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Executivos da Fifa receberam ultimato de projeto comercial 06/08/2026
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Executivos da Fifa receberam ultimato de projeto comercial – 06/08/2026 – Esporte

Os cinco homens deveriam estar em clima de comemoração. A Fifa acabara de realizar uma Despensa do Mundo que bateu recordes em várias frentes. Seu desfecho espetacular, a final, começaria no dia seguinte.

No entanto, o clima entre eles estava longe de ser de euforia. O grupo —formado por altos dirigentes que integravam o juízo de gestão da Fifa— havia sido convocado para uma reunião organizada às pressas no hotel Waldorf Astoria, em Novidade York, segundo três pessoas a par das discussões que falaram sob requisito de anonimato, oferecido o caráter privado das conversas.

Os dirigentes tinham até a meia-noite para ratificar um projecto que ameaçava mudar o futebol para sempre e que, quase certamente, levaria a uma grande cisão entre os líderes do esporte.

O projeto propunha a venda de uma participação de 20% na Fifa para um grupo de investidores liderado por Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner (genro do presidente americano Donald Trump). Tal medida colocaria em mãos privadas uma segmento da Despensa do Mundo, evento que, há 96 anos, é gerido e controlado pela Fifa, uma organização sem fins lucrativos sediada em Zurique.

Os planos —elaborados ao longo de meses, sob grande sigilo e em parceria com o fundo Thrive Eternal, de Joshua Kushner, e o banco JPMorgan Chase— haviam sido mantidos em sigilo, sendo do conhecimento de pouquíssimos executivos do futebol. Embora a função do juízo fosse averiguar transações financeiras significativas, a maioria dos cinco membros sequer tinha ouvido falar do projecto, segundo as três fontes. Eles deixaram o Waldorf Astoria com a sensação de que o presidente da Fifa, Gianni Infantino —que não estava presente—, ficaria furioso caso eles protelassem a decisão, relataram as fontes.

Atônitos, alguns membros do juízo discutiram em pessoal suas apreensões e as repercussões de expor “não” a um encarregado porquê Infantino, que detinha grande poder sobre suas carreiras, segundo uma das pessoas ouvidas.

Três integrantes aprovaram o contrato antes do prazo final, e dois não, disseram as três fontes. Votaram em prol o secretário-geral Mattias Grafstrom, o diretor jurídico Emilio Garcia e o encarregado de gabinete Dan O’Toole; o diretor de operações Kevin Lamour e o diretor financeiro Thomas Peyer se recusaram a apoiá-lo.

Com a maioria dos votos, Infantino seguiu em frente. O jornal The Times, de Londres, revelou o projecto de Infantino em 28 de julho, desencadeando uma vaga de indignação em todo o mundo. Houve pena de todos os setores do futebol global, com muitas figuras influentes declarando que não haviam sido consultadas. Vários dos principais assessores de Infantino vieram a público posteriormente declarar que também haviam sido pegos de surpresa.

A Fifa não quis comentar o ponto. A reunião do juízo, realizada no sábado anterior à final da Despensa do Mundo, e a pressão exercida sobre seus membros para aprovarem o projeto não haviam sido divulgadas anteriormente.

A maneira porquê tudo ocorreu reforça o indumentária de que Infantino manteve a teoria restrita a um círculo íntimo, excluindo muitas figuras importantes dentro da Fifa, mesmo enquanto desenvolvia o projecto com a Thrive Capital e o JP Morgan. Dos cinco integrantes do juízo, exclusivamente O’Toole, um jovem funcionário escolhido a dedo por Infantino para trabalhar com os banqueiros no projecto, teve participação relevante no projeto, disseram as três pessoas. Ele já trabalhava na iniciativa há meses.

A aprovação do juízo foi o primeiro passo para viabilizar o projecto. As decisões mais importantes da Fifa geralmente passam por um grupo muito maior, formado por dirigentes de futebol de todo o mundo. Eles não são funcionários da Fifa, mas sim representantes de federações-membro. Infantino, no entanto, queria encontrar uma maneira de concretizar o contrato sem passar por essa exigência, afirmaram as três pessoas.

A Uefa, órgão que rege o futebol europeu e reúne as 55 nações do continente, liderou a oposição subsequente, ameaçando boicotar todos os eventos da Fifa —incluindo a Despensa do Mundo— com suas seleções. Entidades regionais equivalentes da Ásia, da América do Setentrião e do Caribe também criticaram publicamente o processo sigiloso por trás do projecto e as exigências apressadas da Fifa para que o aprovassem.

Políticos, incluindo o primeiro-ministro britânico Andy Burnham, juntaram-se a figuras importantes do mundo do futebol para desaprovar os planos. Embora tivesse votado em prol, Grafstrom —que, porquê secretário-geral da Fifa, é o principal dirigente administrativo da organização— descreveu o ocorrido porquê “uma série de eventos triste e condenável” e tentou traçar uma risca que separasse os funcionários de Infantino.

Em 31 de julho, Infantino desistiu do projecto. Na quarta-feira, a Fifa divulgou um transmitido conjunto aos seus membros, assinado tanto por Infantino quanto por Grafstrom, pedindo desculpas pelo ocorrido e prometendo aprender com a situação. Naquele mesmo dia, Infantino realizou reuniões de crise com sua equipe de basta escalão no Marrocos. A reunião começou com dois integrantes da cúpula pedindo uma mostra de esteio ao encarregado, que se encontrava em situação difícil, segundo duas das pessoas presentes.

Infantino garantiu o esteio público de várias federações de futebol influentes, porquê as do Qatar e dos Emirados Árabes Unidos, além de muitas das menores que dependem de milhões de dólares da Fifa para suas operações.

Não está evidente o que Infantino disse para convencer Grafstrom e outros dirigentes da Fifa a apoiá-lo. Ele publicou no Instagram uma foto ao lado de Grafstrom, ambos sorridentes e fazendo sinal de positivo com os polegares.

Apesar desses esforços, a crise não acabou. Em um transmitido divulgado na quinta-feira, a Uefa manteve a ameaço de boicote caso Infantino não renunciasse.

Folha

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