Os Estados Unidos têm endurecido fiscalizações e restringido chegada mesmo de pessoas envolvidas com a Despensa do Mundo às vésperas do início do torneio. O maior rigor reforça as políticas anti-imigratórias do governo Donald Trump e tem gerado críticas de torcedores.
A Fifa (Federação Internacional de Futebol), organizadora do evento, evita se pronunciar sobre o tema e afirma não se envolver nos processos de imigração dos países-sede. O Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA e o Departamento de Segurança Interna alegam que as decisões são tomadas caso a caso.
Até agora, os principais atingidos são pessoas ligadas às seleções de Irã, Iraque, Senegal e Uzbequistão, além de um perito da Somália. Alguns desses países figuram entre os alvos das restrições migratórias adotadas pelo governo Trump.
Nesta terça-feira (9), a FFIRI (Federação de Futebol do Irã) disse ter tido sua quinhão de ingressos revogada poucos dias antes do início da Despensa do Mundo. A decisão deixa torcedores iranianos que já haviam feito planos de viagem sem a possibilidade de ver aos jogos da seleção.
Em transmitido, a federação afirmou que já havia iniciado o processo de venda de ingressos para as partidas, mas não poderá mais fornecê-los aos torcedores.
Cada federação participante da Despensa do Mundo recebe 8% dos ingressos de cada uma de suas partidas para partilhar aos torcedores de pacto com seus próprios critérios.
Ou por outra, o governo norte-americano concedeu vistos aos jogadores, mas não a todos os integrantes da percentagem técnica. Muro de 15 membros da delegação receberam uma negativa, entre eles o presidente da Federação de Futebol do Irã, Mehdi Taj.
A seleção de futebol do Irã, que está concentrada no México para a Despensa do Mundo de 2026, viajará para os Estados Unidos um dia antes de sua estreia contra a Novidade Zelândia.
Anteriormente, o legado iraniano no México havia afirmado que a seleção de seu país teria de entrar e trespassar dos Estados Unidos no mesmo dia de suas partidas.
Outra nacionalidade afetada pelas restrições migratórias norte-americanas foi a somali. Na segunda-feira (8), os EUA barraram a ingresso do perito Omar Artan. Ele estava entre os 52 árbitros selecionados para atuar na competição, que será realizada nos EUA, México e Canadá.
Artan seria o primeiro perito da Somália a apitar uma edição da Despensa do Mundo e teve sua ingresso no país negada depois mais de 11 horas de interrogatório. “Acho que eles têm um problema com o meu país”, afirmou em entrevista, negando ter qualquer problema relacionado ao visto.
A Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP, na {sigla} em inglês) afirmou, em transmitido, que, “depois inspeção, o viajante, um perito da Despensa do Mundo da Fifa, foi considerado inadmissível devido a preocupações de segurança e teve sua ingresso negada”.
Procurada, a Fifa disse que “não se envolve no processo de imigração dos países-sede, incluindo a licença de vistos”.
Nesta terça-feira (9), também viralizou um vídeo de jogadores do Senegal, do grupo I, sendo revistados na superfície de embarque no aeroporto de Raleigh, na Carolina do Setentrião, que teria sido gravado no domingo.
Nas imagens, um jogador chega a ter que tirar os sapatos durante a revista.
A seleção do Uzbequistão também foi submetida a inspeção. O time estará no grupo K.
A percentagem técnica comandada pelo treinador italiano e ex-campeão do mundo Fabio Cannavaro foi recepcionada por cães farejadores e detectores de metais (veja aquém o momento) antes do amistoso contra a Holanda na segunda-feira (8), que aconteceu no Estádio Icahn, em Novidade York:
No sábado (6), o atacante iraquiano Aymen Hussein foi submetido a um interrogatório de quase sete horas no aeroporto O’Hare, em Chicago, segundo um porta-voz da seleção. O jogador marcou o gol que garantiu a classificação da equipe para a Despensa do Mundo.
Hussein acabou sendo liberado, mas o fotógrafo da delegação foi impedido de entrar nos Estados Unidos.
A política anti-imigração do governo de Donald Trump tem restringido o chegada ao país e provocado ondas de deportação de imigrantes em situação irregular.
Há temor de que esse processo se intensifique durante a Despensa do Mundo. Em documento divulgado em abril, mais de 120 organizações norte-americanas alertaram torcedores, jogadores e jornalistas estrangeiros sobre riscos significativos de violações de direitos humanos caso viajem aos Estados Unidos durante o torneio.
No documento, intitulado “aviso aos viajantes”, as entidades chamam a atenção para a possibilidade de negação arbitrária de ingresso no país, detenções sem garantias legais, deportações e tratamentos desumanos no contexto da política migratória adotada pelo governo do presidente Donald Trump.
Somália e Irã estavam entre os países afetados por restrições de ingresso impostas pelo governo Trump. A medida foi suspensa por um juiz federalista do província de Rhode Island, nos Estados Unidos, na última sexta-feira (5). Na decisão, John McConnell considerou que as políticas deixavam pessoas de dezenas de países da África, Ásia, América Latina e Oriente Médio em um “limbo jurídico indeterminado”.




