchacho pode desmontar um brinquedo e utilizar as peças para fabricar um robô.

A gente passou muito tempo com uma instrução tradicional passiva. E a gente sabe que a aprendizagem, para ser efetiva, ela precisa ser ativa. Para isso, o estudante tem que errar, tem que idealizar, tem que erigir, tem que testar, tem que colaborar. Por isso, é tão importante uma instrução mão na volume.

O livro traz várias reflexões de uma vez que pegar os problemas e transformar em soluções. Deu tão notório, que a gente lançou o primeiro livro Robótica com Sucata e foi um sucesso. Saiu o segundo livro e, vou dar um spoiler, no segundo semestre chega o terceiro.

Fonte EBC

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