Preços altos não desanimam brasileiros de irem à Copa

Preços altos não desanimam brasileiros de irem à Copa – 29/03/2026 – Esporte

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Faltando 74 dias para o início da Despensa do Mundo, torcedores brasileiros juntam suas economias e se preparam para embarcar rumo à América do Setentrião para seguir de perto as partidas da seleção brasileira, na expectativa de ver in loco o termo de um jejum de 24 anos.

Os preços elevados dos ingressos para seguir as partidas não desanimam os aficionados, esperançosos na conquista do hexa, com ou sem a presença de Neymar.

Além do privilégio de presenciar a nata do futebol mundial em ação, eles dizem que também são atraídos pela atmosfera incomum que costuma marcar a competição, com festas e confraternização entre as torcidas, e pela oportunidade de fazer uma viagem internacional e saber novos lugares e pessoas.

O empresário Raphael Ravagnani, 39, oriundo de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, conta que as primeiras lembranças que tem a reverência das Copas do Mundo são do torneio de 1994, nos Estados Unidos, quando se encantou pelo evento acompanhando as partidas pela TV.

“A partir dali, virou uma paixão à primeira vista. Acho que a Despensa do Mundo é muito interessante porque tem um pacote completo: a sarau, a decoração, juntar os familiares e amigos. Os álbuns de figurinha, as camisas, as mascotes. Fiquei fascinado”, afirmou.

A primeira oportunidade de seguir jogos da Despensa de dentro dos estádios viria duas décadas depois, em 2014, quando acompanhou da Neo Química Redondel a vitória da Holanda sobre o Chile e a da Argentina contra a Suíça.

Em 2018, em seguida fazer uma poupança nos três anos anteriores, foi à Despensa da Rússia escoltado de um grupo de amigos.

Além do futebol propriamente, ele disse também ter se oferecido conta da oportunidade de turistar pelo país para saber uma novidade cultura. “Ali de roupa virou uma chave, do quanto a Despensa traz de riqueza cultural, de troca de experiências.”

Ele esteve presente novamente no Qatar, e agora se prepara para um giro pela América do Setentrião. Escoltado da esposa e de um colega, embarca no dia 10 de junho para Toronto, onde pretende seguir a estreia do Canadá, no dia 12, contra o vencedor do duelo entre Itália e Bósnia e Herzegovina pela repescagem europeia.

Seguem na sequência para Novidade York, para saber a cidade e seguir, no dia 13, na vizinha Novidade Jersey, a estreia do Brasil contra Marrocos. Vão em seguida para a Filadélfia, para o duelo contra o Haiti.

Com o “pressentimento” de que o Brasil não será o líder na primeira temporada, Ravagnani continuará a viagem para o México, onde jogará a equipe que se qualificar na segunda posição no grupo da seleção brasileira. “Para mim, é inegociável ver um jogo no Estádio Azteca, extremamente clássico, que respira futebol.”

O empresário retorna portanto para São Paulo, para seguir o restante do torneio escoltado de familiares e amigos. Ele estima que, considerando gastos com passagem, hospedagem, sustento e ingressos, deve gastar entre R$ 30 milénio e R$ 35 milénio.

Comentador de sistemas oriundo de Campo Grande (MT), Ynara Costa, 54, diz que não sabe exatamente quanto irá gastar durante a viagem.

“Não coloquei no papel e não quero pôr, porque senão dá um desânimo, porque é muito custoso. Se o Brasil permanecer até a final portanto… sei lá. É um valor muito basta que não sei manifestar”, afirmou.

Integrante do MVA (Movimento Verdejante Amarelo), torcida conhecida por seguir atletas brasileiros em diversas competições ao volta do mundo, a crítico acompanha Copas in loco desde 1994.

Foi a todas as edições seguintes, com exceção de 2002 e 2006, e a quatro finais —1994, 1998, 2014 e 2022. “É meu investimento de vida. Deixo de trocar meu carruagem para fazer essas viagens”, disse Ynara, que já tem ingressos garantidos para todos os jogos do Brasil.

Com uma série de queixas em torno dos preços dos ingressos, a torcedora com experiência em Copas diz ter notado um aumento muito supra da média. “Acho que tem subido progressivamente em todas as Copas, mas nessa me parece que subiu de uma forma desproporcional. Estão realmente muito altos os valores.”

“Os preços estão extremamente exorbitantes”, endossou Ravagnani. “Está terrível. Ingressos que na Despensa passada comprei por murado de R$ 350, agora estão saindo por R$ 2.500.”

Apesar dos custos elevados, os torcedores dizem que a “magia” e a “vigor” que envolvem uma Despensa do Mundo, e a chance de presenciar a conquista do hexa histórico do Brasil, compensam o investimento.

“Acho que não vai ser uma Despensa fácil. Vamos aos trancos e barrancos, com muito jogo com o coração na boca. Mas acredito que dá para lucrar”, afirmou Ravagnani. Ele acrescentou que, embora seja fã de Neymar, avalia que o time tem hoje “peças incríveis” que, se não têm o mesmo talento do camisa 10 do Santos em seu auge, trazem uma “unicidade” que pode ser o diferencial na Despensa.

Ynara afirmou que gostaria de ver Neymar nos Estados Unidos, mas entende que ele tem de estar mais focado para convencer Carlo Ancelotti, sem distrações uma vez que noites de pôquer a poucas semanas do início do Mundial.

“Estou com uma expectativa muito boa. Temos um técnico muito experiente, com força para bancar suas decisões”, disse a torcedora. “Acredito que o hexa possa vir, mas tem várias outras seleções que também são favoritas.”

Em meio à política imigratória adotada pelo governo de Donald Trump e a atuação criticada do ICE (a polícia da imigração americana), os brasileiros dizem não estar com grandes preocupações relacionadas a isso.

“Pelo que tenho escoltado, não vi ninguém deixar de ir por razão desse momento conturbado. Espero que as coisas estejam um pouco mais tranquilas até lá e que todos que queiram consigam ir”, afirmou Ynara.

“Eu e minha esposa temos dupla nacionalidade, ela italiana e eu portuguesa, e só precisamos pedir online o visto americano para quem é cidadão europeu. Meu colega, que só tem a brasileira, teve de ir até o consulado americano solicitar o visto e deu tudo perceptível. Logo não temos hoje essa preocupação”, disse Ravagnani.

Folha

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