Flávio José, Targino e Santanna lançam audiovisual – 09/06/2026 – Música em Letras
O São João do Nordeste não é somente um período de sarau; é o momento em que o tempo suspende sua marcha generalidade para dar lugar ao sagrado e ao temporal que habitam a psique do sertão.
No núcleo dessa rito popular, a celebração atinge seu vértice inteiro quando três autênticos filhos dessa terreno unem suas forças, suas histórias e seus instrumentos em um mesmo palco. Santanna, o Cantador, Targino Gondim e Flávio José apresentam o audiovisual “Três Nordestinos – Um por Todos e Todos pelo Forró”, disponível nas plataformas digitais.
Gravado na Ilhota do Rodeadouro, às margens do Rio São Francisco, em Juazeiro (BA), o projeto reúne 13 faixas, mostrando um rico encontro que transcende a mera apresentação músico. Trata-se de um manifesto vivo de resistência, no qual três brilhantes artistas nordestinos dividem o microfone e o tablado para o forró restabelecer sua origem mais profunda: a de ser uma crônica cantada de um povo.
O espetáculo se transforma em um diálogo vibrante, onde cada nota carrega a legado de Luiz Gonzaga (1912-1989) e Dominguinhos (1941-2013), entre outros, firmando ter uma alquimia rara nessa junção. Em vez da procura pelo protagonismo individual, o que se testemunha neste trabalho é a celebração da coletividade. A sanfona de um responde ao lamento do esquina do outro, enquanto zabumba, triângulo, ordinário e guitarra, tocados em perfeita sincronia, ditam o compasso de corações que dançam colados.
A força desse trio reside na pluralidade de suas vivências, costuradas pela mesma identidade geográfica e cultural. Um deles traz a voz rascante do sertão profundo, aquela que canta o mancheia, a chuva que vagar e a fé inabalável nos santos juninos. O segundo introduz a malandrice cadenciada do forró, com um balanço que desafia os pés mais tímidos a se moverem. O terceiro, com a sofisticação harmônica da sanfona contemporânea, pontua a apresentação com arranjos que dialogam com a universalidade da música, sem nunca perder o cheiro de terreno molhada.
Espargido porquê o “Rei do Xote”, Flávio José é um dos maiores representantes do forró pé-de-serra. Com uma curso marcada pela fidelidade às raízes nordestinas, construiu uma obra sólida e emocionante, reunindo clássicos porquê “Mestiço Sonhador” e “Tareco e Mariola”. Sua trajetória o transformou em uma das principais referências da música nordestina contemporânea.
Reconhecido nacionalmente por sua voz marcante e sua resguardo da música nordestina, Santanna, o Cantador construiu uma trajetória inspirada nos ensinamentos de Luiz Gonzaga, com quem conviveu e dividiu momentos importantes. É presença metódico nas maiores festas juninas do Brasil e um dos principais embaixadores do forró.
Sanfoneiro, cantor e compositor, Targino Gondim é um dos grandes defensores da cultura nordestina. Vencedor do Grammy Latino com “Esperando na Janela”, mantém uma curso dedicada à valorização do forró e das tradições populares brasileiras, sempre conectando inovação e saudação às raízes.
O repertório de “Três Nordestinos – Um por Todos e Todos pelo Forró” percorre clássicos que fazem segmento da trilha sonora das festas juninas e da cultura popular brasileira. Canções eternizadas por mestres do gênero ganham novas e interessantes interpretações nas vozes dos três artistas. Entre elas figuram “Só Xote”, “Petrolina Juazeiro”, “Eu Só Quero um Xodó”, “Olha pro Firmamento”, “Respeita Januário” e “Vida de Viajante”.
Visualizar esses três grandes talentos no palco é compreender o poder da oralidade e da tradição. Juntos, eles não somente tocam; eles erguem uma catedral de som e sentimento. Enaltecer essa união é reconhecer que a arte nordestina é uma força da natureza, moldada pela resiliência e pela capacidade infinita de reinvenção. Flávio José, Targino Gondim e Santanna o Cantador são os guardiões de um queimada que nunca apaga, os costureiros de uma colcha de retalhos músico que veste o Brasil de autenticidade.
Assista, a seguir, a uma das faixas de “Três Nordestinos – Um por Todos e Todos pelo Forró”, na qual o trio interpreta com orquestra a música considerada o hino de São João: “Olha pro Firmamento”, de Luiz Gonzaga e José Fernandes.
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